Impressões: Pirates Outlaws 2: Heritage navega por novos sistemas em um deckbuilding promissor

A sequência do roguelike de construção de baralhos traz algumas ideias interessantes ao mesmo tempo que mantém a atmosfera encantadora.

em 01/12/2025

Pirates Outlaws 2: Heritage mantém a essência do roguelike deckbuilding com temática de piratas ao mesmo tempo em que experimenta mecânicas inéditas que mudam o ritmo das partidas e a estrutura de exploração. Em acesso antecipado, o jogo já revela uma base sólida com visual marcante, ideias promissoras e variedade de conteúdo, mas também traz arestas que precisam ser polidas, desde o equilíbrio geral até a clareza de interface. Como sequência, ele continua navegando por mares familiares, porém com novos ventos que transformam a experiência em algo mais amplo e estratégico.

Rumo a mares repletos de perigos e tesouros

Assim como no título anterior, diferentes corsários desbravam vastos oceanos em busca de glória e riqueza em Pirates Outlaws 2. Em um primeiro momento acompanhamos Gabi, uma órfã que herdou o espírito aventureiro de seus pais e vai fazer de tudo para ser reconhecida. A temática pirata é representada por um visual repleto de formas geométricas, cores chapadas e elementos que lembram silhuetas — o estilo minimalista dá personalidade ao mundo do jogo. 


Como roguelike deckbuilding, o jogo se baseia em combates por cartas que exigem planejamento cuidadoso. Muitas ações ofensivas usam munição, um recurso limitado que obriga o jogador a equilibrar ataques e momentos de recarga. Construir um baralho eficiente envolve combinar tipos de ataque, cartas defensivas, efeitos situacionais e sinergias diversas. Fora das batalhas, o progresso se dá pela coleta de cartas e relíquias com efeitos diversos.

As novidades introduzidas nesta sequência redefinem o fluxo da partida. O contador substitui o sistema tradicional de turnos: cada inimigo possui um valor que diminui conforme realizamos ações, e quando chega a zero, ele ataca. Isso coloca o ritmo do combate nas nossas mãos, criando cenários em que é possível manipular ataques inimigos, acelerar golpes estratégicos ou ganhar tempo. A fusão de cartas também adiciona profundidade sem complexidade excessiva: juntar três cópias de um cartão permite evoluí-lo para uma versão mais poderosa, incentivando rotas de especialização dentro de cada partida.


A estrutura das jornadas foi alterada. Em vez de caminhos lineares, o jogo apresenta um grande mapa repleto de rotas alternativas, áreas que podem ser revisitadas, eventos temporários e encontros imprevisíveis. Essa abordagem exige planejamento a longo prazo, avaliação constante de riscos e a escolha de rotas que podem levar a recompensas valiosas ou a emboscadas perigosas. Assim, explorar deixa de ser um intervalo entre lutas e se torna parte central da estratégia, oferecendo mais liberdade às partidas.

No deslumbre e nas tormentas do oceano

Se por um lado Pirates Outlaws 2 mantém o DNA do primeiro jogo, por outro ele abraça uma identidade própria ao mexer no ritmo e na lógica do combate. As mudanças não são superficiais: elas exigem atenção constante, leitura tática e adaptação a novas regras que transformam o ato de montar um baralho e decidir ações em uma dança mais cuidadosa e estratégica. O resultado é uma experiência familiar, mas com tensão renovada.

A mecânica de contador é o eixo dessa transformação. Antes estranha, ela logo se mostra profunda e cheia de possibilidades. Jogar uma carta, comprar uma nova mão ou ativar um efeito pode diminuir contadores e alterar drasticamente o momento em que cada inimigo reage. Quando compreendida, essa dinâmica abre espaço para jogadas inteligentes, como antecipar ataques para mitigá-los melhor ou aproveitar pequenas brechas para puxar cartas gratuitas e montar combos mais eficientes.


A fusão de cartas funciona como uma camada de progressão interna que equilibra partidas boas e ruins. Transformar duplicatas em versões evoluídas incentiva especialização, reduz o impacto de azar nas escolhas e permite explorar sinergias que só se revelam com cartas aprimoradas. Some-se a isso a variedade de personagens, cada um com arquétipos próprios, e as interações posicionais que permitem ativar efeitos extras dependendo da organização das cartas na mão, e o resultado é uma experiência que exige experimentação e adaptação constantes.

O jogo amplia ainda mais seu escopo ao incluir animais companheiros, modos Aventura e Arena, um vasto elenco de heróis e versões alternativas desbloqueadas por skins. É um oceano de conteúdo que recompensa persistência e curiosidade. Entretanto, essa abundância também vem com um custo: desbloquear certas opções exige bastante grind, especialmente para quem deseja explorar personagens essenciais ou estratégias avançadas sem limitações iniciais.


Há, porém, dificuldades claras que ainda precisam ser ajustadas. A dificuldade inicial é severa e pode soar injusta em algumas situações, já que inimigos extremamente fortes aparecem de maneira inesperada em determinados pontos do mapa mais aberto. Problemas de clareza visual, ícones e informações pouco intuitivos, valores de dano difíceis de acompanhar e uma interface um tanto rígida também prejudicam o entendimento imediato das ações. São falhas compreensíveis em uma fase de acesso antecipado e que, com atualizações constantes, têm grande potencial de melhoria.



Terra à vista, mas a jornada continua

Pirates Outlaws 2: Heritage oferece uma base robusta e repleta de boas ideias, combinando o charme do roguelike deckbuilding com experimentações que renovam o ritmo e ampliam o espaço para estratégias. Mesmo enfrentando desafios de clareza e dificuldade desbalanceada, o jogo exibe variedade, personalidade e um potencial significativo para crescer ao longo do acesso antecipado. Se as próximas atualizações polirem suas arestas e reforçarem seus pontos fortes, a sequência tem tudo para se firmar como uma das experiências mais interessantes do gênero.

Revisão: Johnnie Brian
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela Fabled Game
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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