Final Fantasy XVI é um bom Final Fantasy?

O 16º título da franquia não alcançou todos os corações, mas, com certeza, conquistou alguns novos.

em 24/08/2025

Aclamado pela crítica como uma das melhores experiências de 2023, Final Fantasy XVI impressiona com sua narrativa épica e madura, recheada de intrigas políticas, personagens marcantes e produção técnica de ponta. Ainda assim, a recepção foi dividida. O tom sombrio, a simplificação de elementos clássicos de RPG, a estrutura linear e as missões secundárias repetitivas foram apontados como pontos fracos; mudanças que, para muitos fãs, representaram um distanciamento das convenções mais queridas da série.

O que é um “bom” Final Fantasy?

Definir o que torna um jogo da série um “bom Final Fantasy” nunca foi simples. A franquia é marcada por mudanças radicais a cada título principal: novos mundos, novos personagens, novos sistemas de combate. Essa constante reinvenção faz com que o que é considerado essencial varie bastante de fã para fã. Ainda assim, ao longo de décadas, certos elementos se consolidaram como pilares da identidade da série.

O primeiro deles é a narrativa. Um Final Fantasy “bom” quase sempre é lembrado por contar uma história épica, com personagens cativantes e temas universais que dialogam com diferentes gerações: amizade, guerra, sacrifício, amor e redenção. É essa combinação de escala grandiosa e drama humano que garante impacto emocional, fazendo com que cada capítulo seja lembrado muito além de suas mecânicas.


Outro aspecto fundamental é a capacidade de equilibrar tradição e inovação. A série sempre trouxe mecânicas novas: sistemas de jobs, Active Time Battle, ou até mudanças completas na estrutura de combate, mas nunca deixando de lado símbolos reconhecíveis. Summons, cristais, magias icônicas e um elenco de monstros familiares atuam como pontos de referência que ajudam a manter a identidade, mesmo que a jogabilidade varie sempre.

Por fim, um “bom” Final Fantasy carrega a identidade única da franquia: uma mistura de drama e leveza, fantasia grandiosa e momentos triviais, acompanhados de elementos icônicos como Chocobos, Moogles e Cid. Essa variedade no tom, que vai do épico ao cômico, do sombrio ao encantador, é o que faz a série se diferenciar de outros RPGs. Sem ela, corre-se o risco de perder a essência e a versatilidade que marcaram tantas gerações de jogadores.


Ousado e divisivo

Final Fantasy XVI foi aclamado pela crítica como uma das melhores experiências de 2023. Sua narrativa madura, politicamente carregada e cinematográfica é sustentada por personagens fortes, como Clive e Cid, e uma produção técnica de alto nível, com gráficos impressionantes, trilha sonora grandiosa e direção de arte que constrói um mundo de dark fantasy crível e envolvente. O sistema de combate, sob direção de Ryota Suzuki, foi outro grande destaque, unindo acessibilidade e espetáculo a uma boa dose de profundidade, especialmente nas batalhas entre Eikons.

No entanto, as escolhas criativas também dividiram os fãs. A simplificação dos elementos de RPG, a progressão linear e a ausência de um grupo controlável foram vistas como perdas de profundidade em comparação aos títulos anteriores. As missões secundárias, muitas vezes genéricas, e o foco quase exclusivo na ação em tempo real reforçaram esse distanciamento.



Outro ponto de debate é o tom narrativo. Ao abraçar uma estética de dark fantasy quase absoluta, o jogo reduziu o humor e a leveza que marcaram grande parte da franquia, deixando de lado elementos icônicos como os Moogles em favor da seriedade. Para parte da base de fãs, essa decisão significou perder um pouco da identidade que sempre diferenciou Final Fantasy de outras séries.

Ainda assim, o impacto de Final Fantasy XVI é inegável. Ele representa um marco de ousadia criativa, mostrando que a franquia ainda é capaz de se reinventar e dialogar com novas gerações de jogadores. Se essa direção será abraçada ou revista nos próximos capítulos, só o tempo dirá, mas o jogo já estabeleceu sua posição como um divisor de águas na história da série.


Final Fantasy morreu?

A cada grande mudança, sempre surge a afirmação: “Final Fantasy acabou!”. Para alguns, a série terminou no VI, quando os sistemas clássicos de 8 e 16 bits ficaram para trás. Para outros, foi no X, o último grande tributo às batalhas por turno. Há quem diga que o XII, com sua estrutura política densa e sistema de combate inovador, já não parecia Final Fantasy.


Essa tendência acompanha a franquia desde sempre: cada reinvenção radical gera resistência, mas também abre caminho para novas gerações de fãs. Final Fantasy XVI se encaixa exatamente nesse ciclo. Sua decisão de abraçar um tom sombrio e integrar temas políticos de forma grandiosa mostra confiança em uma direção clara e artisticamente coesa.

Para os fãs que valorizam a customização profunda, a gestão de um grupo de personagens, a exploração mais livre e a leveza tonal de capítulos anteriores, este título pode soar como um afastamento radical. A perda desse equilíbrio entre drama e fantasia vibrante é, sem dúvida, o ponto mais controverso de sua identidade.



Enfim, Final Fantasy XVI é um “bom” Final Fantasy?

No fim das contas, Final Fantasy XVI é sim um bom Final Fantasy, ainda que não para todos. Ele honra o legado da série ao oferecer uma narrativa envolvente, personagens memoráveis e uma produção técnica de ponta, ao mesmo tempo em que ousa mudar de forma radical, apostando em ação e maturidade como poucas vezes se viu na franquia.

Se para alguns isso significa o afastamento de tradições queridas, para outros representa exatamente o espírito da série: a coragem de se reinventar e provar, mais uma vez, que Final Fantasy nunca morre, apenas se transforma.


Revisão: Ives Boitano
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Matheus Bigai Ferreira
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