Blast from the Past

Spider-Man (2000): o jogo que iniciou a era moderna do Homem-Aranha nos consoles

A primeira aventura em 3D do cabeça de teia se tornou um clássico rapidamente.


Foi no ano de 2000, prestes à virada do milênio, que a Neversoft ficou responsável por lançar um jogo que dividiria o mundo dos games do Homem-Aranha. Sendo o primeiro jogo do aracnídeo em 3D, Spider-man foi lançado para PlayStation, Nintendo 64, Dreamcast e PC, além de uma versão para GameBoy Color.

Spider-Man foi desenvolvido logo após a empresa lançar Tony Hawk’s Pro Skater, utilizando a mesma engine do jogo de skate. Isso rendeu até uma participação do super-herói no segundo jogo da franquia, Tony Hawk’s Pro Skater 2.


Sendo dividido por fases, o jogo capta bem o carisma e alegria do fim dos anos 90, inspirado muito pela série animada de 1994. O cocriador do personagem e grande estrela dos quadrinhos, Stan Lee, narra o começo de cada fase, contextualizando qual será a próxima empreitada.

Na pele do Homem-Aranha

Era de se esperar que o primeiro jogo em 3D do cabeça de teia tivesse seus problemas. Mas, surpreendentemente ou não, não foi o que aconteceu. A Neversoft soube trabalhar muito bem as novidades e desafios que as três dimensões traziam, ainda mais em uma época que jogos de plataforma e de ação amadureciam ainda neste mundo. Talvez a única menção clara de melhoria seja em relação à câmera que, como em diversos outros games da geração, tinha seus problemas para enquadrar da melhor maneira.

 A movimentação do personagem é intuitiva, seja andando, grudando em paredes ou balançando por teias por aí. Aliás, o sistema para “flutuar” com as teias já foi criado de maneira quase perfeita, longe dos cálculos avançados que temos hoje em dia, e era possível sentir muito bem que o disparo de teias funcionava. O lado complicado é que era preciso pular já na direção para a qual queria se movimentar, sem poder mudar de direção no ar. Isso talvez não afete tanto, afinal é impossível controlar a câmera, então o jogador acaba se adaptando.

 O sistema de combate era simples, mas assim como vários outros elementos, serviu de base para diversos outros jogos da franquia. Um botão de pulo, um para atirar teias, um para dar socos  e outro para dar chutes e interagir com o ambiente (no geral, levantar e jogar itens como caixas nos inimigos). Além disso, as teias serviam também para ataques especiais, como aumentar o dano dos socos do Aranha ao criar luvas de teias em volta das mãos, um casulo que o protegia de ataques e, logo na sequência, explodia, causando dano. Por fim, um “hadouken” de teia podia ser usado para dar mais dano à distância.

Uma HQ animada

O jogo não se envergonhou em se inspirar nos quadrinhos do Homem-Aranha. A cada início de fase, há uma capa do que poderia ser um número real lançado pela Marvel, referente ao que vai se desenrolar nos minutos seguintes.

A história do jogo também é agradável e, mesmo sem ser nada de muito inovador, foi capaz de manter os jogadores entretidos. Ela traz, inclusive, uma explicação do porquê o super-herói não pode descer e andar pelas ruas de Nova York. Ou seja, uma limitação técnica foi justificada pela história contada (para saber: Dr. Octopus liberou um gás tóxico que se espalhou pelas ruas da cidade).

 O tradicional montante de vilões aparece no jogo. É muito comum em diversas histórias do Aranha (sejam HQs, animações, filmes, etc) que mais de um inimigo apareça e até se unam para combater Peter Parker. Aqui temos Venom, Lizard, Dr. Octopus, Carnage, Rhino, Scorpion e Mysterio como bosses.

Venom é um destaque à parte. Existe uma relação de frenemies entre os dois. No começo, ele é aquele vilão capaz de despertar a ira do jogador, mas aos poucos ele vai se mostrando divertido e até trabalha junto com o amigo da vizinhança a partir de um momento do jogo.

 Ao longo das fases, pequenas HQs colecionáveis estão escondidas, incentivando a exploração dos mapas. Diversos uniformes alternativos estão disponíveis conforme mais HQs são coletadas. Diversos clássicos aparecem como opção, alguns deles trazendo poderes específicos, como Spider-Man 2099, Symbiote, Captain Universe, Scarlet Spider entre diversos outros.

 Por fim, o jogo ainda consegue prender o jogador por mais tempo, ao trazer diversos modos de jogo como Time Attack, Survival ou Training Mode. Além de uma galeria para ver todos os vídeos da história, imagens conceituais e HQs coletadas.

O início do legado

Spider-Man foi bem recebido por crítica e público. Possui uma média em torno dos 75/100 no Metacritic considerando todas as suas versões. A nota mais alta ficou com a versão do PlayStation, com 87.

 O jogo figura entre o top 50 dos games mais vendidos do console da Sony, chegou até a receber um disco de platina por mais de 300 mil cópias vendidas no Reino Unido.

O sucesso foi tanto que gerou uma sequência direta, Spider-Man 2: Enter Electro, lançada apenas um ano depois de Spider-Man.

Revisão: Beatriz Castro



Jornalista, Técnico no papel, engenheiro não praticante e mestre Pokémon nas horas vagas. Passa 80% do tempo falando de games. Nos outros 20% torce para alguém falar sobre games, só para poder falar mais um pouco.
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