Agora, o time sonha além. A primeira expansão paga substancial, Cult of the Lamb: Woolhaven, é dita como maior do que o jogo base era quando foi lançado, adicionando uma campanha inteira, mudanças a todos os aspectos da vida do cordeirinho, e uma nova comunidade com a própria história e mecânicas. Tudo é centrado na chegada do Inverno e da Putrefação, dois fenômenos intimamente interligados.
Que você me aqueça neste inverno
Woolhaven só começa quando derrotamos os quatro Bispos da história principal de Cult of the Lamb (vencer o chefe final não é necessário, contudo). A decisão se torna compreensível quando fornecemos todos os recursos necessários para iniciar o novo conteúdo: quem não tiver um culto bem estabelecido antes da chegada do Inverno vai, com certeza, sofrer horrores.
Tudo começa na terra abandonada de Santa Lã, um povoado ao sopé da montanha Cordeirada e regido pela deusa Yngya, que, dentro do novo contexto, acaba por ser acidentalmente vingada pelo cordeiro. Nossa nova missão é trazê-la de volta à vida e resgatar as almas de seus seguidores, espalhadas pela Cordeirada, que nada mais é do que uma nova série de masmorras no modelo roguelike já conhecido.
Existem dois lados da moeda, ambos ligados a Yngya: a montanha normal, tomada por neve e pelo culto lupino do cruel Marchosias, e a Putrefação, uma força letal que consome seu centro, este vagado pela Algoz, uma ex-assassina atormentada pelas vidas que ceifou. Como sempre, progredir nos níveis de combate gerados aleatoriamente é o que nos permite seguir caminho no simulador de colônia.Este, por sua vez, é a verdadeira estrela de Woolhaven. Em contraste com as novidades relativamente pequenas à fórmula roguelike (que incluem, além dos novos inimigos e cenários, algumas séries de puzzles curtos em certos níveis; a dificuldade maior ainda está restrita aos chefes de fase), o dia a dia no chamado Culto do Cordeiro é virado de cabeça para baixo de todas as maneiras possíveis.
Comecemos com a maior: o Inverno, que aumenta de intensidade quanto mais restauramos a vitalidade de Yngya, não é brincadeira. Esse período rigoroso de gameplay, que pode ser rastreado com a construção de um Cata-Vento, afeta plantações, construções, fluxo de trabalho dos seguidores e a novidade do Rancho, uma maneira alternativa de se conseguir recursos e comida (sim, é daqueles universos nos quais não devemos pensar muito sobre o porquê de existirem animais sencientes e animais “irracionais”).
Também somos capazes de jogar um minijogo curtíssimo para criar Cordeiros de Neve. A princípio, parece ser só um gracejo dos desenvolvedores — descobrimos, contudo, que as esculturas podem ser trazidas à vida durante o Inverno, o que é uma mão na roda, especialmente para quem acabar preso(a) com seguidores que preferem hibernar. O preço, por outro lado, é um pouco de seu Putrefogo, um novo material essencial para manter todos aquecidos; apenas um exemplo das decisões estratégicas que somos forçados a tomar.O orçamento da produção também não foi todo destinado às novidades: Woolhaven traz atualizações muito necessárias a elementos já existentes. Um dos mais importantes é a expansão do território do culto, providenciada por um novo NPC em troca de barras de ouro. Finalmente, mais espaço para meu cemitério — pera, quê?!... Outro destaque é um novo jogo de ritmo que fornece Pecado, moeda introduzida no patch Sins of Flesh e um tanto custosa de se obter normalmente.
De maneira geral, o DLC é cheio de mecânicas que sequer tenho espaço para mencionar, como os Seguidores Putrefatos, criaturinhas caindo aos pedaços que vêm com seus prós e contras, ou a adição de cartas de tarô com um efeito positivo e um negativo, no estilo das Bênçãos de Caos da série Hades. Uma verdadeira torrente de novo conteúdo, que só tem a agregar ao Cult of the Lamb base. Agora, em matéria de história…
E essa Santa Lã, hein?
A comunidade de Santa Lã, conforme coletadas as pelagens dos seguidores da deusa, vai lentamente se transformando em um segundo hub. Por aqui, moram várias almas outrora perdidas, cada qual com seus próprios serviços a oferecer. Também é nesta área que estão espalhados fragmentos de seu passado, pequenas pílulas de conhecimento que intentam contextualizar tudo o que vemos.
O que frustra nessas incursões de história é a falta de profundidade. O Massive Monster claramente criou um mundo vasto, em torno do qual todo o conteúdo do DLC gira; o problema é que a apresentação não gera qualquer tipo de interesse. Essa sensação não é nada de novo: mesmo no jogo como já o conhecemos, os chefes de fase, que podemos transformar em discípulos mais tarde, têm, no máximo, duas ou três linhas de diálogo (às vezes, nem isso), o que gera um pano de fundo que parece ser, ao mesmo tempo, densamente populado e quase vazio.Até os personagens mais importantes herdam este problema. Marchosias e a Algoz podem ter um alto perfil, mas isso não faz com que encontrá-los não seja, na maioria das vezes, algo ignorável com folga. Até quando este primeiro inevitavelmente toma um recurso à força (por exemplo, todo o Putrefogo do inventário, ou meio coração de vida), é um problema que costuma ser bem fácil de se contornar, pois as masmorras são bem generosas com seus tesouros, até na dificuldade média.
Falando destes, em contrapartida, um elemento bastante desbalanceado é a importância da Pelagem como moeda de troca em Santa Lã. Esta só pode ser obtida por meio do trabalho no Rancho; quem não tiver interesse na mecânica, talvez por sentir uma sobrecarga com as tarefas já exigidas do culto, vai deixar de poder se engajar com metade do novo conteúdo. Assim como aconteceu com o Pecado, talvez deveríamos ter conseguido fontes alternativas de Pelagem, se ela é tão importante por aqui.
Louvada seja Yngya
Apesar de dividida entre invernos cruéis e cadáveres apodrecendo, a expansão Cult of the Lamb: Woolhaven revitaliza o jogo original em praticamente todos os aspectos, oferecendo horas de novo conteúdo e elementos de estratégia para quem já está nos “finalmentes” da campanha principal. Vale a pena ir atrás de reunir a deusa caída à sua antiga glória.Prós
- Gameplay extremamente variada;
- Mecânica do “Inverno” muda substancialmente o ritmo normal da vida no culto;
- Novas adições também não negligenciam mecânicas já existentes.
Contras
- História rasa, apesar da suposta importância;
- Antagonistas não têm impacto suficiente;
- O papel da moeda “Pelagem” é exagerado.
Cult of the Lamb: Woolhaven — PC/PS4/PS5/XSX/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital







