Anunciado originalmente em março de 2019, Vampire: The Masquerade – Bloodlines 2 finalmente chegou, carregando as marcas de um desenvolvimento problemático e várias mudanças de direção ao longo dos anos.
Desenvolvido pela The Chinese Room, o jogo se distancia bastante do cultuado Vampire: The Masquerade – Bloodlines (2004) e entrega uma experiência mais linear, focada em ação e narrativa cinematográfica — o que frustrou muitos fãs do RPG original.
Um mundo de intrigas e sombras
Mais Visual Novel do que RPG
A melhor parte: movimentação e combate
A travessia é o ponto mais divertido do jogo. Escalar e planar pelos prédios de Seattle transmite a sensação visceral de ser um predador poderoso. Já o combate é visualmente impactante, mas sofre com inconsistência de poder. Logo no início, Phyre arremessa inimigos como se fossem bonecos, mas conforme o jogo avança, o personagem é nerfado artificialmente, perdendo a sensação de força. Essa limitação constante frustra, especialmente por se tratar de um Ancião, uma das criaturas mais poderosas da mitologia do game.
Experiência com o clã Lasombra
Diferente de Bloodlines (2004), no qual joguei como Malkaviano — uma escolha caótica e confusa devido à “loucura” do clã —, nesta sequência optei pelo Lasombra, mestre das sombras. As habilidades de controlar escuridão para atacar ou confundir inimigos são visualmente incríveis. Mas há um problema: diferente de Fabian, o detetive Malkaviano que usa seus poderes fora do combate (como “falar” com objetos, ler pensamentos e ludibriar mentes), meu Phyre nunca pôde usar suas Disciplinas em diálogos. Isso torna a escolha de clã pouco significativa fora das batalhas.
Ainda assim, quando o jogo lembra o que Bloodlines realmente significava — como mergulhar na sombra de um inimigo ou aprisioná-lo em sua própria escuridão — ele brilha. É nesses momentos que Bloodlines 2 parece entender que ser um monstro é mais do que lutar: é sobreviver mantendo a Máscara em um mundo já mergulhado no caos.
Telecinese: o poder mais divertido
Inimigos e combates repetitivos
Apesar da boa sensação de combate, o jogo sofre com pouca variedade de inimigos. A maior parte das lutas é contra anarquistas, que funcionam como inimigos genéricos. Existem outros tipos de adversários ao longo da campanha, porém mencioná-los seria spoiler. O problema é que essa repetição reduz o desafio e tira peso das batalhas, algo que o Bloodlines original fazia bem — cada facção inimiga tinha identidade, estilo e propósito.RPG diluído e simplificado
O protagonista, por ser um Ancião, pode acessar poderes de vários clãs (Disciplinas) com facilidade, o que está correto na lore, mas mal construído na prática. O jogador é obrigado a cumprir dezenas de missões secundárias superficiais com personagens rasos, cujos longos diálogos raramente afetam a história principal. A sensação é de que as escolhas pouco importam, reduzindo o impacto narrativo — um dos maiores trunfos do jogo original. Além disso, a publisher Paradox optou por suavizar a rivalidade entre clãs em nome da “inclusão”. Essa decisão, embora bem-intencionada, dilui a tensão política e enfraquece a essência do universo World of Darkness.
Uma Seattle bela, mas vazia
O prometido “mundo aberto vibrante” virou uma Seattle pequena, fria e sem vida. As side quests são repetitivas e com frequência destoam da posição de poder de Phyre, envolvendo tarefas banais como entregar pacotes ou eliminar grupos genéricos de inimigos. Mais estranho ainda: ninguém usa celular. O jogador é forçado a ir e voltar fisicamente entre NPCs, quebrando o ritmo da narrativa.Narrativa envolvente, mas sem profundidade
Desenvolvimento caótico
Mesmo com a troca de estúdio e engine moderna (Unreal Engine 5), o jogo chegou com diversos problemas técnicos, dos quais podemos destacar os travamentos e quedas de frame rate durante cenas e combates, NPCs errando o gênero de Phyre, legendas dessincronizadas e aparecendo ou desaparecendo antes da fala terminar. Esses bugs quebram a imersão e reforçam a sensação de que o jogo foi lançado antes da hora.
Uma sequência muito aquém do predecessor
Prós
- A excelente construção de intriga e mistério político tornam a narrativa principal cativante;
- O visual gótico e nevado e a iluminação de Seattle são visualmente impressionantes;
- Os protagonistas Phyre e Fabian são personagens carismáticos e têm ótima química dublagem;
- O Combate é visceral e possui animações bem-feitas, especialmente nas Disciplinas e na travessia.
Contras
- Pouca liberdade para decisões significativas tornam o game excessivamente linear;
- Escolhas de clã e atributos quase não afetam o enredo;
- Mundo vazio, sem vida e com missões secundárias repetitivas;
- Constantes travamentos, bugs e erros de diálogo;
- Trechos monótonos com Fabian são um grande potencial desperdiçado.
Vampire: The Masquerade: Bloodlines 2 - PC/XSX/PS5 - Nota:6.0Versão utilizada para análise: PC



