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Análise: Momo and the Mine (PC) é uma experiência retrô que exige muita precisão

Ajude uma toupeira a coletar fósforos para poder aquecer sua casa novamente.


Momo and the Mine
é um jogo de plataforma produzido e publicado pelo estúdio brasileiro Tamboril Studio. Nele, estamos no controle de Momo, uma toupeira que precisa explorar uma mina assombrada para coletar palitos de fósforo com o objetivo de manter sua casa aquecida. Para isso, nosso protagonista precisará superar 40 níveis cheios de inimigos, armadilhas e chefes ameaçadores enquanto acerta saltos milimetricamente precisos para não morrer.

Inspirado nos jogos antigos

Momo é uma toupeira que dormia tranquilamente em sua cama até o dia em que o fogo de suas lamparinas se apagou. Para resolver o problema, ele resolve explorar uma mina assombrada localizada próxima à sua residência para coletar palitos de fósforo, a fim de reacender sua casa e evitar passar mais frio. Contando com as habilidades de pular, dar salto duplo e andar de baixo da terra, ele espera conseguir cumprir seu objetivo o mais rápido possível e assim voltar para sua cama.




A campanha é dividida em quatro mundos com 10 fases cada e uma batalha contra um chefe. Cada estágio é composto por apenas uma tela com uma entrada e uma saída, e nosso objetivo é superar os desafios de plataforma e evitar contato com inimigos e armadilhas — qualquer toque é morte instantânea para nossa toupeira.

Momo and the Mine se inspira em jogos da era 8 bits em muitos aspectos, principalmente os gráficos e a trilha sonora. Os aspectos audiovisuais chamam a atenção pela qualidade: mesmo simples, as fases apresentam ambientações bem elaboradas, contando com cores chamativas e um bom design; e a trilha composta por chiptune não perde em nada para grandes obras da época e dá o ritmo à aventura frenética da toupeira.




Ainda recorrendo às características dos jogos dos anos 80, é possível ativar um filtro retrô que dá um aspecto de televisão antiga à tela, o que deixa o game ainda mais charmoso. Levando em conta o lado criativo, Momo and the Mine é um título que consegue trazer a sensação de nostalgia de maneira impecável, sendo uma legítima experiência retrô em todos os seus aspectos.

Erro zero

Por ser frágil e morrer com qualquer toque, o cerne da jogabilidade é controlar Momo pelas fases e evitar encostar em qualquer coisa que não seja um palito de fósforo e a saída das fases. Todas as ações da toupeira são feitas com apenas dois botões, mas isso não significa que o jogo seja simples.

A dificuldade é o ponto central por aqui. Momo and the Mine é um jogo de plataforma de precisão que vai te punir por qualquer erro, exigindo, assim, pleno domínio da movimentação do protagonista. Para se ter ideia, para completar as 40 fases, eu morri mais de 250 vezes. Por mais que pareça frustrante, a jogabilidade é tão dinâmica e as fases tão pequenas que nem dá tempo de sentir raiva.




Uma grande qualidade é o design das fases, que nos ensina a dominar Momo aos poucos, adicionando desafios progressivamente à medida que avançamos. Começamos a campanha desviando de espinhos, mas logo chegam animais perigosos, plataformas escorregadias, trampolins e buracos que exigem saltos perfeitos. Aos poucos, todos esses elementos começam a ser combinados para criar desafios criativos, intensos e mais punitivos. 

Nas batalhas contra os chefes, nossas habilidades são colocadas à prova em fases mais elaboradas que o normal e são nesses momentos em que a frustração pode aparecer. Eles possuem um padrão de movimentação pré-definido, exigindo que os jogadores o decorem para desviar no momento certo. No geral, precisamos apenas de um pouco de paciência e reflexos rápidos para derrotá-los.



Divertido, mas exige paciência

Momo and the Mine não tem muito a oferecer, mas o pouco que faz é com excelência. O aspecto retrô é ressaltado pelos seus gráficos e sua trilha sonora que remetem muito bem aos jogos da era 8 bits, assim como as poucas mecânicas de movimentação de Momo, limitadas a apenas dois botões. Sendo um jogo curto — com cerca de duas horas de duração, dependendo do seu nível de adaptação —, ele é mais indicado para quem procura algo breve e desafiador, além daqueles que querem sentir a nostalgia das obras da época do NES.

Prós

  • Os gráficos e a trilha sonora transmitem uma autêntica experiência retrô;
  • Os desafios são colocados gradativamente, dando margem para a evolução do jogador;
  • Controles simples, contando com apenas dois botões de ação.

Contras

  • A dificuldade é elevada e pode causar frustração, principalmente nas batalhas contra chefes;
  • A curta duração e as poucas mecânicas podem afastar jogadores que querem algo mais elaborado.
Momo and the Mine — PC — Nota: 7.0
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela Tamboril Studio


É engenheiro geólogo, graduando em Engenharia Ambiental, entusiasta de novas tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Gosta de aproveitar o tempo apreciando RPGs, relaxando em simuladores de fazenda e curtindo uma boa música em jogos de ritmo.
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