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Análise: Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores (Multi) — Uma maneira criativa de se misturar cinema e games

Em um shooter retrô com estética dos filmes dos anos 50, ajude uma tropa rebelde a expulsar alienígenas que tomaram nosso planeta.

Atualmente, quando pensamos em algo com visual retrô nos games, é de praxe imaginar uma imagem que transite entre o 8-bits e os 16-bits. 

A galera do estúdio brasileiro Loomiarts foi um pouco além e buscou inspirações cinematográficas dos anos 1950 para fazer Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores. O resultado foi um shoot ‘em up com uma ambientação bem única e peculiar.

Protegendo a Terra na Era de Ouro

Nosso planeta foi invadido por uma raça alienígena, mas de uma maneira não tão convencional. Seres vindos do espaço sideral chegaram aqui e fizeram promessas de que poderiam transformar o futuro dos humanos em algo maravilhoso. Assim, eles criaram a Corporação Vega, liderada pelo Diretor Zarog, que era apenas uma fachada.

Logo, os então salvadores de outra galáxia começaram a escravizar os humanos de maneira violenta. Para revidar essa repressão, surgiu o Esquadrão 51, uma força rebelde liderada pela Tenente Kaya. A história pode ser um pouco batida, mas ao ser combinada com o estilo estético forma um belo conjunto.

Com exceção das partes jogáveis, Esquadrão 51 trouxe cenas feitas com atores reais em cenários práticos, sem o uso de computação gráfica. As 11 missões do jogo ocorrem como se fossem um longa-metragem, com direito a cenas de aberturas, letreiros gigantescos e narrações que lembram desde o clássico Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock, e chegam até às animações Merry Melodies, que traziam diversos personagens, como Pernalonga e cia.

É uma escolha um pouco fora da curva para os moldes atuais, e talvez por isso tenha me cativado tanto. As cenas com os atores e os aliens maquiados conseguem transmitir muito bem o charme das produções daquela época. Além disso, ter o uso de modelos reais de aviões, discos voadores, bombas, montanhas e cavernas, só para citar alguns, quebra a mesmice que o gênero das “navinhas” sempre trouxe à exaustão, com um surto de cores piscantes e lasers.

A abertura das fases com letreiros e encerramentos que parecem créditos de um episódio também foi uma ótima sacada. Tudo flui tão bem que em nenhum momento ficou a sensação de estranheza pela ausência de cores.

O áudio também desempenhou um papel fundamental na imersão, tanto nas cenas quanto nas sessões de shoot ‘em up. No decorrer das fases, escutamos Kaya discutindo planos e até alertando sobre a situação durante o voo. Inclusive este é um jogo que eu recomendo ser aproveitado com fones de ouvido.

Piloto de elite

Esquadrão 51 não faz questão nenhuma de revolucionar o gênero, se limitando a executar o básico de maneira bem feita, mas algumas coisas podem irritar um pouco. Para um shoot ‘em up, ele traz um ritmo menos frenético, o que é bom para entender o que está acontecendo, mas ainda assim há alguns momentos de grande poluição visual.

Outra coisa que pode causar algumas frustrações é que o ambiente também pode minar algumas das nossas vidas, e aí o padrão em preto e branco pode complicar um pouco a situação dos pilotos. Demorou um pouco para eu me acostumar com a ideia de desviar de montanhas e estalactites além de atirar nos inimigos, mas com o tempo tudo deu certo.

Ao final de cada fase a nossa pontuação é acumulada e determinadas marcas liberam espaços de melhoria, os quais podem facilitar muito a nossa vida. Temos à nossa disposição armas secundárias, como lança-chamas e bombas, melhoria na força da metralhadora principal, diminuição do nosso hitbox para ajudar no dano causado por colisões e multiplicador de pontuação, por exemplo.

Só que o jogo propõe uma dificuldade dinâmica. Isso significa que, sempre que melhorarmos nosso avião, a fase também ficará mais difícil, com inimigos mais imprevisíveis. Essa é uma abordagem bem bacana para quem quer um desafio à altura e não gosta de sentir que está “todo-poderoso” após ter evoluído seu arsenal. 

Algo que me chamou atenção no controle da nave, que eu não me lembro de ter visto em nenhum shooter recente, é que o movimento do avião influencia na direção do disparo. Eu explico: Voando em linha reta, os nossos projéteis se mantêm na mesma direção, mas ao nos movimentarmos para cima ou para baixo, as balas alteram levemente sua trajetória em uma leve diagonal. É uma sutileza interessante para a física proposta.

Em contrapartida, ainda falando da física, a sensibilidade dos controles do avião também pode ser um pouco desafiadora. Nada que um pouco de prática não resolva, mas lembrando que falei que, além de combater inimigos temos que desviar do ambiente, isso pode trazer alguns empecilhos para jogadores menos experientes.

No mais, quem é fã do gênero, assim como eu, vai aproveitar cada parte desta jornada, pois Esquadrão 51 é simplesmente divertido de controlar. Sempre vale a pena revisitar cada área, após melhorarmos nossos equipamentos, para ver se conseguimos um desempenho melhor.

Uma obra de arte de outro mundo

Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores foi buscar uma inspiração inusitada para um gênero cheio de moldes estabelecidos e conseguiu um produto inovador. A dificuldade pode cobrar um pouco dos jogadores mais inexperientes, mas é um título que vale muito a pena para quem gosta do gênero, de ideias criativas ou até mesmo do cinema da Era de Ouro. E sempre gosto de lembrar que este é mais um excelente jogo produzido por um estúdio daqui.

Prós

  • O estilo estético dos anos 50, baseado em efeitos práticos, maquiagem e cenários reais, cai como uma luva;
  • As cenas com atores reais são uma ótima sacada para trazer originalidade para o jogo;
  • Trilha sonora, trabalho de vozes e efeitos casam muito bem com a proposta
  • Ritmo da jogabilidade torna o aprendizado do jogo mais fácil;
  • A dificuldade se adapta às melhorias que fazemos no nosso avião, que são muitas.

Contras

  • De início, a dificuldade acentuada pode ser um problema para os novatos;;
  • Os controles sensíveis demandam uma certa atenção até nos acostumarmos, principalmente para não bater no cenário.
Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores — PC/PS4/Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela WhisperGames

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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