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Análise: Rainbow Cotton (Multi) traz a primeira aventura tridimensional da bruxinha comilona

O segundo rail shooter da personagem mantém a tradição da franquia, mas poderia trazer mais conteúdo que justificasse o port.

Para quem gostou do retorno triunfal da bruxinha Cotton para a atual geração, chegou mais um resgate, agora diretamente dos anos 2000. Rainbow Cotton foi lançado exclusivamente para Dreamcast e é uma continuação direta de Panorama Cotton, que também já foi relançado para as plataformas atuais e analisado por mim aqui no Blast. 

Com a chegada deste remaster, praticamente todos os títulos da franquia agora estão disponíveis para serem jogados, entre remasters, remakes, coletâneas e entradas inéditas, com exceção de Magical Pachinko Cotton, de 2003.

Um docinho conhecido

Assim como seu antecessor, Rainbow Cotton foge da progressão lateral e traz uma aventura ao estilo rail shooter. Ou seja, controlamos a posição da protagonista na tela, mas o caminho que ela segue é traçado automaticamente, como se estivesse sendo guiada por trilhos. Só que, como trata-se de um remaster de um jogo 128-bits, temos uma riqueza bem maior de detalhes e elementos já vindos da versão original.

Uma das partes mais bacanas deste jogo é que sempre temos duas rotas a seguir, indicadas por uma seta verde e uma azul. Elas aparecerão em um ponto específico e basta colocar a bruxinha na direção de uma delas, que logo o traçado tomará um rumo diferente, resultando em um subchefe novo. Ainda assim, o caminho é curtinho,com cinco fases que levam cerca de uma hora para serem concluídas.

Além disso, há alguns defeitos na jogabilidade, que poderiam ter sido refinados. Por exemplo: itens e inimigos nas partes mais extremas do canto da tela dificilmente são alcançados. É como se algo limitasse nosso alcance, mesmo com a possibilidade de controlar livremente Cotton pela tela. 

Outro recurso que seria bem-vindo seria pelo menos um checkpoint em determinado ponto das fases. Se perdemos nossa vida, temos que recomeçar um estágio do zero e o nível de dificuldade de Rainbow Cotton é um pouco menos amistoso que os jogos shoot em up, então o fato de ter que refazer exaustivamente um mesmo trecho do começo se torna um pouco cansativo.

Uma embalagem mais bonita

O remaster traz algumas melhorias modestas, mas que tornam a experiência de jogo mais agradável. A principal delas é retrabalhar o visual para que ele tenha texturas em HD e fique perfeitamente adequado na disposição widescreen (16:9) sem que a imagem fique esticada ou as laterais fiquem ocupadas por faixas pretas. Para quem quiser dividir a jogatina com um camarada, foi incluído um multiplayer local no qual o segundo jogador controla a fadinha Silk.

Outra adição bem-vinda são as legendas em inglês nas cenas animadas, uma vez que a versão original continha apenas o áudio em japonês e mais nada. Caso você não tenha jogado a versão original, não tem problema. O Retro Mode traz a emulação da versão de Dreamcast e ainda conta com filtro de tela para imitar uma televisão de tubo.

Entretanto, novamente a jogabilidade poderia contar com mais recursos. Por mais que ela seja sutilmente mais precisa na versão remasterizada, uma grande mancada é não poder remapear os botões. Por mais que só seja necessário atirar e soltar magias, seria muito melhor se nós pudéssemos escolher os comandos que nos são mais agradáveis, como o uso dos gatilhos para isso.

Ainda falando das magias, também seria muito útil se tivessem incluído alguma explicação de como elas funcionam e quais seus efeitos. Eu sei porque estou acostumado com outros títulos da série, mas quem tentar experimentar sem ter um conhecimento prévio vai acabar se confundindo bastante.

Por fim, vendo todo o trabalho que foi feito com os demais títulos de Cotton para que seu legado deixasse de ficar restrito ao Japão, parece que Rainbow Cotton foi pouco aproveitado. Há os modos de jogo, as configurações gerais e só. Não há uma galeria ou conteúdo extra a ser explorado, nem trapaças liberadas após a conclusão da campanha.

Simples não quer dizer pouco

Ter Rainbow Cotton entre nós finalmente nos dá todo o panorama (trocadilho não-intencional) da evolução virtual da bruxinha sedenta por doces. Só que, por mais que o jogo por si só seja bacana, ele merecia bem mais que apenas uma melhoria visual, como refinamentos na jogabilidade e recursos extras, para torná-lo totalmente atual, e não um mero port recauchutado.

Prós

  • Melhorias visuais, como texturas em HD e encaixe perfeito para disposição widescreen;
  • Inclusão da ROM original de Dreamcast no Retro Mode;
  • A trilha sonora continua bem divertida;
  • Inclusão de um modo para dois jogadores;
  • Adição de legendas nas animações.

Contras

  • Mesmo com alguns refinamentos, a jogabilidade ainda apresenta deslizes;
  • Não é possível remapear os botões;
  • Não há uma explicação do uso das magias;
  • Baixo fator replay;
  • Ausência de checkpoints nas fases;
  • Faltou conteúdo extra, como uma galeria e Trapaças.
Rainbow Cotton — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela ININ Games

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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