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Análise: Toaplan Arcade Shoot ‘Em Up Collection Vol. 4 (PC): a conclusão de uma grande coletânea

O quarto e último volume da coleção traz uma seleção com mais quatro clássicos, completando-a com 16 jogos no total.


Nesta análise concluiremos nossa viagem no tempo com mais quatro shmup’s da época de ouro dos arcades. O estúdio sueco BitWave Games recentemente lançou o quarto e último volume da coletânea de shoot ‘em ups da Toaplan, concluindo o projeto com um total de 16 jogos.

A Toaplan Arcade Shoot ‘Em Up Collection Vol. 4 reúne mais quatro títulos que nos levam a uma verdadeira viagem no tempo, em que fazer nossa ficha render pelo máximo de tempo possível era o suficiente para que a adrenalina corresse com mais intensidade em nosso corpo. Hora de conferir o que o volume final da coleção nos reserva.

De 1989 a 1993

Seguindo a mesma dinâmica dos três volumes anteriores, a quarta parte do pacote contém quatro títulos, com a maioria trazendo temáticas mais futuristas ou fantasiosas e um dos jogos fazendo o papel de “vintage”. Os títulos que integram o volume 4 da coletânea são:

Twin Hawk (1989)

Twin Hawk é um jogo com temática militar, no qual os jogadores assumem o controle de uma nave do esquadrão Daisenpuu (nome do jogo no Japão) para enfrentar forças inimigas, tais como tanques, navios e artilharia. Uma peculiaridade é a ausência de inimigos voadores. Ele apresenta distinções entre as versões japonesa e ocidental, incluindo um modo cooperativo exclusivo.


Uma característica distintiva de Twin Hawk é a mecânica da "bomba", que convoca aviões aliados para proteger o jogador e fornecer apoio. Esses aliados podem realizar ataques kamikaze, e os jogadores também têm controle sobre esses ataques. Ao pressionar o botão de assistência do esquadrão duas vezes, uma bomba é lançada. Itens dispersos pelos níveis incluem upgrades de arma, estoques adicionais de bombas/assistências e vidas extras.

Twin Hawk foi originalmente lançado em 1989 e recebeu ports para o Mega Drive e PC Engine em 1990, e para o PC Engine CD em 1991. Diferentemente do jogo original para Arcade, a versão para consoles apresentava divisões entre as fases, em vez de um segmento contínuo.

Truxton II (1992)

Truxton II, sequência do game de 1988, segue a mesma linha de seu antecessor. Nele, os jogadores assumem o papel de dois pilotos que controlam os caças espaciais HyperFighter em seis estágios, cada um com um chefe final, em uma batalha decisiva para impedir o retorno de Dogurava e seu exército Gidan. A sequência apresenta várias mudanças em relação ao seu antecessor, com destaque para o mecanismo de disparo automático, a velocidade de jogo e os gráficos.


O arsenal das naves é composto por três tipos de armas: bombas vermelhas de napalm, o laser teleguiado azul de Truxton e salvas de tiros verdes de amplo alcance, substituindo a arma vermelha do original. Coletar repetidamente o mesmo upgrade de tiro aumenta o poder de fogo da nave.

Além disso, um par de opções de satélites é ativado após coletarmos qualquer tipo de arma. Entre os itens colecionáveis estão: aumentadores de velocidade para a nave, bombas extras capazes de destruir qualquer inimigo na tela e vidas extras.

Embora Truxton II não tenha alcançado a mesma popularidade de seu antecessor, o jogo manteve um modesto status de obscuridade, atraindo principalmente entusiastas do gênero ou fãs do Truxton original. Como resultado dessa relativa impopularidade, ele não recebeu ports para outras plataformas como seu predecessor. Uma sequência, anunciada em 2023, chamada Truxton Extreme, está programada para ser lançada este ano para o PlayStation 5.

Dogyuun (1992)

Dogyuun também adota o tema de ficção científica, lembrando outros clássicos do gênero, como Aero Fighters e Recca. Nele, os jogadores assumem o papel de dois pilotos em uma missão de reconhecimento no planeta Dino, pilotando os caças espaciais bombardeiros Sylfers.

Com dez fases para serem superadas, Dogyuun, inicialmente, não apresenta muitas particularidades. No entanto, seu principal destaque reside em um recurso chamado Unit Beam System, no qual os jogadores, quando em modo cooperativo, podem unir suas naves para criar uma mais poderosa. Os controles ficam sob a responsabilidade do jogador que acionou o comando.

Quando separados, os jogadores também têm a capacidade de capturar pequenos inimigos para ganhar pontos continuamente ou para adquirir itens para uso posterior. Existem apenas dois tipos de módulos de itens que podem ser anexados à nave: um módulo de bomba de uso único capaz de destruir tudo na tela, que também pode ser acionado após receber ataques inimigos; e um módulo de velocidade que aumenta a agilidade para realizar manobras evasivas e se deslocar mais rapidamente pelo cenário. Diferentes tipos de tiros, como os teleguiados ou com poder de fogo concentrado, completam o arsenal.


Dogyuun não alcançou grande popularidade, mas, como os demais volumes da coleção, se destaca por trazer mecânicas mais únicas em comparação com os demais títulos do conjunto. Desde então, não recebeu nenhum port para outras plataformas desde seu lançamento original.

