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Análise: Horizon Chase 2 (Multi) — a carta de amor ganhou uma segunda página mais caprichada

Dando sequência ao indie brasileiro que surpreendeu o mundo, a continuação melhora tudo o que seu antecessor trazia, entregando uma experiência única.

Horizon Chase Turbo foi um dos queridinhos da cena de jogos nacionais, misturando a paixão dos brasileiros por velocidade e jogos de arcade, sendo o nosso Top Gear tupiniquim. Quando sua sequência foi anunciada, em 2022, muita gente ficou de olho e um pouco frustrada, pois Horizon Chase 2 foi lançado exclusivamente para o Apple Arcade.

Quando conversamos com a equipe de desenvolvimento do jogo na BGS 2022, ainda não havia planos para lançá-lo nos consoles. Com a aquisição da Aquiris pela Epic Game em 2023, ficou a dúvida se HC2 chegaria a mais plataformas, e a resposta foi sim. Após o lançamento para PC e Switch na metade do ano passado, agora chegou a vez dos donos de PlayStation e Xbox desfrutarem desta aguardada continuação.

Sem marcha lenta

A principal mudança na jogabilidade está no objetivo das corridas. Não precisamos mais nos preocupar em ter que coletar galões de combustível pela pista para não provocar uma pane seca. Agora, só temos que nos ocupar em ganhar as corridas e coletar as moedas que ficam pelo caminho, para dar um boost no nosso carro ou diminuir o tempo do relógio nas provas cronometradas.

No mais, devemos apenas nos concentrar em acelerar pelas pistas nos principais modos de jogo: Volta ao Mundo, Torneios e Playground. O primeiro, como o nome sugere, é o prato principal de Horizon Chase 2, e é por meio dele que liberamos novos carros, pinturas e rodas. Temos que passar por cada país concluindo as provas no lugar mais alto do pódio e coletando as fichas pelo caminho.

Neste modo, os carros podem ser evoluídos até o nível 10, e a cada marca de experiência alcançada, é conferido um novo ponto de atributo para ser gasto. Para não tornar o grinding extremamente arrastado, cada veículo novo é liberado no mesmo nível do que o jogador usou na corrida, assim ele ganha mais opções logo de cara para variar na Volta ao Mundo.

Além das corridas normais, temos provas contra o tempo, nas quais coletamos fichas verdes que reduzem a marca do relógio enquanto estamos na pista. Elas requerem um pouco mais de concentração, pois um erro pode ser fatal para atingir a marca baixa possível.

Os Torneios são grupos de quatro provas no qual o vencedor é aquele que obtiver o maior número de pontos ao final de todas as etapas. Eles são divididos em três dificuldades: Amador, Profissional e Master.

Neste modo, os carros têm um nível fixo, então não é necessário esquentar a cabeça em usar somente aquele que é o mais rodado no Volta ao Mundo. Outro diferencial é que não há a obrigação de coletar nada, apenas temos que assegurar o lugar mais alto do pódio, podendo ou não pegar as fichas de nitro pelo caminho.

Esses dois modos evidenciam que a dificuldade como um todo em Horizon Chase 2 está bem mais branda, mesmo com as diferenças notáveis entre carros de atributos diferentes. Ainda há o estímulo de ganhar a corrida realizando uma série de ultrapassagens em trechos estreitos, mas os veteranos do primeiro jogo não encontrarão problemas em zerar tudo ou  até mesmo platinar o jogo. 

Já o Playground traz corridas com um tempo de validade e metas específicas, como ganhar sem colidir com ninguém ou desviar de todas as fichas de nitro pelo caminho até a linha de chegada. Aqui a dificuldade sobe um pouco e a recompensa do jogador está em alguns itens cosméticos, como pinturas.

Quem curte desafios mais agudos sentirá falta de um modo mais livre, no qual seria possível apenas escolher uma pista, número de corredores e um nível de dificuldade específico para sua habilidade, ou até mesmo criar um torneio personalizado, selecionando apenas suas pistas favoritas. Infelizmente, Horizon Chase 2 também não conta com um modo exclusivo para o multiplayer, tanto local quanto online, embora até quatro jogadores podem se reunir para disputas dentro dos modos de jogo já existentes.

Por um lado até é interessante curtir o Volta ao Mundo com alguém, mas seria mais bacana poder escolher as corridas separadamente e decidir se só os participantes farão parte da prova ou se ela ocorrerá com o grid de 20 pilotos completo.

