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Análise: Turbo Overkill (PC) é tudo que um shooter retrô deve ser

Quebre tudo com a nova obra da Apogee Entertainment.

Você já ouviu falar no termo Boomer Shooter? Criado para referenciar os clássicos jogos de tiro em primeira pessoa da década de 1990, como DOOM e Quake, a alcunha acabou se popularizando ao longo dos anos, servindo para definir os jogos modernos que emulam esse estilo que tanto marcou sua época.

Desenvolvido pela Trigger Happy Interactive e distribuído pela Apogee Entertainment (um nome que certamente trará memórias aos entusiastas de FPS, devido à sua participação em obras como Duke Nukem 3D), Turbo Overkill é um legítimo Boomer Shooter, oferecendo ação e tiroteio em níveis que beiram o absurdo e constantemente surpreendem o jogador. O resultado? Um título imperdível para os fãs deste subgênero.

Seu nome? Johnny Turbo. Sua missão? Matar praticamente tudo que se move

Turbo Overkill se passa em Paradise, um mundo cyberpunk em que toda a população está sendo controlada por Syn, uma perigosa inteligência artificial com um exército de robôs e criaturas modificadas à sua disposição.

Neste cenário fascinante, mas desesperador, você encarna Johnny Turbo, um mercenário que retorna a Paradise com o objetivo de derrotar Syn e usar o dinheiro da recompensa para reparar alguns dos seus erros passados. 

Para isso, você conta com alguns recursos especiais na manga, como mísseis teleguiados em seu punho, uma motosserra em sua perna direita e um arsenal desbloqueável que faria até mesmo o Doomslayer ter um pouco de inveja. Que fique o alerta, porém: saber quando e como usar todas essas ferramentas será a chave para sobreviver neste universo.

Me leve à Cidade Paraíso

Assim como em outros Boomer Shooters, a história de Turbo Overkill é basicamente um pretexto para as fases cada vez mais absurdas e repletas de inimigos. Felizmente, a Trigger Happy Interactive entende perfeitamente o que é apaixonante no subgênero, e já nos primeiros minutos de gameplay é muito difícil não ser fisgado pela obra.

O primeiro ponto que chama atenção é a velocidade do jogo: apesar de ser um mercenário repleto de implantes, Johnny se move assustadoramente rápido, fazendo com que mesmo os confrontos mais simples, pensados para apresentar as mecânicas da obra, já sejam empolgantes. 

As mecânicas, inclusive, são o ponto mais alto de Turbo Overkill, na minha opinião. O simples ato de deslizar, por exemplo — uma trivialidade na maioria dos jogos de tiro —, aqui é uma das armas mais eficazes e mortais, graças à motosserra instalada na perna do protagonista.

Junte a isso a capacidade de se agarrar e deslizar nas paredes, um impulso à la Doom Eternal (que pode ser usado em todas as direções), e um arsenal cada vez maior, e você tem a receita certa para combates frenéticos e viciantes, protagonizados por uma verdadeira máquina mortífera (você). 

A verdade é que, quando preenche a tela com inimigos, Turbo Overkill promove uma ação quase hipnotizante, o que faz com que cada novo encontro passe a ser antecipado pelo jogador. Uma vez que não há uma única maneira de triunfar sobre os inimigos, nem um único nível de dificuldade, o que há aqui é quase uma caixa de areia para quem gosta de estourar (ou serrar) oponentes virtuais sem pensar muito nos motivos e porquês. 

Onde eu estou, exatamente?

Falando da progressão em si, Turbo Overkill é dividido em fases de aproximadamente 15 a 25 minutos, com novos recursos sendo regularmente apresentados ao longo delas para aprimorar a matança e o fator replay dos níveis anteriores, que podem ser rejogados a qualquer momento a partir do menu inicial. 

Matar inimigos gera dinheiro, que pode ser usado em diferentes upgrades tanto para as armas (cada uma possui um disparo alternativo a ser comprado; o meu favorito transformou a metralhadora em um letal lança-chamas, por exemplo) quanto para o corpo meio humano, meio máquina de Johnny.