Grind Stormer (1993)

Grind Stormer completa o pacote como mais um shooter vertical com temática espacial. Nele, os jogadores assumem o papel de um jovem agente secreto designado pelo governo, pilotando o caça espacial NA-00 através de seis estágios em uma missão para derrotar o VR titular, resgatar os jogadores sequestrados e descobrir seu verdadeiro propósito como objetivo principal.

Power-ups e bombas são os itens disponíveis para coleta, além de ícones para aumentar ou diminuir a velocidade das naves. Na versão japonesa, chamada de V・V, os jogadores coletam joias que lhes permitem escolher entre diferentes armas por meio de um sistema de medidor de energia semelhante ao de Gradius, da Konami. Nesta versão, os ícones de PowerUp e velocidade não existem.

Outra característica peculiar de Grind Stormer está no controle dos satélites, que modificam a potência do tiro dependendo de sua posição. Manobrá-los para a proa da nave, em geral, aciona um modo de tiro muito mais poderoso ou altera o comportamento dos projéteis, dependendo da arma escolhida.

Bônus secretos ocultos nas fases completam a experiência para aqueles que buscam alcançar os maiores placares. Grind Stormer recebeu, em 1994, um port para Mega Drive pela Tengen e desde então nenhuma nova versão foi lançada para outras plataformas.

Em time que está ganhando, não se mexe

Assim como nos três volumes anteriores da coleção, o quarto volume de Toaplan Arcade Shoot ‘Em Up Collection apresenta o mesmo sistema de emulação, que dispensa elogios devido à sua qualidade e eficiência, sem comprometer a autenticidade da experiência de jogo. Fica a critério do jogador como deseja experimentar cada um dos títulos: em janela, tela esticada, usando filtros visuais para suavizar os pixels ou imitando uma tela de TV de tubo.

A rotação de tela, destacada na análise do volume anterior, continua sendo um dos recursos que mais apreciei. Se você, como eu, possui um monitor com base giratória, pode aproveitar essa funcionalidade para jogar no Tate Mode, com a tela na vertical. Além de dar a sensação de que a tela do jogo está consideravelmente maior, isso aumenta a imersão e torna a experiência mais autêntica.


As opções de ajuste de dificuldade, seleção de fases para treino e suporte para diferentes controles, incluindo arcade sticks e até mesmo o DualSense, salvamentos e função de retrocesso (rewind), permanecem disponíveis para aqueles que têm preferências específicas desde o primeiro lançamento. Diferentemente da análise anterior, não presenciei bugs no uso dessas funcionalidades.

No entanto, é importante ressaltar que todos os quatro títulos desta edição têm até 35 anos de idade. São jogos com experiências rápidas e distintas que podem não agradar às audiências mais jovens, acostumadas com um estilo bem diferente dos desafios proporcionados pelos arcades da década de 1990. Para os jogadores mais experientes, o volume 4 da coleção mantém o mesmo nível de qualidade apresentado desde o seu primeiro lançamento, em 2023.

Por fim, gostaria de expressar minha expectativa quanto à possível disponibilização desta coletânea para outros sistemas no futuro. O Switch seria minha escolha ideal, devido à disponibilidade imediata de dois controles, permitindo jogar com um amigo a qualquer momento, e à praticidade de usar a tela na orientação vertical para aproveitar o modo Tate.

A possibilidade de comprar os jogos individualmente também é um ponto positivo. Dessa forma, o jogador não é obrigado a adquirir a coleção completa, com títulos que não lhe interessam, podendo focar apenas em seus favoritos. No Steam, os preços de cada um são acessíveis, considerando o quanto custaria jogá-los várias vezes em um arcade original.

Fechando um ciclo com chave de ouro

Toaplan Arcade Shoot ‘Em Up Collection Vol. 4 apresenta uma conclusão sólida do legado estabelecido pelos seus predecessores. Com uma emulação de alta qualidade e uma excelente variedade de opções de personalização, os jogadores têm a liberdade de desfrutar dos clássicos shmups da saudosa Toaplan de maneira autêntica e envolvente.

Com a coletânea agora completa, listada como Toaplan Arcade Shoot'em Up Ultimate Collection, é inegável admitir que o necessário está disponível. São 16 jogos, cada qual com suas propostas, mas com um objetivo bem simples em comum: preservar e divertir as antigas e novas gerações.

Prós

  • A emulação continua com ótima qualidade;
  • Opções visuais variadas permitem boa personalização da experiência, ainda com destaque ao Tate Mode;
  • As funcionalidades de salvamentos rápidos, retrocesso e aceleração da emulação continuam disponíveis e, aparentemente, sem bugs;
  • A opção de comprar cada título separadamente respeita a decisão dos jogadores, permitindo que escolham e adquiram apenas os jogos de seu interesse.
  • Com a coleção completa, é possível adquirir o pacote Ultimate com desconto.

Contras

  • Ainda disponível apenas para PC, limitando sua acessibilidade a quem prefere outras plataformas, como o Switch;
  • A proposta dos jogos, por terem mais de 30 anos, pode não ser atraente para jogadores mais jovens ou que não se interessam pelo gênero.
Toaplan Arcade Shoot ‘Em Up Collection Vol. 4 — PC — Nota: 9.0
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com chaves cedidas pela BitWave Games

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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