Like a Dragon: blog oficial do PlayStation publica entrevista comemorativa de 20 anos da série

Representantes do Ryu Ga Gotoku falam sobre o legado da franquia, o remake de Kiwami 3 e os próximos passos da série após duas décadas.

em 19/12/2025


Como forma de comemorar os 20 anos desde sua estreia no PlayStation 2, a série Like a Dragon (anteriormente conhecida apenas como Yakuza) se prepara para um novo marco com o lançamento de Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, um remake do terceiro jogo, em 12 de fevereiro do próximo ano. Como parte das celebrações, o PlayStation Blog conduziu uma entrevista com os atuais responsáveis pela franquia — o produtor executivo Masayoshi Yokoyama, o diretor-chefe Ryosuke Horii e o produtor-chefe Hiroyuki Sakamoto — sobre a sua trajetória e evolução ao longo das últimas duas décadas, bem como o que representa esse novo lançamento para o atual momento da IP.


Yokoyama, o primeiro a dar a palavra, começa a entrevista declarando que os 20 anos de Like a Dragon simbolizam a chegada da "maioridade” da franquia. O produtor explica que a comemoração foi pensada como um olhar retrospectivo sobre a trajetória da série, do nascimento à maturidade. Além disso, mencionou que o estúdio preparou eventos e conteúdos especiais, como a exposição The Four Ceremonies of Life, em Tóquio, e planeja novas iniciativas após o dia 8 de dezembro. A ideia é estender as celebrações até o fim do próximo ano, mantendo a marca próxima dos fãs por mais tempo.

Ao comparar toda a trajetória, do início ao momento atual, Yokoyama destaca a mudança na forma como Like a Dragon passou a ser percebida pelo público — e até por quem está envolvido em sua produção. Segundo o ele, no começo “não era algo que as pessoas diziam em voz alta que gostavam”, a ponto de alguns desenvolvedores esconderem de familiares que trabalhavam no projeto. Essa relação começou a mudar cerca de dez anos depois, quando o orgulho em fazer parte do projeto se tornou público, refletindo a consolidação da franquia e do próprio RGG Studio como marcas reconhecidas. Hoje, afirma Yokoyama, o objetivo é seguir cuidando desse legado para que funcionários, parceiros, elenco e fãs continuem se orgulhando da série.


Ainda para Yokoyama, a evolução criativa não veio da tentativa de seguir tendências, mas de mudanças profundas no próprio ambiente de desenvolvimento ao longo dessas duas décadas. Ele explica que a exposição crescente à cultura global — impulsionada por plataformas como YouTube e Netflix — transformou a forma como o estúdio enxerga o mundo, algo que era impensável em 2005. 

Essa abertura se reflete também na composição da equipe, uma vez que, antes, ela era quase totalmente masculina e japonesa. Hoje, o RGG Studio reúne profissionais de diferentes países e apresenta um equilíbrio de gênero próximo de 50%. Segundo o produtor executivo, essa transformação natural do estúdio influenciou diretamente a produção dos jogos, sendo que a intenção é seguir abraçando essas mudanças sem abrir mão da identidade própria da franquia.

Sakamoto, por sua vez, reforça que a capacidade do estúdio de lançar jogos em intervalos curtos sem comprometer a qualidade é resultado de um fluxo de trabalho lapidado ao longo de anos. O produtor-chefe explica que a equipe se concentra em eliminar processos desnecessários e buscar constantemente a forma mais eficiente de desenvolvimento, mantendo sempre um equilíbrio rigoroso entre qualidade, escopo, tempo e custo. Essa disciplina, afirma, é o que sustenta a regularidade da série.


Já discorrendo sobre a ambientação contemporânea dos jogos, uma marca da franquia, Sakamoto aponta tanto desafios quanto vantagens. Distritos como Kamurocho passaram por mudanças profundas em duas décadas, o que exige pesquisa constante nos títulos principais para retratar a realidade atual. Em contrapartida, os spin-offs oferecem maior liberdade criativa, permitindo explorar cenários e abordagens menos presos às transformações do mundo real.

Quando indagado sobre à passagem de bastão de protagonista, quando Ichiban Kasuga assume o manto de Kazuma Kiryu em Yakuza: Like a Dragon, Sakamoto comenta que é uma decisão que até pode parecer arriscada, mas que nunca encarou tal mudança com preocupação. Segundo o produtor-chefe, a equipe confiava na construção narrativa e no vínculo que o público cria com Kasuga ao longo da história. Para ele, o fato de os jogadores conseguirem se conectar com qualquer um dos personagens significa que qualquer um poderia assumir esse papel principal, uma característica que, na sua visão, demonstra a força e a versatilidade da franquia.

