Para quem curte puzzles e cozy games, mas não esperava um título que misturasse os dois gêneros, Shroomtopia vem para trazer uma abordagem mais leve para quem gosta de resolver enigma sem pressa… e com cogumelos.
Cogumelos azuis, vermelhos, amarelos e de outras cores também
Temos uma pequena narrativa que traz um explorador que está estudando este fascinante lugar chamado Shroomtopia. Ele deve mover blocos hexagonais do solo para cima e para baixo, para que o néctar chegue até os cogumelos e os faça florescer. Entretanto, isso só dá certo quando o néctar e o cogumelo tem a mesma cor.
As coisas começam simples, para ensinar aos jogadores a lógica do jogo: quando o solo possuir pedrinhas, ele não florescerá, mas poderá ser movido; agora se ele tiver uma placa, ele poderá ser cultivado, mas sem ter sua posição alterada. Outro elemento chave de Shroomtopia é o uso das cores.
Sempre haverá uma ou mais poças com néctares coloridos, nas cores primárias (amarelo, azul e vermelho) e secundárias (laranja, roxo e verde). Logo, faz parte da resolução dos cenários misturar néctares de diferentes cores para cultivar os cogumelos correspondentes, mas além de fazer as combinações de cores primárias, do jeitinho que aprendemos na escola, também é possível reverter o processo.
Por exemplo, se misturarmos laranja com verde, deixamos o néctar amarelo, que é a cor primária comum às duas. Entretanto, é necessário atenção com as cores. Se deixamos uma cor primária encontrar uma cor secundária, nada predomina e obtemos uma dispensável água sem magia nenhuma e isso nos leva a recomeçar a fase.
Esses são os elementos principais que encontramos nos 75 níveis, divididos entre cinco ilhas temáticas. À medida que avançamos, novos elementos são adicionados, conferindo mais algumas camadas de dificuldade, como os totens, que fazem pisos específicos subirem, e os portais, que transportam o néctar para pontos distantes do cenário.
A funcionalidade dos objetos é fácil de aprender e os movimentos são controlados com o direcional esquerdo, como se guiássemos um mouse pela tela. Entretanto, em alguns momentos é um pouco confuso determinar por onde o néctar vai escorrer ao abaixarmos um trecho do terreno, e isso pode resultar nele se esvaindo para longe do nosso objetivo.
Por mais que seja possível desfazer o movimento mais recente com o toque de um botão, em algumas fases parece que a resolução do desafio vira mais uma adivinhação na base da tentativa e erro do que entender o passo a passo para concluir o estágio.
Seria benéfico se houvesse alguma opção de mudar a câmera, pois nas fases finais de cada ilha é normal ficar perdido com alguns pontos cegos. Logo, mudar o ângulo de vista poderia ser um recurso bastante útil. Ainda assim, esse problema não impede que os jogadores mais astutos concluam todos os cenários de Shroomtopia em pouco mais de uma hora.
E, para os caçadores de troféus de platina, tenho uma má notícia. Pode ocorrer um pequeno problema com um troféu específico, que envolve retornar uma poça de néctar à sua cor original. Mesmo realizando o procedimento necessário, ele pode não ser liberado de primeira e o jogador será obrigado a apagar seu progresso e começar de novo para desbloqueá-lo.
Por fim, um adicional interessante é que, se você já tiver terminado o jogo, mas ainda quiser desafios novos, é possível criar sua própria fase e disponibilizá-la para a comunidade. Misture todas as cores e desafios na paisagem que bem entender. Isso cria um fator replay praticamente sem fim e até um outro tipo de objetivo para a comunidade, que tem as ferramentas para fazer cenários mais complexos.
Sem pressa e com charme
O charme de Shroomtopia está na calmaria que ele evoca com a sua trilha sonora e visual fofinho. A trilha sonora branda ajuda quem está no controle a não se irritar ou se frustrar ao errar um nível, como se estivéssemos fazendo um trabalho de reconhecimento que requer bastante calma. Inclusive, podemos escolher qual fase da ilha que iremos jogar, podendo ir de uma a outra e depois voltar sem problema nenhum.
As ilhas trazem temas como Velho Oeste, Japão e Círculo Polar Ártico, mas eles não influenciam na ação em primeiro plano. Isso poderia ser melhor aproveitado no visual dos pisos hexagonais ou até mesmo dos cogumelos, que ganham carinhas e formas diferentes depois que crescem.
No fim, por mais que o jogo tenha todo esse foco no uso das cores, elas não têm tons fortes e vibrantes. Foram usando tons mais claros, que se tornam mais aconchegantes e menos impactantes para quem quer só um passatempo sem pressa.
Um passatempo leve
Shroomtopia até dá uma deslizada estrutural, mas seu bom conjunto de desafios tem tudo para agradar tanto os apressados quanto aqueles que gostam de fazer as coisas com calma, curtindo cada momento do quebra-cabeça. A parte de criar sua própria fase também vai muito bem, aumentando o fator replay do jogo ao mesmo tempo que cria engajamento do público, que vai se dedicar não somente a completar tudo, mas também a mostrar seus próprios mapas.
Prós
- 75 fases com desafios variados e elaborados;
- Uma mistura bem feita de quebra-cabeças com cozy game, que em nenhum momento apressa o jogador a concluir tudo de uma vez;
- Trilha sonora tranquila que combina bem com a ambientação;
- Editor de fases para quem quer criar desafios mais complexos.
Contras
- Em alguns momentos, há pontos cegos que não nos deixam ver direito para onde o néctar vai escorrer;
- Problema com um troféu que não desbloqueia de primeira e pode fazer o jogador deletar seu progresso e começar de novo para ser conquistado.
Shroomtopia — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: PS5
Revisor: Beatriz Castro
Análise feita com cópia digital cedida pela QUByte Interactive











