Blast from the Past

Rain (PS3): uma pérola escondida da sétima geração

Em um lugar onde a chuva nunca para, uma emocionante e diferente história é contada.


O PlayStation 3 foi o lar de vários jogos que se propunham a entregar experiências diferentes. Apesar de ter sido uma geração marcada principalmente pelo tiro em primeira pessoa, alguns jogos não estavam preocupados em serem grandes sucessos de vendas, e sim entregar outros sentimentos aos jogadores. Infelizmente muitas dessas obras foram esquecidas em meio à chuva de lançamentos que o console recebeu, mas um em específico conseguiu se destacar e sempre é citado quando falamos das pérolas obscuras do console: Rain.


Lançado em outubro de 2013, Rain (ou Lost in the Rain, como é conhecido no Japão) foi um dos últimos lançamentos do PS3, já que em novembro daquele mesmo ano o PS4 chegava ao mercado com um universo de novas possibilidades. Para fechar a geração com chave de ouro, a Japan Studios, que havia trabalhado na série de terror Forbidden Siren, resolveu entregar uma tocante experiência que fugisse completamente do tradicional e conseguisse emocionar os jogadores com algo tão simples como a chuva.

Uma história regada de interpretações

Imagine que você está em seu quarto em uma noite chuvosa se preparando para dormir, pela janela ouve alguns barulhos vindos do lado de fora e ao investigar vê uma garotinha sozinha na chuva. Na tentativa de ajudá-la você a convida para entrar, mas a garotinha não é a única que está perdida esta noite.

Em meio às vielas da cidade reside uma criatura indescritivelmente monstruosa que caça qualquer coisa que vê pela frente. Com medo, a garotinha some em meio às estreitas ruas sendo perseguida incessantemente pelo monstro. Temendo que o pior pudesse acontecer, você pula pela janela e dispara em direção a sua nova conhecida.



Enquanto corre nota algo estranho acontecendo consigo, seu corpo aos poucos começa a ficar transparente até se tornar completamente invisível. A única coisa capaz de torná-lo visível novamente é a chuva que escorre pela sua pele, revelando seu contorno.

Tanto a garotinha, quanto o monstro também estão invisíveis, e o melhor jeito de se esconder em meio à chuva eterna é procurar um lugar onde ela não possa chegar, como toldos, frentes de estabelecimentos, varandas… qualquer lugar é um esconderijo em potencial.

Para despistar as ferozes criaturas é preciso se aproveitar da invisibilidade se esgueirando silenciosamente pela cidade.

Uma experiência sem igual

Com essa interessante e diferente premissa a história de Rain se desenvolve, com todo o jogo girando em torno do protagonista sem nome em uma épica aventura em busca da garotinha enquanto lida com os perigos da noite. Porém, não é só na história que Rain se diferencia dos demais, mas também em seu gameplay, que é regado de várias ideias interessantes.

Para compor a estética visual o jogo aposta no minimalismo, com uma paleta de cores quase monocromática para passar um sentimento de melancolia e uma interface totalmente limpa. Nada é mostrado na tela além da chuva que nunca cessa.



O jogo não possui diálogos falados e transmite tudo o que o jogador precisa saber através dos lindos cenários de arquitetura vitoriana e sua fantástica trilha sonora composta por Yugo Kanno, renomado músico japonês que futuramente trabalharia na trilha de Nioh.

Além de usar a furtividade para lidar com os monstros — já que o personagem não possui nenhuma habilidade de combate —  o jogador também precisará lidar com os diversos e criativos quebra-cabeças que compõem a maior parte da jornada.

Espalhados por toda a cidade existem vários obstáculos que o jogador precisará superar, alguns deles simples e outros mais complexos, todos eles utilizando a mecânica principal da chuva para serem resolvidos.

Todos esses aspectos tornam Rain um jogo único, sutil e elegante que mesmo sendo uma experiência curta, podendo ser finalizada em menos de três horas, ainda vale a pena ser jogada e continua a emocionar os que se aventurarem nela.


Perdeu-se como lágrimas na chuva

Infelizmente jogar Rain hoje em dia não é uma tarefa fácil. Fora do Japão ele foi vendido apenas em formato digital através da PlayStation Network, nunca recebendo nenhum relançamento para os consoles modernos. O fechamento da Japan Studios em 2021 tornou ainda mais distante o sonho de vê-lo em outras plataformas, e com o iminente encerramento da loja digital do PS3, Rain é um jogo que está condenado a ser esquecido como tantos outros.

Felizmente, existem fortes rumores de que muitos jogos da sexta e sétima geração estarão disponíveis no Playstation 5 em um futuro próximo, e quem sabe essa seja uma oportunidade de fazer com que essa chuva nunca pare de cair.

Revisão: Vitor Tibério


Um “arqueólogo de games” que adora falar das gemas ocultas do mundo dos jogos, tem o PS3 como console favorito e ama um bom hack and slash. Mesmo apreciando os jogos modernos, não dispensa uma boa velharia obscura do tempo que videogame era movido à lenha. Segue o pai.
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