Entrevista

gamescom latam 2024: conversamos com Andy Kniaz e Belia Portillo, da Jackbox Games

A partir de agora, os jogos da franquia Jackbox Party começarão a incluir perguntas sobre o Brasil em seus conteúdos.

Em meio os stands da gamescom, a Jackbox Games marcou presença com uma amostra modesta, mas bastante divertida de dois jogos: Jackboc Party 10 e Jackbox Party Starter. Apesar de serem jogos que já haviam sido lançados em anos anteriores, o diferencial dessa vez foi que a exibição serviu para que o público pudesse jogá-los em português, algo até então inédito para a franquia de uma década de vida.

Os moderadores jogavam as perguntas na tela e o público interagia em um lobby que podia ser acessado pelo celular. A sala comportava até oito jogadores, e quem não entrasse a tempo também podia ingressar na partida como expectador, podendo votar nos jogadores com as respostas mais criativas. Qualquer pessoa que estivesse no evento poderia fazer parte da jogatina e se divertir em grupo, de maneira rápida e simples com seu aparelho.

Para falar um pouco mais dos próximos planos que a empresa tem traçados, inclusive o Brasil, o GameBlast teve a oportunidade de conversar com Andy Kniaz e Belia Portillo, Vice-Presidente Internacional e Gerente de Marketing Global da Jackbox Games, respectivamente. 

GameBlast — De onde surgiu a motivação para olhar para o público brasileiro e trazer o nosso ambiente para o Jackbox Party?

Andy Kniaz — Bom, nós lançamos jogos em inglês ao redor do mundo por distribuição digital para que você possa jogá-los em qualquer lugar. A Jackbox começou com os seus jogos antes de 2020 (2014) e todos nossos jogos eram em inglês. O Brasil pode não ser o país mais fluente em inglês do mundo, mas nós ainda tivemos uma parte das vendas vindas dele. Mesmo aquelas pessoas que falam inglês tinham amigos que não podiam jogar , e nossos jogos foram feitos para todos jogarem juntos.

Então nós olhamos para esse mercado e percebemos que precisávamos trazer jogos em português para ele se quiséssemos ter o sucesso que planejávamos. É um dos dez maiores mercados de games do mundo. Então, o fato de percebermos que não é um país fluente em inglês como os Estados Unidos, onde as pessoas só falam inglês, a menos que você venha de uma família de imigrantes. As pessoas aqui (Brasil) só falam português, então o objetivo era trazer o nosso humor para este mercado, e a única maneira de fazer isso era globalizando nosso jogo.

GB — Como foi o processo de localizar os jogos da Jackbox para o nosso contexto aqui do Brasil?

Andy — 80% do conteúdo dos nossos jogos é universal. Há questões sobre Ariana Grande, Marvel, coisas que qualquer pessoa pode responder. Você sabe que a Torre Eiffel é em Paris, por exemplo, certo? 20% do conteúdo é específico para os Estados Unidos, então nós retiramos essa parte e colocamos coisas específicas do Brasil e trabalhamos com times muito talentosos do país. Foi tudo escrito de uma perspectiva brasileira e eles realmente nos ajudaram a definir quais das perguntas do contexto americano que funcionariam aqui e quais não. Nós realmente os usamos de referência para definir coisas como “você entende isso?” ou “uma pessoa comum de São Paulo ou do Rio de Janeiro entenderia isso?”. Então nós basicamente usamos boas métricas e conseguimos estabelecer um padrão de qualidade bem alto ao trabalhar com várias pessoas talentosas.

GB — Há planos para que os próximos jogos da série Jackbox Party já venham com o português desde o lançamento?

Andy — Sim, totalmente. Nós assumimos o compromisso com este novo mercado e nós não só iremos nossos próximos jogos em português, mas eles estarão disponíveis em ambos os idiomas (junto com inglês) no mesmo dia, para que streamers que falam português, por exemplo, tenham a mesma oportunidade de mostrar o jogo para o mundo que os streamers que falam inglês. É muito importante para o nosso time fazer algo assim, então nós assumimos o compromisso de fazer isso para os próximos jogos.

E também, a pedido do público, traremos versões mais maduras dos nossos jogos, algo com classificação M* no ESRB, ou 16 anos em outros lugares. Serão jogos com perguntas um pouco mais atrevidas e nós ainda não anunciamos, mas serão três jogos que serão lançados ainda este ano e em português. De agora em diante, praticamente tudo que fizermos incluirá o Brasil, que é um grande mercado.
*Nota do redator: O ESRB é o sistema de classificação etária utilizado para jogos em todo território da América do Norte. A classificação M é referente a Mature, que equivale ao público acima dos 17 anos e são jogos que podem ter em seu conteúdo violência intensa com muito sangue, consumo de drogas ou álcool, temas sexuais fortes, nudez e/ou linguagens chulas e/ou eróticas. Alguns exemplos são a série Grand Theft Auto, Call of Duty e God of War.
GB — Para finalizar, há planos de atualizar os jogos anteriores para incluir o nosso idioma?

Andy — Em primeiro lugar, é ótimo ouvir essa pergunta, pois significa que há interesse, e isso é fantástico! Eu acho que isto cabe ao público brasileiro. Se as pessoas comprarem nossos jogos e nós vermos que há interesse, escutarmos nosso público e ver que há incentivo o bastante, com certeza.

Na verdade, o Jackbox Party Starter que nós trouxemos (para a gamescom), acaba casando com o timing da recente localização do Jackbox Party Pack 10 (lançado originalmente ano passado). E aí voltamos para este outro produto que nós consideramos ser perfeito para este mercado, fizemos a localização, e ao mesmo tempo temos outro título que sairá este ano já em português. Nós definitivamente voltamos para um produto valioso e colocamos na mistura de lançamentos assim que foi possível.

Agradecemos a participação de Jeane Motira, da Theogames, pela ajuda na tradução das perguntas.

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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