Darkstalkers: The Night Warriors: 30 anos do primeiro embate entre os monstros da Capcom

O primeiro jogo de luta pensado para a placa CPS-2 continua sendo um dos mais belos e criativos trabalhos da era de ouro do gênero.

Para os jogos de luta, o ano de 1994 é um dos mais importantes para a evolução do gênero. Além de sequências ainda melhores para títulos revolucionários, como Virtua Fighter 2 e Samurai Shodown II, diversas franquias começaram a nascer a partir desse ano, como Tekken, The King of Fighters e Killer Instinct.


A Capcom, já consagrada como a rainha dos fighting games devido à revolução de Street Fighter II, começou a explorar outras propriedades intelectuais. Com a placa Capcom Play System II (CPS-2), uma ideia diferente começou a ser desenvolvida para aproveitar os benefícios do novo hardware e um conceito ainda não explorado: lutas entre monstros de diversos tipos, como vampiros, súcubos, lobisomens e outros seres das trevas. Assim foi lançado Darkstalkers: The Night Warriors.

Fruto de uma (provável) recusa

A origem de Darkstalkers é um tanto conflitante, devido a dois pontos de vista. O primeiro envolve o diretor de arte do jogo, Akira Yasuda, que disse que a ideia de um jogo de luta com monstros surgiu durante uma sessão de brainstorming entre os desenvolvedores, quando alguém sugeriu a criação de um jogo de luta com monstros japoneses.

O segundo ponto de vista é relatado por Alex Jimenez, produtor da divisão norte-americana da Capcom, que ficou interessado em um jogo de luta com os monstros da Universal. Ele tentou obter a licença, mas após ser recusado, decidiu desenvolver a própria ideia e enviá-la para a divisão de desenvolvimento, que aprovou a iniciativa.

Após diversos planejamentos, Darkstalkers tomou forma como um jogo de luta com diversos arquétipos de criaturas. Alguns são baseados em monstros clássicos, como Victor, que é uma versão mais caricata do Monstro de Frankenstein, Demitri, um vampiro eurocêntrico gótico com uma estética japonesa, e Rikuo, um homem-peixe semelhante ao do filme O Monstro da Lagoa Negra, de 1954.
Demitri é um dos primeiros protagonistas vilanescos no gênero.

As trevas em seu formato mais puro

A história que justifica o enredo é simples e direta: Pyron, um alienígena que já havia visitado a Terra no passado, retorna para dominar o planeta, e cabe aos Darkstalkers lidarem com o problema na base da pancadaria.

Contudo, o design dos personagens é mais voltado para o estilo anime, apresentando dois dos maiores atrativos da franquia até hoje: a animação e a arte. Apesar de não ter sido o primeiro jogo de luta da CPS-2, Darkstalkers foi o primeiro a usar o poder da nova placa ao apresentar personagens com muitas animações, fases vivas em cores e detalhes.

A parte mais cartunesca dos lutadores é bem explorada, seja com os personagens sendo cortados ao meio de forma cômica ou sendo queimados como num desenho animado, com direito a caretas e deformações.

O sistema de combate difere bastante do que a empresa estava fazendo na época. Pressão de ataques, movimentação ágil com avanços rápidos, ataques aéreos, defesas aéreas e combos são a norma em Darkstalkers, num estilo “semi-anime fighter” que foi evoluindo com suas sequências. O ritmo é aceleradíssimo para a época, focando mais na pressão da agressividade do que em uma abordagem mais defensiva.

Em Darkstalkers, foi introduzida a mecânica de chain combos, sequências pré-montadas em que basta apertar os botões de ataque do mais fraco ao mais forte, podendo emendar outros golpes na combinação. Também há uma barra especial que funciona de forma diferente: a partir do momento em que ela enche, o próximo especial sairá aprimorado — a estreia dos ataques EX, presentes na maioria dos jogos atuais — ou pode ser usada para um super. A ofensiva é tão primordial no jogo que a barra diminuirá gradativamente se você ficar na defensiva.

O hardware da CPS-2 também ajudou com o som, já que o sistema QSound tinha como recurso a simulação de som 3D nativamente. Assim, os efeitos sonoros alternam de lado nas caixas de som conforme a posição dos personagens, algo bem inovador para a época. As músicas, embora não sejam tão marcantes quanto as dos sucessores, são bastante reconhecíveis instrumentalmente para uma produção da Capcom, diversificadas pela natureza dos monstros e seus países de origem.

O início da caçada dos monstros

O primeiro Darkstalkers também foi lançado para o PlayStation, sendo um dos primeiros ports da CPS-2 para um console de 32 bits. Lançado em 1995, a versão foi desenvolvida pela extinta Psygnosis (que se tornou Studio Liverpool sob o comando da Sony, sendo fechada em 2012) e resultou em um trabalho bastante competente, minimizando cortes de animação dos personagens e a perda de qualidade de áudio ao remover detalhes dos cenários, mantendo a fidelidade à beleza do original.

Com um início promissor e cheio de personalidade, Darkstalkers: The Night Warriors não ficou apenas no primeiro jogo. Ele teve duas sequências: Night Warriors: Darkstalkers’ Revenge em 1995 e Vampire Savior: World of Darkness em 1997, além de algumas edições especiais baseadas no terceiro jogo. E claro, planejo falar sobre eles por aqui futuramente.

Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut

Estudante de enfermagem de 24 anos, está nesse mundo dos joguinhos desde criança. Fã de games com vibe mais arcade e arqueólogo de velharias, mas não abandona experiências mais atuais. Acompanha a mídia de podcasts, dublagem e ouvinte assíduo de VGM. Pode ser encontrado como @AlecFull e semelhantes por aí.
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