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Análise: Dead Island 2: Haus (Multi) tem potencial desperdiçado em conteúdo minúsculo

A primeira expansão do game entrega experiência interessante, mas peca pela quantidade mínima de novidades.


Desde seu lançamento, Dead Island 2 prometia duas expansões de história entre outras novidades ao longo do ano. Haus é a primeira parte dessas adições e leva o jogador para um culto tecnológico bizarro com a participação da alta sociedade de Los Angeles. O novo capítulo da história se passa durante os eventos da campanha e traz uma série de personagens tão estranhos quanto os encontrados ao longo do jogo base e locações psicodélicas inspiradas em clássicos do horror. 

Cultuando a morte e a tecnologia



Para acessar o DLC, o jogador apenas precisa interagir com o convite perto da piscina na mansão de Emma, evento que causará o teletransporte imediato do personagem para a nova região. Localizada em Malibu, a mansão Haus abriga uma série de mistérios, desde sua construção enigmática com salas temáticas, até o culto tecnológico do apocalipse que ela abriga.

Falando no culto, são exatamente alguns dos seus participantes que dão o pontapé inicial na narrativa para o protagonista, que até então caiu de paraquedas nessa história. Aparentemente, os integrantes conseguiram alcançar um certo tipo de imortalidade, como zumbis lúcidos. Sua missão é encontrar a cabeça de alguns desses integrantes e as devolver aos seus devidos corpos para ter acesso à parte central da Haus.

Toda a história da expansão abrange temáticas atuais tecendo críticas aos tecnocratas das indústrias de tecnologia, o uso de inteligências artificiais e até mesmo o estranho mundo dos super-ricos, famosos por práticas e vivências incomuns, sempre com muitos exageros e excentricidades. 

Entrega anêmica de conteúdo



Diferente da campanha, que é bem direta em sua progressão de história, Haus opta por contar os eventos através de narrações do passado e documentos. Claro, ainda há sua cota de diálogos expositivos, mas aqui eles são mais contidos, dando mais oportunidade para o jogador juntar as peças.  O problema surge quando toda a jornada é realizada em menos de três horas. A impressão é que ela era parte integral do jogo base, ou algo pensado de forma rápida demais, sem tempo para criar complexidade ou maturidade. 

Para quem já finalizou o jogo base, saiba que pouco se tem aqui para além do que já foi revelado. Muitos jogadores esperavam mais respostas, já que o desfecho deixou diversas pontas soltas. Haus consegue entregar ainda mais perguntas do que respostas, e não é apenas na narrativa que essa entrega anêmica de conteúdo ocorre.

O que há de novo?



Além da nova localidade, Haus também traz algumas adições para o arsenal de espalhar miolos por aí. A principal novidade das armas é o famoso Crossbow, conhecido por nós como Besta (alguém lembrou de Daryl Dixon em The Walking Dead?). 

A arma tem duas funções básicas demonstradas na expansão: a primeira delas é sua alta letalidade com furtividade, sendo ideal para abater mortos à distância em silêncio. A segunda é a possibilidade de abrir novas áreas, já que existem locais trancados por cérebros mortos-vivos que só podem ser aniquilados com as flechas da besta.




Entretanto, a adição da besta causa pouco impacto na jogabilidade, já que desde o jogo básico, as armas de longo alcance não eram grandes opções no arsenal. A besta é particularmente complicada de usar, principalmente porque o jogo te coloca contra hordas alertas de zumbis diversas vezes, o que requer uma estratégia mais direta ao ponto. 

E as novidades que podem empolgar acabam por aí. A outra arma encontrada é a sapecador de porco, que nada mais é do que uma versão flamejante do cutelo base do jogo com uma skin diferente, assim como a arma Ilha dos Mortos, que também é uma reskin. Não há nenhum novo tipo de inimigo, apenas as mesmas classes, agora com visuais que combinam com a temática da DLC. Existem, porém, novas cartas de habilidade e duas missões de achados e perdidos, que são adições bem-vindas, mas quase dignas de uma atualização gratuita.

Quase lá…



Haus não é um DLC recheado de problemas que não agrega à experiência original de Dead Island 2, ela cumpre bem a função de expandir o universo bizarro criado pela Dambuster, entretanto, seu maior pecado é apresentar tão pouco, tendo em vista o tamanho do potencial, tanto narrativamente quanto em mecânicas. 

Quase nada em Haus realmente se destaca como uma grande novidade para além do jogo base. Sua história é interessante e mantém o tom ácido de comédia e crítica, agregando áreas com visuais mais aterrorizadores e sombrios, mas pouco se alinha com as expectativas criadas com o fim da campanha.




Apenas uma arma, que não é lá uma grande mudança para a gameplay, e poucas cartas com habilidades como “soltar pequenas explosões quando toma dano”, não são de fato inserções que vão fazer com que você queira jogar novamente a aventura.

É nítido que, no que se apresenta, Haus entrega ideias e conceitos interessantes que poderiam interagir muito mais com o que o jogador médio tem a disposição já em seu pacote básico. Resta torcer para que a expansão Sola Festival, que sai no próximo ano, tenha mais substância do que sua antecessora.

Prós

  • Nova localidade tem foco no horror com uma direção de arte mais sombria que o jogo base;
  • A besta é uma adição bem-vinda, principalmente para quem quer tentar ser mais furtivo;
  • A trama intriga e diverte com novos personagens excêntricos e estranhos;
  • Novas cartas de habilidade para expandir o arsenal de build.

Contras

  • Pouquíssimo conteúdo para uma expansão;
  • Campanha extremamente curta, mal chegando às três horas de duração;
  • Nenhum novo tipo de inimigo que poderia trazer um frescor no gameplay contra os mortos;
  • Sem respostas concretas para o fim da campanha, deixando ainda mais perguntas sobre personagens-chave que mal sabemos a origem.
Dead Island 2: Haus — PS4/PS5/PC/XSO/XBX — Nota: 6
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Vitor Tibério
Análise feita com cópia digital cedida pela Deep Silver

Redator publicitário em tempo integral e amante de games nas horas vagas. Provavelmente aprendi a segurar um controle mais rápido do que uma mamadeira. Cresci com os maiores clássicos da Big N como Zelda, Mario e Pokémon. Hoje aproveito os pequenos momentos de descanso da vida corrida para me perder em Hyrule, em uma Tóquio pós-apocalíptica ou em um mundo de encanadores e cogumelos.
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