Star Wars Jedi: tempos sombrios e o legado da Ordem 66

Games conectam a Ordem 66, o Caminho Oculto e a Alta República em uma jornada essencial para o cânone da saga.

em 11/01/2026
Enquanto no cinema os filmes da saga Star Wars focam nas grandes batalhas que decidem o destino da galáxia, a dupla que inicia a trilogia de jogos desenvolvida pela Respawn Entertainment — Star Wars Jedi: Fallen Order e Star Wars Jedi: Survivor — mergulha de cabeça no período mais desolador da cronologia canônica (o conjunto de histórias oficiais que formam a linha do tempo principal de Star Wars), mostrando o dia a dia de quem luta, muitas vezes, sem receber o devido reconhecimento.

Entendendo a cronologia da saga

Para entender em qual período esses jogos se passam, precisamos olhar para o calendário oficial da galáxia, que tem como ponto zero a destruição da primeira Estrela da Morte no filme Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, a chamada Batalha de Yavin.
  • BBY (Before Battle of Yavin): Antes da Batalha de Yavin;
  • ABY (After Battle of Yavin): Depois da Batalha de Yavin.
Star Wars Jedi: Fallen Order se passa em 14 BBY e Star Wars Jedi: Survivor em 9 BBY. Para o fã, isso significa que a história de Cal Kestis se desenrola no intervalo crítico entre o extermínio dos Jedi em A Vingança dos Sith e o surgimento de Luke Skywalker no Episódio IV. É o Império em seu auge, quando Darth Vader é um terror ativo e a liberdade é apenas uma lembrança distante.

O desmonte da República e a pilhagem de cristais

O impacto inicial em Fallen Order é visual. No planeta Bracca, somos apresentados a um gigantesco cemitério de naves onde o Império desmancha os Cruzadores de Ataque da classe Venator. Ver esses símbolos de proteção durante as Guerras Clônicas sendo reduzidos a sucata é uma metáfora perfeita para o que o Império de Palpatine estava fazendo: apagar os vestígios dos heróis e da esperança da era da República.
 
A opressão imperial é também extrativista. Em determinado momento do primeiro jogo, Cal visita Ilum, o planeta sagrado onde os Padawans buscavam seus cristais Kyber. Essa é uma conexão direta com o filme Rogue One, que mostra  o Império minerar cristais para alimentar o superlaser da Estrela da Morte. O que o jogo revela de forma sutil é o destino trágico de Ilum: a enorme trincheira cavada pelo Império é o início da transformação do planeta na Base Starkiller, vista anos depois em O Despertar da Força. Enquanto para o Jedi o cristal representa identidade, para o Império ele representa aniquilação.

A Ordem caída e a sobrevivência

Cal Kestis é um jovem Padawan que sobreviveu à Ordem 66 — a diretriz dada pelo Chanceler Palpatine que ativou chips inibidores nos soldados clones (clone troopers). Estes soldados, criados para combater as forças separatistas nas Guerras Clônicas, foram forçados a trair e executar os Jedi arbitrariamente. Através de flashbacks jogáveis, vivemos o trauma de Cal ao ver seus aliados leais se tornarem assassinos em questão de segundos.




Em Fallen Order, Cal não ganha novos poderes; ele relembra o que seu mestre, Jaro Tapal, o ensinou. A jogabilidade utiliza o trauma como mecânica: suas habilidades estão bloqueadas pelo estresse pós-traumático, e cada nova técnica representa Cal superando um bloqueio psicológico. Essa abordagem o situa na mesma linhagem de sobreviventes como Kanan Jarrus e Ahsoka Tano (vistos na animação Rebels): jovens que precisaram aprender a ser Jedi em um mundo que quer exterminá-los.

O dom da psicometria e o peso da história

Um dos diferenciais de Cal é sua capacidade de sentir "ecos da Força" em objetos, uma habilidade rara chamada psicometria. No cânone, poucos personagens possuem esse dom em níveis elevados: o mais famoso é o mestre Quinlan Vos (citado na série Obi-Wan Kenobi), mas também vemos lampejos dessa conexão em personagens centrais como Ahsoka Tano e na própria Rey Skywalker, ao tocar o sabre de Anakin no Episódio VII. Para o jogador, isso significa que Cal não apenas atravessa cenários, mas revive memórias, tornando-se um arqueólogo involuntário da dor e da esperança deixadas para trás.

Um Jedi que caminha na linha tênue

Essa conexão profunda com a perda leva Cal a um arco dramático complexo que promete ser central no vindouro último jogo da trilogia. Muitos fãs utilizam o termo "Jedi Cinza" (termo não oficial, já que o cânone atual considera apenas o equilíbrio entre a Luz e o Lado Sombrio) para descrevê-lo — um conceito popularizado por figuras queridas como Qui-Gon Jinn, o mentor de Obi-Wan que frequentemente batia de frente com o Conselho Jedi para seguir sua própria bússola moral.

Cal Kestis vive esse dilema na pele: em um mundo onde a Ordem Jedi não existe mais, ele precisa decidir até onde pode usar habilidades sombrias para proteger quem ama sem se tornar aquilo que ele mais jura combater. O grande dilema aqui é que o Lado Sombrio não é algo que precisa ser alcançado; é um poder enorme que está sempre ali tentando o usuário da Força, mas que, se usado, certamente cobrará seu preço.



Conexões canônicas da Alta República a Saw Gerrera

Enquanto o primeiro jogo revisita lacunas do passado, Star Wars Jedi: Survivor expande o horizonte ao introduzir relíquias da Alta República — período (cerca de 200 anos antes dos filmes) em que os Jedi eram exploradores em sua era de ouro. O contraste entre a tecnologia refinada daquela era e a estética cinzenta do Império reforça o sentimento de perda da galáxia.
 
Os jogos também situam Cal no centro da insurgência. Em Fallen Order, ele luta ao lado de Saw Gerrera (Rogue One) em Kashyyyk. Já em Survivor, Cal atua como um agente de sua célula extremista em Coruscant, fornecendo dados vitais que enfraquecem as operações imperiais. Mais importante ainda é a conexão com o Caminho Oculto, a rede secreta de fuga vista na série Obi-Wan Kenobi. Ao lado de Cere Junda e Merrin, Cal busca transformar o planeta Tanalorr em um refúgio seguro para os perseguidos, conectando-se diretamente a obras como Andor e The Bad Batch.




Por que todo fã dos filmes deve jogar?

A série respeita a mística da Força e a hierarquia de poder. O combate é pesado e, às vezes, descuidado, refletindo um Jedi com treinamento interrompido. E a representação de Darth Vader em Fallen Order é, junto com sua aparição em Rogue One, a mais aterrorizante do cânone: ele não possui uma barra de vida, pois não é um "chefe" comum, mas uma força da natureza da qual você só pode tentar escapar.
 
Se você quer entender como a esperança foi mantida acesa anos antes de Luke Skywalker, Star Wars Jedi: Fallen Order e Star Wars Jedi: Survivor oferecem as respostas. A jornada de Cal Kestis não é uma história paralela, ela é o símbolo da resistência que torna a vitória final da Aliança Rebelde ainda mais significativa.

Revisão: Vitor Tibério
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WindsorSan
Jogadorino desde os áureos anos 90, geralmente surpreende amigos com a quantidade de títulos que já finalizou. Divide o amor por games com seus mangás, Hq's e filhotes. Agora seu objetivo é registar seus conhecimentos para as novas gerações de jogadores.
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