The Godfather II: a sequência que quase foi um diamante

As escolhas feitas pela EA resultaram em um desenvolvimento turbulento, limitado a dois anos e meio, o que frustrou o potencial do jogo.

em 25/01/2026
The Godfather II
enfrentou um processo de desenvolvimento conturbado devido às escolhas estratégicas da Electronic Arts. Ao contrário do seu antecessor, The Godfather: The Game, esta sequência tornou-se um fracasso tanto em vendas quanto em recepção crítica. Os críticos e os jogadores enfatizaram que os gráficos, a história e a jogabilidade do jogo não alcançaram o nível de excelência definido pelo primeiro jogo da série.

EA ataca novamente: prejudicando o próprio jogo

The Godfather II teve seu desenvolvimento iniciado logo após a versão de Wii do primeiro jogo ser lançada, em 2007. A EA deu um prazo de apenas dois anos e meio para o estúdio EA Redwood Shores (atual Visceral Games) entregar uma continuação à altura. Este é um prazo absurdo para um jogo desse escopo, com mapa aberto e a exigência de um modo multiplayer.


Devido ao tempo apertado, a produção foi caótica e contou apenas com o ator Robert Duvall para reprisar o seu papel de Tom Hagen. Porém, a não utilização da captura de movimento prejudicou a expressão facial do personagem, que ficou inferior ao resultado visto em outros personagens do título anterior.


Para colocar ainda mais pressão sobre os funcionários, o CEO da EA na época, John Riccitiello, liderou um marketing agressivo baseado em promessas como mais liberdade nas missões, gráficos de ponta dignos da geração PS3, Xbox 360 e PC, e a adição da mecânica Don's View, explicada mais adiante no texto.


Assim, após um adiamento de alguns meses, em 10 de abril de 2009 foi lançado The Godfather II, e o resultado refletiu o caos da produção. As críticas recaíram sobre os visuais, datados mesmo para a época, carência de expressões faciais e falta de detalhes nas texturas, resultando em uma nota 65 em agregadores como Metacritic.

Já dizia o ditado: a pressa é inimiga da perfeição

Um dos principais pontos criticados foi a narrativa, que deixou de respeitar a história contada nos filmes. Em O Poderoso Chefão 2, é narrado o passado de Don Vito Corleone quando ele chegou aos Estados Unidos, enquanto também mostra Michael Corleone em sua ascensão, destacando como ele é completamente diferente de seu pai.


Na adaptação virtual, os flashbacks do Don Vito não existem, cortando uma parte importante da narrativa e Michael tem seu protagonismo drasticamente reduzido, sendo ofuscado pelo novo protagonista customizável, Dominic Corleone.

O “herói” do jogo anterior, Aldo Trapani, sofre uma morte abrupta logo no prólogo da sequência, colocando os holofotes sobre Dominic — um personagem sem carisma e com uma evolução na família inexistente, já que logo no começo da história Michael já encarrega ao novato a tarefa de controlar Nova Iorque, que antes pertencia a Aldo.

Diferente de Trapani, que possuía um objetivo pessoal de buscar vingança pela morte de seu pai, o novo protagonista é apenas uma casca vazia sem um propósito para estar na família e querer subir na hierarquia.

Por Cuba, Miami e Nova Iorque

Godfather II expandia o seu mundo aberto para além de Nova Iorque, contando com um pequeno trecho em Cuba no prólogo e Miami vinha como um novo mapa totalmente explorável. Contudo, esses cenários carecem do mesmo esmero visto no primeiro jogo.


A “cidade que nunca dorme” perdeu seus icônicos detalhes marcantes da filmografia, como os jornais ao vento, a fumaça saindo dos bueiros, sua paleta acinzentada e sua vasta quantidade de cidadãos na rua, características que tornavam a cidade única entre as suas várias adaptações.


Miami, por outro lado, trocava o cinza por uma coloração mais viva, a fumaça pelo sol, mas a falta de um cuidado nos detalhes tornou essa só mais uma representação da região entre várias. A questão das cores também afetou o visual dos personagens, que perderam os ternos escuros e receberam um poliéster em colorações vivas que tiravam a identidade do jogo.

Uma das mecânicas novas foi a Don's View, que permitia gerenciar esquemas em tempo real, podendo enviar subordinados para missões, gerenciar sua família mafiosa escolhendo, por exemplo, qual capanga comandará o negócio criminoso e podendo conferir o livro caixa com todo lucro adquirido pelos esquemas criminosos. A EA chegou a lançar um aplicativo para o Facebook para promover a nova mecânica e o lançamento do jogo.

Fazendo as coisas à Corleone… mas sem grandes novidades

A jogabilidade foi descrita como funcional não trazendo muitas novidades em relação ao seu antecessor, mantendo características como o combate corpo a corpo brutal, permitindo pegar oponentes e interrogá-los para conseguir estabelecimentos novos, um controle de armas aceitável, mas inferior ao que já tinha sido visto na franquia.

Uma das novidades foi que agora os subordinados recrutáveis possuíam classes como médico, abridor de cofres e especialistas em explosivos. Diferentemente do primeiro jogo, agora os recrutas estavam disponíveis praticamente desde o começo da trama.


Alguns defeitos que não estavam presentes nas aventuras de Aldo foram uma dificuldade muito fácil, não conseguindo entregar um desafio aos jogadores. Isso era provocado por uma inteligência artificial burra e bugs que faziam inimigos como policiais ou bandidos ficavam travados, ou não pegavam cobertura durante os tiroteios.

Um multiplayer que não se garantia

O online funcionava com partidas de oito contra oito, com modos como abrir cofres dos adversários e os defender, queimar bases inimigas e o clássico mata-mata em equipes, entre outros. Os personagens usados eram recrutados durante a campanha principal, com cada um tendo habilidades herdadas da campanha como já citada medico e abridor de cofres.

Entre os destaques do multiplayer estava um modo chamado Don Control, que permitia a um jogador de cada time assumir o papel de “chefão”, guiando os companheiros pelo mapa, podendo marcar pontos de interesse e distribuir vantagens como cura e coletes. Porém, o jogador ficava limitado a uma visão isométrica da partida.


Sem surpresas, os servidores do jogo foram desligados em 13 de abril de 2012, apenas três anos após o lançamento, e em novembro de 2014 o título foi removido do Steam por questões de licenciamento, dificultando a aquisição de uma cópia do jogo.


Com todos esses problemas citados, o título vendeu menos de 400 mil unidades, sendo considerado um fracasso comercial, considerando principalmente as 4 milhões de cópias vendidas do primeiro jogo. Isso fez com que a EA cancelasse uma possível sequência baseada no terceiro e último filme da trilogia dirigida por Francis Ford Coppola.

O adiantado fim de uma franquia


The Godfather II
tinha tudo para ser uma sequência de respeito. No entanto, as decisões da EA sabotaram o projeto, resultando em um lançamento conturbado, gráficos datados e uma jogabilidade com poucas novidades. A narrativa abandonou sua maior qualidade: a fidelidade aos filmes, e nem mesmo o modo multiplayer conseguiu prender os jogadores por muito tempo, culminando no cancelamento da franquia. No final, como Don Corleone diria ao olhar para esse resultado: “Veja só como massacraram meu garoto.”
Revisão: Vitor Tibério


Siga o Blast nas Redes Sociais
Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).