A nova guerra dos games: por que o Xbox agora briga com o TikTok?

O Presidente da Xbox Game Studios revela que, na visão da Microsoft, os verdadeiros adversários são as mídias sociais e os serviços de streaming.

em 30/11/2025
O mercado de games mudou de vez. Hoje, falar em “Xbox vs. PlayStation vs. Nintendo” parece coisa do passado. Segundo os próprios chefões da Microsoft, o verdadeiro inimigo do Xbox não está mais nas gigantes japonesas: está no seu bolso, no feed do Instagram, no TikTok e no YouTube. Eu sei que parece loucura, mas só até você parar alguns segundos para pensar.

A briga agora é pelo seu tempo livre

Antigamente, jogar era compromisso: sentava no sofá, ligava o console e mergulhava por horas. Hoje, o entretenimento virou picadinho. O pessoal:

  • assiste gameplay inteiro no Youtube;
  • consome resumos de 10 minutos da história de um jogo de 60 horas;
  • vê reacts de lançamentos no mesmo dia que o jogo sai;
  • roda Free Fire no ônibus ou abre um joguinho rápido no navegador do trabalho (mesmo que, às vezes, não possa).

Nesse cenário, um game de R$ 350 compete diretamente com um vídeo de gatinho caindo do sofá. Os dois disputam a mesma coisa: aqueles 15 segundos de atenção que sobram no seu dia. Por isso, a Microsoft tem razão: o concorrente do Xbox não é mais a Sony. É qualquer coisinha digital que faça você abrir o celular em vez de pegar o controle.



Assistir virou o novo “jogar” para muita gente

A juventude de hoje conhece Resident Evil, Silent Hill e Metal Gear Solid pelos vídeos, não pelo controle na mão. Gameplay longa, detonado, react, corte de lore no YouTube, tudo isso já faz parte do ecossistema gamer. É ótimo para manter as franquias vivas, mas dá um frio na espinha da indústria: se o cara curte mais assistir do que jogar, por que ele vai gastar em um lançamento? Ainda mais sabendo que, ali na frente, vai ter promoção. Como diria o poderosíssimo: “Ninguém ganha do homem paciente”.



Jogamos em qualquer lugar e isso mudou tudo

Cloud gaming, mobile bombando, Game Pass, crossplay: jogar nunca foi tão fácil e instantâneo. Só que o outro lado disso é um gigantesco desafio para a indústria. Uma partida rápida de Call of Duty Mobile rouba minutos do console; ver o streamer zerar o jogo substitui a campanha single-player; e rolar Genshin no metrô encurta a sessão de PS5 em casa. O consumo virou fast-food. A indústria correu atrás, e ainda está ofegante.



Por que diabos os jogos AAA continuam caríssimos?

Muita gente pergunta: “Se Kingdom Come, Clair Obscur: Expedition 33, A Plague Tale e GreedFall entregam experiências incríveis gastando menos, por que as gigantes insistem em projetos de 1 bilhão de dólares?” A resposta é simples: jogos AAA viraram os carros de luxo da indústria.
  • Carro premium: precisa de design futurista, 18 câmeras, piloto automático e couro de baleia chinesa para justificar o preço.
  • Carro popular: dane-se o hype, o povo quer algo que ande, custe pouco e não quebre.Jogos AAA são a mesma coisa. O marketing exige ray tracing que reflete até a alma do personagem, mundo aberto do tamanho da América Latina, captura facial de cinema. 

Se lançar algo “apenas bom”, a galera grita “ultrapassado”, e o Twitter queima o estúdio. Quantas vezes já vimos isso acontecer? Sim, no caso do Sonic ajudou, mas “a exceção faz a regra”, como já dizia alguém. Já os jogos AA apostam no que realmente importa: história boa, direção de arte marcante, mecânicas sólidas e identidade própria. Custam menos, saem mais rápido e, muitas vezes, entregam experiências mais memoráveis que um blockbuster ou multyplayer genérico. Não é, Concord?



Por que o preço não baixa nunca?

Cinco motivos rápidos:
  • Gráficos fotorealistas exigem exércitos de artistas;
  • Ciclos de desenvolvimento de 5–7 anos;
  • Campanhas de marketing dignas de Hollywood;
  • Versões para várias plataformas diferentes;
  • A internet exige “perfeição” ou cancela o jogo no dia do lançamento.

Resultado? Custo lá em cima, mas o tempo livre do público lá embaixo. Como convencer alguém a pagar R$ 400 se o TikTok diverte de graça em 15 segundos?



A Microsoft só falou o que todo mundo já sentia

Concorde você ou não, a fala do Xbox não é exagero: é um diagnóstico impopular. Os jogos AAA ficaram caros demais, estúdios menores estão comendo pela beirada com mais liberdade criativa, e a atenção do público virou o recurso mais valioso do planeta. A nova guerra dos consoles não é mais entre consoles. É entre todas as formas de entretenimento digital. E, pelo visto, quem sacou isso primeiro, e teve coragem de falar em voz alta, foi exatamente o pessoal do Xbox.

Revisão:Mariana Marçal
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Windsor Santos
Jogadorino desde os áureos anos 90, geralmente surpreende amigos com a quantidade de títulos que já finalizou. Divide o amor por games com seus mangás, Hq's e filhotes. Agora seu objetivo é registar seus conhecimentos para as novas gerações de jogadores.
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