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Análise: Wargroove 2 (PC/Switch) é estratégia, carisma e pixel art em uma sequência imperdível

A nova obra da Chuckefish é uma fácil recomendação aos fãs de gênero.

Wargroove 2
é a aguardada sequência de Wargroove, título de estratégia que, desde seu lançamento em 2019, rapidamente se destacou por sua visão leve e divertida de combates à la Advance Wars.


Sem reinventar a roda, esta continuação direta potencializa o que tornou o primeiro jogo um clássico moderno do gênero, se provando uma fácil recomendação para os fãs de conflitos desafiadores e viciantes e aventuras leves e divertidas.

Conflitos avançados

Caso você nunca tenha ouvido falar da franquia Wargroove, saiba que ela é amplamente inspirada na série Wars, tradicionalmente desenvolvida pela Intelligent Systems (a mesma de Fire Emblem) e publicada pela Nintendo. 

Embora a série Wars tenha tido suas origens no Famicom, foi somente com o lançamento de Advance Wars para o Game Boy Advance, em 2001, que a saga deu as caras no Ocidente (para efeito de comparação, seu primeiro lançamento havia sido em 1988, para o Nintendinho japonês).

Pois bem, não demorou muito para o título cair nas graças dos jogadores e alcançar, junto com sua sequência, o status de cult entre os entusiastas de jogos de estratégia por turnos, graças à sua ótima jogabilidade e visão fantasiosa sobre a complexidade da guerra.

Reunindo os melhores aspectos da série Wars e adicionando doses extras de personalidade e carisma no processo, tanto Wargroove quanto esta sequência promovem uma rendição leve e altamente viciante de confrontos em larga escala. 

A arte da guerra

Na prática, Wargroove 2 lhe coloca como mestre de exércitos fantasiosos em fases que se dão em diferentes mapas e terrenos. Seu objetivo dentro de cada uma delas pode variar entre sobreviver um determinado número de turnos, eliminar o comandante inimigo ou simplesmente dizimar todas as forças oponentes, por exemplo.

Para isso, é extremamente necessário usar todas as ferramentas à sua disposição: além de um comandante, seu exército poderá contar com os tradicionais arqueiros, espadachins e até unidades especiais, como mechas e vagões capazes de transportar rapidamente seus comandados pelo mapa.

Como é comum nos jogos do gênero, as batalhas ocorrem em mapas divididos em grids, como em um jogo de tabuleiro, e cada unidade possui um certo número de espaços que pode percorrer por turno. Junte a isso forças e fraquezas individuais e vantagens oferecidas pelo terreno e posicionamento (arqueiros dão dano crítico caso não se movam no turno do ataque, por exemplo) e temos a receita para confrontos simples de entender, mas difíceis de dominar. 

Algo muito interessante é que é possível (e necessário, sendo sincero) repor seus exércitos em meio aos conflitos. Isso porque, dentro de cada mapa, pode-se capturar localidades, como vilarejos, e utilizá-las para acumular ouro. A cada novo turno, o recurso é utilizado para recrutar personagens, compensando as ocasionais baixas e mantendo uma vantagem crucial em relação ao oponente.

Além disso, o Groove — um ataque especial, único para cada comandante — retorna do primeiro jogo com uma novidade muito importante: agora é possível postergar o seu uso em troca de uma versão calibrada, indicada pela barra de porcentagem acima de cada general. 

Ou seja, saber como e quando usar cada personagem, quando ativar ou não o Groove e quando poupar dinheiro ou usá-lo para recrutar novas unidades no calor da batalha é essencial para garantir a vitória nas diversas fases do jogo. São aquelas pequenas “dores de cabeça” que fãs de estratégia gostam de ter, especialmente quando distribuídas em um pacote tão robusto quanto este.

Três (não) é demais

Wargroove 2 apresenta ao jogador não uma nem duas, mas três campanhas individuais, cada uma com seu próprio nível de dificuldade e facção protagonista. 