Por fim, um probleminha pontual que notei, pelo menos na versão de PlayStation 4, são alguns engasgos na performance. É uma travadinha leve, que não chega a atrapalhar a corrida em si, mas que acontece aleatoriamente, independentemente de quantos carros há na tela em um mesmo momento. Isso também ocorre ao desbloquearmos troféus, com eles demorando alguns minutos para pipocarem na tela após a conquista.

O mundo sobre rodas

A fórmula de trazer bólidos esportivos em pistas ao redor do globo foi mantida em Horizon Chase 2, e melhorada consideravelmente. Ao todo, são 59 pistas espalhadas em sete localidades: Estados Unidos, Brasil, Marrocos, Itália, Tailândia, Japão e a Lua; ainda, cada pista ganhou uma identidade mais forte relacionada às suas origens.

O Brasil, por exemplo, ganhou referências conhecidas baseadas nas paisagens turísticas que temos. Correr em São Paulo nos leva a uma breve viagem pelo MASP, o Bairro da Liberdade, a Avenida Paulista e o Parque do Ibirapuera, com direito a ver as luzes da Oca se acendendo entre as voltas que damos.

Esse carinho em trazer traços da cultura dos países foi muito bem representado em cada circuito, seja na neve de Sapporo, no Japão, nos subúrbios de Marraquexe, em Marrocos, ou nas praias ensolaradas da Califórnia. Até mesmo a Lua contou com trajetos que variam entre estações espaciais, crateras, cavernas e um trecho em pleno espaço sideral, no melhor estilo Rainbow Road, uma das pistas mais icônicas da franquia Mario Kart.

Os carros também trazem uma mistura de design original com inspirações de marcas consagradas, como Mercedes, Ferrari, Honda, Fiat e Volkswagen. Todos os 12 bólidos disponíveis contam com opções de rodas, carrocerias e pinturas que evocam seus países de origem.

Temos os esportivos velozes, os utilitários seguros e conversíveis envenenados, além do sucessor espiritual do lendário Carro da Firma, que em Horizon Chase 2 chama-se Nave, fazendo uma ótima homenagem ao veículo Gol, da Volkswagen, que foi bastante popular no Brasil por mais de quatro décadas.

Passado e futuro no mesmo bagageiro

O grande trunfo de Horizon Chase Turbo foi ter Barry Leitch como compositor de seus temas. Ele nada mais é que o autor das trilhas do clássico Top Gear, inspiração central para a concepção do indie brasileiro. A lenda retorna como criador das canções de Horizon Chase 2, com direito à mistura de elementos típicos de cada país e referências à sua obra mais famosa. 


Se temos a junção do clássico e do moderno nas músicas, o visual também não deixa por menos. Ainda há aquela construção arcade do já citado Top Gear, mas agora há mais detalhes, tanto nas pistas quanto nos ângulos de câmera durante as curvas. Não foi difícil para mim repetir uma corrida diversas vezes só para reparar cada detalhe novo que surgia.  

Os gráficos estilo low poly do primeiro jogo foram refinados para dar ênfase nesses detalhes, mas sem chegar ao nível de precisão de franquias maiores, como Forza e Gran Turismo. O resultado disso é uma identidade visual única que consolida o espaço da franquia Horizon Chase em meio ao gênero.

Merecedor de cada troféu

Horizon Chase 2 amplifica as qualidades do seu antecessor e entrega um excelente jogo de corrida arcade. Mesmo com poucos modos de jogo e a ausência de um foco específico para o multiplayer, o título é divertido ao extremo e desafiador na medida certa, tornando-o indicado para horas de jogatina solo ou acompanhado.

Prós

  • O trabalho feito na construção das pistas a torna um atrativo à parte da corrida;
  • Carros cheios de referência a clássicos reais e aos seus países nas pinturas desbloqueáveis;
  • Os modos de jogo oferecem a opção de serem jogados de maneira solo ou multiplayer;
  • A Volta ao Mundo nos faz passar por todos os circuitos sem ser cansativo ou arrastado, com nível de dificuldade justo;
  • Modelos visuais e ambientes com grande riqueza de detalhes para um jogo low poly;
  • Excelente trilha sonora do mestre Barry Leitch.

Contras

  • Ausência de um modo de jogo mais livre, torneios personalizados ou algo focado apenas no multiplayer;
  • A dificuldade mais amena pode incomodar os jogadores acostumados ao título anterior;
  • Pequenos travamentos durante as corridas e na hora de revelar os troféus conquistados.
Horizon Chase 2 — Apple/PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Epic Games

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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