Blast from the Past

Resident Evil: Operation Raccoon City (Multi) — uma experiência cooperativa de tirar o fôlego

Relembre o auge das campanhas cooperativas e como Resident Evil surfou nessa onda.



Resident Evil já conta com mais de trinta lançamentos para diversos consoles em seus quase 30 anos de existência. Durante sua história, a série tentou se reinventar várias vezes, apostando em ideias que eram populares na época. É fato que algumas dessas ideias nunca foram bem recebidas pelos fãs, já outras conseguiram ser interessantes a ponto de chamar a atenção. Em uma época em que as campanhas cooperativas eram moda, Resident Evil: Operation Raccoon City, lançado para Xbox 360, PlayStation 3 e PC, foi uma dessas ideias.

O auge do cooperativo

Após o lançamento de Gears of War em 2006, uma nova tendência de jogos focados em campanhas cooperativas surgiu. Ao invés dos clássicos modos online nos quais os jogadores competiam para conseguir a maior pontuação, aqui eles precisavam trabalhar juntos para alcançar um objetivo em comum.

A primeira tentativa de implementar essa ideia na franquia Resident Evil veio em 2009, com Resident Evil 5. Apesar de não ser o favorito dos fãs mais ferrenhos, ele conseguiu se tornar um dos jogos mais vendidos da série, justamente pelo seu ótimo modo online. Nos anos seguintes, os próximos lançamentos como Resident Evil 6 continuaram focando ainda mais na cooperação entre os jogadores, mas sem conseguir o mesmo sucesso.


Foi então que em 2012 a desenvolvedora canadense Slant Six Games — que já havia trabalhado na franquia de guerra SOCOM — resolveu aperfeiçoar essa ideia com uma experiência que se assemelhasse aos jogos que já havia produzido, mas dessa vez trocando os soldados por zumbis em uma cidade devastada.

A mesma história com pontos de vistas diferentes

Apesar de contar uma história já conhecida, Operation Raccoon City funciona como uma reimaginação dos acontecimentos da série. Muitos personagens icônicos como Leon, Claire e Ada fazem uma ponta durante a aventura, mas não sendo o foco dela, já que essa história não é sobre os mocinhos que conhecemos, mas, sim, os grandes vilões da Umbrella.

Para cuidar dessa missão, um time de elite conhecido como USS (Umbrella Security Service) é enviado até Raccoon City para eliminar qualquer prova que possa ligar os incidentes na cidade ao nome da gigante farmacêutica. Cada um dos seis integrantes da USS conta com arsenais de ponta e habilidades únicas que os ajudarão contra os perigos da cidade.


São justamente essas habilidades que fazem o carisma dos personagens. Em campo, cada um tem uma função específica e para ter êxito todos precisam trabalhar juntos.

Mas a missão da USS não será tão simples quanto imaginavam. Em contraponto aos seus interesses, na tentativa de obter provas que revelassem o que realmente aconteceu na cidade e tentar salvar o máximo de civis possíveis está o esquadrão Echo Six, composto pelos seis melhores soldados do exército americano. Começa então uma batalha contra o tempo, com os dois times tentando concluir suas missões antes que Raccoon City seja dizimada por completo.

Por se tratar de uma reimaginação, toda a história narrada aqui não conta para o desenrolar da franquia. Ela funciona como uma compilação dos melhores momentos da série para você se divertir com seus amigos, já que juntos vocês terão que enfrentar diversos inimigos icônicos como o Nêmesis, Mister X e William Birkin.


Um jogo de tiro competente

Operation Raccoon City está longe de ser um dos melhores jogos de tiro já feitos, mas faz o mínimo de forma decente. Com a mesma base de Gears of War, ele segue como um jogo de tiro em terceira pessoa de se esconder atrás do murinho.

Apesar de terem seis personagens disponíveis em cada esquadrão, é possível jogar com apenas quatro por vez, podendo customizar seus armamentos, habilidades e aparência. Durante as fases, os personagens acumulam pontos de experiência que podem ser usados para aprimorar ainda mais suas habilidades.

Por ser uma experiência pensada para o cooperativo, pode ser um pouco frustrante para os que quiserem experimentar o modo solo, já que os inimigos precisam de muitos tiros para cair e a inteligência artificial não é das melhores. Por vezes, os seus companheiros não te ajudam durante as batalhas, deixando você sozinho contra uma horda de inimigos enquanto assistem a você sofrer.


Alguns pequenos bugs também podem atrapalhar um pouco a experiência, como inimigos presos dentro de paredes ou invencíveis, objetivos que nunca aparecem, companheiros que ficam presos no cenário, armas que param de atirar por algum motivo, etc. Apesar de não serem tão frequentes, esses bugs eventualmente podem te forçar a reiniciar uma fase.

Mas os problemas técnicos não ofuscam o brilho do jogo que conta com fases dinâmicas, desafiadoras e cheias de ação. Inimigos clássicos como Hunters e Lickers darão bastante trabalho ao seu esquadrão, forçando você e seus companheiros a pensarem em diferentes estratégias e usarem as habilidades especiais de cada personagem de forma inteligente.

A comunicação entre os jogadores é fundamental para o sucesso nas missões, já que o número elevado de inimigos fará com que nenhum canto dos cenários seja seguro. Cada um precisa saber o seu papel em campo e exercê-lo da melhor forma possível, seja você um médico, tanque, engenheiro ou especialista em infiltração.

Uma ideia que não vingou

Mesmo tentando diversas vezes, Resident Evil nunca conseguiu um espaço no hall da fama dos jogos online, e apesar de divertido, Operation Raccoon City acabou não caindo nas graças do público, resultando em um baixo número de vendas e um abandono gradativo do online na série que só tentaria novamente anos depois com experiências não tão legais como Resistance e Re:Verse.

Apesar de relativamente antigo, ele mantém seus servidores abertos e pode ser jogado online ainda nos dias de hoje, sendo um dos jogos disponíveis através da retrocompatibilidade do Xbox. Porém, no PC, ele foi removido das lojas por problemas de incompatibilidade com os sistemas modernos.

Se você está em busca de um bom jogo cooperativo para aproveitar o fim de semana com os amigos, vale dar uma chance para este jogo que raramente é citado, mas sempre consegue divertir.

Revisão: Vitor Tibério


Um “arqueólogo de games” que adora falar das gemas ocultas do mundo dos jogos, tem o PS3 como console favorito e ama um bom hack and slash. Mesmo apreciando os jogos modernos, não dispensa uma boa velharia obscura do tempo que videogame era movido à lenha. Segue o pai.
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