A livre escolha de qual rumo tomar é muito bem-vinda e possível já depois do prólogo. Você é um veterano do gênero e deseja começar pelos cenários mais desafiadores? Sem problemas, escolha a campanha “Subidas da Maré” e siga a trajetória dos foras da lei. Está começando agora neste fascinante universo? Continuar os eventos iniciais com os Faahri na “Primeira Escavação” é a opção recomendada.

Triunfar sobre todas as três campanhas é uma tarefa que pode durar tranquilamente mais de duas dezenas de horas, dependendo da configuração de dificuldade que você escolher (é possível optar entre quatro configurações preestabelecidas ou ajustar manualmente parâmetros como renda, geração de Groove e dano recebido).

Alcançar esse feito libera as missões finais, e ainda há aqui um robusto editor de mapas, completo com opções de compartilhamento online, e um novo modo de jogo, o Conquista, que reimagina o título como um roguelite. Neste modo, que substitui os extras do Wargroove, os desafios subsequentes são gerados aleatoriamente e a morte das suas unidades é permanente. 

Embora eu particularmente tenha passado mais tempo com a campanha principal para esta análise, devo dizer que tanto o Conquista quanto o editor de níveis enriquecem a proposta, assim como as já tradicionais opções multijogador, que felizmente contam com crossplay entre o Switch e o PC. Há até suporte ao modo assíncrono, para quem não tem muito tempo de ficar em frente a uma tela por horas, mas, ainda assim, gostaria de se divertir enfrentando outros jogadores reais.

Beleza em pixel

De nada adiantaria acertar nas campanhas, nas mecânicas e nos modos de jogo se a apresentação falhasse, mas felizmente não é o caso aqui: Wargroove 2 mantém a agradável estética em Pixel Art de seu predecessor, completa com animações caprichadas e bom uso de cores vívidas, que dão constantemente a impressão de um grande jogo de tabuleiro virtual. Os mesmos cumprimentos se estendem à trilha sonora, que pode ser aproveitada em uma seção especial no menu do jogo. 

Meu maior elogio, porém, é destinado ao elenco: desde o início da aventura, somos apresentados aos diversos personagens carismáticos presentes em Wargroove 2, e seus diálogos pré e pós-guerra (completos em português brasileiro) tornam tudo mais leve. Acompanhar seus desenvolvimentos motiva o jogador a continuar avançando para conhecer o desfecho da história, cujos detalhes vão sendo adicionados em um rico códice acessível a partir do menu.

No fundo, inclusive, acredito ser este o maior mérito de Wargroove 2: assim como seu predecessor e as obras que o inspiram, há aqui uma leitura divertida do que são os conflitos em larga escala, apresentada em partidas repletas de desafios que precisam de paciência e bons movimentos (nada de sorte) para serem vencidos. 

Por fim, todo fã de estratégia deve saber: quando perdemos a noção das horas reais, mas não dos terrenos e inimigos virtuais a serem conquistados, sabemos que estamos diante de um dos bons jogos do gênero. Felizmente, a nova obra da Chucklefish entrega isso, com louvor.

Prós

  • Três campanhas com diferentes pontos de vista e dezenas de horas de duração;
  • Potencializa o que já era bom no primeiro jogo, com mais unidades, mais variações de mapa e adições pontuais, como um Groove mais poderoso;
  • O modo Conquista e o editor de níveis adicionam ainda mais horas de jogo para aqueles que decidirem se aventurar nesses recursos;
  • Modo multijogador com suporte a crossplay e partidas assíncronas;
  • Suporte a português brasileiro.

Contras

  • A inteligência artificial ainda é capaz de cometer erros simples;
  • A abundância de recursos e individualidades pode causar confusão, como no caso dos Grooves específicos de cada comandante.
Wargroove 2 — PC/Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópía digital cedida pela Chucklefish

é bacharel em Produção Cultural pela UFF e estudante de Comunicação Social pela FSMA. Na infância, ganhou um Super Nintendo dos pais e, desde então, nunca mais deixou o mundo dos games. Ainda sonha em ser um Mestre Pokémon.
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