Com boa variedade de inimigos (há um bestiário completo para ler suas descrições e saber mais sobre as fraquezas de cada um), armas e até mesmo colecionáveis (cada estágio esconde fitas e chips secretos, que desbloqueiam mais níveis e até modificadores), o único problema considerável de Turbo Overkill, na minha opinião, diz respeito à ausência de um mapa ou compasso, pois não é incomum “se perder” no meio das fases e acabar dando voltas e mais voltas em busca do caminho certo. Sendo bem honesto, é algo que incomoda, principalmente por contrastar com o ritmo alucinante dos confrontos. 

Cabe lembrar que esse é um problema que também afeta outros jogos do gênero, como o recente Warhammer 40,000: Boltgun (Multi). Considerando que a remasterização de Quake II (um dos pais do estilo) adicionou um mapa para facilitar a navegação, acredito que a ausência de um recurso concreto de localização é uma opção arcaica e prejudicial no fim das contas. Particularmente, torço para que o recurso seja adicionado em uma atualização futura.

Perfeição retrô

Artisticamente falando, Turbo Overkill certamente impressiona, com uma interessante mescla de visuais retrô e efeitos modernos de iluminação que homenageiam o passado e promovem um espetáculo à parte, além de muitas possibilidades para os jogadores que curtem passar horas explorando o modo foto.

O mesmo pode-se dizer da trilha sonora, que mescla samples eletrônicos com metal pesado de forma dinâmica, sempre ambientando e imprimindo o ritmo necessário às sequências de ação. 

Sendo até agora um jogo exclusivo do PC, os jogadores também podem esperar uma variedade de opções pensadas para a plataforma, como campos de visão individuais e customizáveis; suporte a diferentes proporções ultrawide; e até um robusto editor de níveis, completo com opções de compartilhamento. Eu experimentei algumas criações para esta análise e devo dizer que elas podem estender consideravelmente a longevidade do título, a depender do entusiasmo da comunidade a longo prazo. 

É só uma pena que a aventura não conte com suporte ao Ray Tracing, nem ao português brasileiro como opção de idioma, pois alguns cenários e reflexos de Paradise certamente se beneficiariam da tecnologia. Assim como a questão do mapa, fica a expectativa de que esses recursos sejam implementados com o tempo, melhorando ainda mais o que já é excelente.

Modo turbo: ativado

Ao entender e amplificar o que torna os jogos de tiro clássicos tão divertidos, Turbo Overkill se mostra uma obra muito divertida e, honestamente, essencial para os fãs do subgênero Boomer Shooter.

Ágil e surpreendente como poucos títulos no mercado, a jornada de Johnny Turbo comprova que atirar primeiro e perguntar depois ainda funciona muito bem no mundo dos games. Quem ganha com isso somos nós, os jogadores.

Prós

  • Jogabilidade ágil, frenética, quase hipnotizante;
  • O arsenal variado, progressivamente desbloqueável, confere liberdade ao jogador e aumenta o fator replay do título;
  • Os vários níveis de dificuldade garantem acessibilidade;
  • A mescla da estética retrô com efeitos visuais modernos promove um espetáculo à parte;
  • O recurso de criação e compartilhamento de fases é bem-vindo e pode prolongar indefinidamente a vida útil do título.

Contras

  • Não é exatamente raro “se perder” no meio da ação, e isso pode incomodar alguns jogadores;
  • A ausência de um mapa ou de opções mais concretas de localização dentro de um nível incomoda e quebra o ritmo ágil da aventura;
  • Ausência de suporte ao português brasileiro.
Turbo Overkill — PC — Nota: 9.5
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Apogee Entertainment

é bacharel em Produção Cultural pela UFF e estudante de Comunicação Social pela FSMA. Na infância, ganhou um Super Nintendo dos pais e, desde então, nunca mais deixou o mundo dos games. Ainda sonha em ser um Mestre Pokémon.
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