Análise: Windswept é uma bela e desafiadora homenagem aos platformers noventistas

Um jogo de plataforma que aposta na nostalgia e te fisga na jogabilidade, mas não consegue criar uma identidade própria.

em 15/11/2025
Se você é um gamer com mais de 30 anos, Windswept deve te conquistar logo de início. A arte retrô, a jogabilidade de plataforma e a clara inspiração em clássicos como Donkey Kong Country fazem o título da WeatherFell soar como uma verdadeira carta de amor ao gênero. É uma experiência essencial para os veteranos dos games — como este que vos escreve.

O que o vento separou, o destino juntou

Nesta aventura, somos apresentados a Marbles e Checkers, um pato e uma tartaruga que foram arrastados por uma tempestade e acabaram se encontrando após o ocorrido. Juntos, eles precisam unir suas habilidades em uma longa e desafiadora jornada para reencontrar suas famílias, atravessando diversas regiões e enfrentando inúmeros perigos pelo caminho.

A ave e o pequeno réptil possuem habilidades bem distintas. Marbles, o simpático patinho, pode girar para atacar inimigos e ganhar velocidade. No ar, usa as asas para reduzir a queda e alcançar pontos mais distantes.

Checkers, a tartaruguinha, pode entrar no casco e rodopiar para atacar alguns inimigos. Também executa um ataque para baixo quando está no ar, útil contra adversários posicionados abaixo ou para acessar certas áreas.

Quando estão juntos, realizam movimentos combinados úteis tanto para ataque quanto para mobilidade. Marbles pode lançar Checkers como um projétil para atingir inimigos ou pegar itens em locais distantes, além de usá-lo como plataforma para saltos que não conseguiria fazer sozinho. Já Checkers pode usar o amigo para alcançar pontos mais altos, arremessando-o para cima como uma bola.

A dinâmica de Windswept segue o estilo dos jogos de plataforma da década de 1990, como Super Mario World e, principalmente, Donkey Kong Country 2, de onde o título tira grande parte de sua inspiração. Cada fase traz coletáveis necessários para aumentar a taxa de completude: moedas, luas e nuvens usadas para comprar itens de galeria, adquirir dicas para encontrar colecionáveis e desbloquear níveis especiais com dificuldade elevada.

Assim como no clássico da Rare para o Super Nintendo, Marbles e Checkers precisam encontrar áreas bônus em cada fase. Ao concluí-las seguindo regras específicas — como coletar todos os itens ou derrotar todos os inimigos — recebem as luas correspondentes.

No total, são pouco mais de 40 fases com diversos segredos para descobrir e desafios cada vez mais exigentes, acompanhando a jornada de retorno dos dois amigos por um mundo colorido, vibrante e, em muitos momentos, implacável.

Um rostinho bonito que engana

Donkey Kong Country é um jogo excelente, assim como suas continuações Diddy’s Kong Quest e Dixie Kong’s Double Trouble. Quem teve contato com essa trilogia magnífica do Super Nintendo sabe que são títulos tão excelentes quanto desafiadores.


Em Windswept, encontramos uma experiência que explora intensamente o aspecto desafiador. A primeira fase funciona como um tutorial, inteiramente pensada para ensinar ao jogador tudo o que precisa saber sobre jogabilidade e mecânicas. A partir daí, ele segue por conta própria para ajudar a dupla em sua aventura.

A jornada apresenta altos e baixos. Cada nível traz alguma novidade — um animal para montar, uma rota vertical ou subaquática, ou um inimigo que exige mais estratégia — mas a dificuldade acentuada do jogo pode gerar frustração. São várias tentativas para vencer determinados trechos, seja por um salto mal calculado ou pela aparição repentina de um inimigo.

Terminar o primeiro mundo foi mais difícil do que imaginei, o que me deixou atento ao que viria pela frente e ao aumento do nível de exigência. Pensando nisso, a equipe de desenvolvimento adicionou modificadores no menu de opções para deixar o jogo mais fácil ou ainda mais complicado, caso o jogador queira um desafio extremo.

Entre as opções estão: mais checkpoints, invencibilidade, pulos infinitos, pular fases e até modificadores projetados para dificultar a experiência ao máximo, como desativar checkpoints e as bolhas que recuperam o parceiro — equivalentes aos barris DK — além de um modo em que o jogador morre ao coletar uma moeda. Há até uma conquista que exige terminar a campanha sem pegar nenhuma.


Mesmo assim, o desafio padrão, apesar de elevado, é administrável. Os ajustes ficam a critério do jogador, que pode tornar a jornada da dupla mais tranquila ou caoticamente exigente.

Windswept acerta ao apostar no saudosismo, oferecendo uma apresentação charmosa e uma jogabilidade viciante e trilha sonora envolvente, apesar da dificuldade elevada. No entanto, a inspiração em DKC é tão forte que o jogo raramente mostra uma identidade própria.

Algumas fases e elementos — como os barris de disparo e até uma área claramente inspirada em Bramble Blast — deixam evidente que a inspiração quase se tornou imitação. Em vez de recomendar “aquele jogo do patinho e da tartaruga”, muitos acabarão se referindo a ele como o “Donkey Kong do patinho”. Ainda assim, é um excelente jogo de plataforma moderno e boa recomendação do gênero para quem busca esse tipo de experiência.



Só faltou poder soprar o cartucho

Windswept é um jogo que abraça seu DNA retrô com orgulho, oferecendo uma aventura desafiadora e cheia de personalidade. Embora beba — de goladas — diretamente da fonte de Donkey Kong Country 2, o título entrega momentos envolventes, fases criativas e uma dupla de protagonistas carismática, garantindo diversão para quem aprecia jogos de plataforma exigentes.

Apesar da inspiração excessiva que limita sua identidade, Windswept entrega uma experiência sólida, caprichada e capaz de conquistar tanto veteranos quanto novos jogadores dentro do gênero que dominou uma geração.

Prós

  • Jogabilidade divertida;
  • Apresentação geral é charmosa e aconchegante;
  • Dupla de protagonistas com habilidades complementares cria uma dinâmica de gameplay interessante;
  • Boa variedade de fases e desafios;
  • Alto valor de rejogabilidade com modificadores de dificuldade e colecionáveis para obter.

Contras

  • Forte dependência das dinâmicas de Donkey Kong Country, prejudicando o desenvolvimento de uma identidade própria;
  • Alguns picos de dificuldade e repetição excessiva de trechos podem gerar frustração.
WindSwept — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Top Hat Studios
OpenCritic
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Alexandre Galvão
Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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