Quando o assunto chegou nos mini-games, foi a vez de Ryosuke Horii fazer suas colocações. Para ele, o que define a concepção e inclusão de cada atividade é a própria narrativa central da campanha. O diretor-chefe explica que o ponto de partida é definir o conceito da história e o seu cenário, para então criar conteúdos paralelos que dialoguem com esses elementos, como a gestão empresarial ligada ao tema de ascensão social de Ichiban. 




O desenvolvimento passa por ciclos constantes de testes e ajustes, sempre com atenção especial ao humor característico da série, que transforma situações inusitadas em experiências memoráveis e ajuda a reforçar a imersão do jogador no universo do jogo, exemplificado pela forma com que "pedir desculpas" é um movimento de finalização após uma reunião com os acionistas do dito mini-game.

Horii também explica que a escolha dos jogos clássicos da SEGA presentes nos fliperamas de Kamurocho, Ijincho, Sotenbori ou Honolulu começa relativamente cedo no desenvolvimento e é liderada pelo diretor técnico Itō, especialista em títulos retrô. Segundo ele, a decisão vai além da preferência pessoal, já que envolve desafios como licenciamento, adaptação técnica e viabilidade dentro do cronograma. Por isso, a equipe busca um equilíbrio entre o que é possível incluir e o que realmente merece ser resgatado, priorizando jogos feitos com cuidado e que os próprios desenvolvedores admiram e desejam apresentar a uma nova geração de jogadores.

Ao comentar a o rótulo de remake "extremo" atribuído ao Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, Yokoyama afirma que o foco do RGG Studio não está em seguir um modelo fixo para revisitar obras passadas, mas em criar experiências que façam sentido para o público atual. Segundo ele, ainda não há decisões concretas sobre novos remakes, e a filosofia do estúdio — “fazer o que for preciso para dar certo” — segue como guia criativo. Essa abordagem, explica, está diretamente refletida no novo lançamento, que não apenas reimagina Yakuza 3, mas também incorpora elementos que apontam para o futuro da franquia, convidando inclusive veteranos da série a explorarem o título sob uma nova perspectiva.

Horii, por sua vez, afirma que Yakuza Kiwami 3 vai muito além de uma simples atualização do jogo original. Embora a história central tenha sido mantida, o remake recebeu novas cinemáticas, personagens e linhas de diálogo, além de conteúdos inéditos que reestruturam completamente o ritmo e o design da experiência. Assim, o título foi pensado para se sustentar como um lançamento totalmente novo do RGG Studio, oferecendo ineditismo para os veteranos. 

Ao mesmo tempo, Horii garante que o jogo é acessível a novatos na franquia, complementando que Kiwami 3 conta com um recurso de recapitulação dos capítulos anteriores e foi estruturado para permitir que novos jogadores acompanhem a narrativa sem dificuldades. Ainda assim, ele ressalta que conhecer títulos como Yakuza 0, Kiwami e Kiwami 2 pode aprofundar o vínculo com os personagens e enriquecer a experiência.

Ao refletirem sobre os 20 anos da franquia, os três entrevistados do RGG Studio reforçam um olhar voltado muito mais para o futuro do que para a nostalgia, apesar dos relançamentos recentes. Horii afirma que jamais imaginou que dedicaria quase metade da vida à série e que sempre trabalhou em cada jogo como se pudesse ser o último, uma postura que, segundo ele, garante entregas sem remorso. 
 

Já Sakamoto reforça a ideia de constante evolução, afirmando que, para levar Like a Dragon ainda mais longe, o estúdio precisará continuar se reinventando e encarando novos desafios. Yokoyama, por fim, admite não ser alguém muito sentimental, mas que as celebrações do aniversário lhe permitiram uma rara pausa para revisitar a trajetória da franquia sob a ótica dos fãs, uma experiência que renovou sua admiração pelo próprio trabalho e servirá de combustível criativo para os próximos passos.

Enquanto Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é o próximo lançamento da série e está previsto para março do ano que vem, o último título inédito da franquia chegou no começo de 2025, com Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii. Em dezembro, Yakuza 0 Director's Cut, uma versão revitalizada da prequel do primeiro jogo chegou ao PC e às plataformas PlayStation e Xbox Series, que também receberam ports de Yakuza Kiwami e Yakuza Kiwami 2. Além disso, o Ryu Ga Gotoku também conta com outro projeto em produção, Stranger Than Heaven, que ainda não conta com data de lançamento divulgada. 

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João Pedro Boaventura
É jornalista formado pelo Mackenzie e pós-graduado em teoria da comunicação (como se isso significasse alguma coisa) pela Cásper Líbero. Tem um blog particular onde escreve um monte de groselha e também é autor de Comunicação Eletrônica, (mais um) livro que aborda história dos games, mas sob a perspectiva da cultura e da comunicação.