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Análise: 30XX (PC/Switch) é um game obrigatório para qualquer fã de Mega Man X

Gameplay consistente e modos de jogo engajadores são os principais destaques desta verdadeira homenagem ao herói da Capcom.

em 08/08/2023
Se você é um entusiasta de Mega Man X, 30XX foi desenvolvido especialmente pensando em você. Disponibilizado em acesso antecipado em fevereiro de 2021, esse título se inspira fortemente no nostálgico jogo da Capcom, que cativou fãs ao redor do globo. Embora não tenhamos recebido muitas atualizações sobre nosso adorado herói azul, encontramos uma excelente compensação neste emocionante projeto criado pela Batterystaple Games.

Qualquer semelhança não é mera coincidência

Desenvolvido como uma sequência de 20XX, 30XX oferece uma aventura de ação em plataforma 2D com elementos de roguelite, inspirados livremente em Mega Man X. Lançado em acesso antecipado em fevereiro de 2021, está dividido em três modos distintos, cujo objetivo central é derrotar os oito chefes posicionados em fases temáticas, adquirindo novos poderes essenciais para confrontar a poderosa chefe final, Ellie, na nona e última etapa.

O modo principal compreende o roguelite, no qual o jogador deve atravessar os nove níveis do jogo em uma única tentativa. Ou seja, um fracasso resulta em um "game over" e requer um recomeço desde o início. Com um visual retrô bem caprichado e uma trilha sonora envolvente, temos à nossa disposição dois personagens para jogar: Nina, uma amigável robozinha com armadura azul, capaz de disparar tiros carregados; e Ace, um indivíduo com estilo, vestindo uma armadura vermelha e empunhando uma lâmina laser potente, capaz de cortar praticamente qualquer obstáculo. É notório que esses dois personagens são inspirados em X e Zero, respectivamente.



Nina tem a capacidade de assimilar os principais golpes dos chefes derrotados, destacando-se por fundir esses ataques para criar armas únicas e extremamente poderosas, que auxiliam seu progresso. Cada nova arma de Nina é alocada em até três botões diferentes do controle para facilitar sua execução.

Enquanto isso, a jogabilidade de Ace é centrada no combate próximo, aprendendo técnicas especiais que reforçam suas habilidades de ataque e mobilidade. Essas habilidades podem ser livremente atribuídas a diferentes combinações de botões no controle para deixar o jogador extremamente à vontade para utilizá-las.
O arsenal dos heróis pode ser livremente customizado para tornar o gameplay mais confortável e ágil para o jogador.
O modo roguelite, que é o cerne de 30XX, oferece uma experiência de jogo sempre singular. As fases são geradas de maneira quase totalmente procedural, o que implica que cada nova tentativa trará um arranjo diferente do estágio. Salvo alguns segmentos, como confrontos contra subchefes e áreas-chave em cada nível, a estrutura geral do estágio varia constantemente.

Ao longo da partida, Nina ou Ace podem obter itens que alteram suas habilidades. Esses itens incluem disparos múltiplos, armas com alcances ou danos diversos, saltos duplos, aumento na obtenção de itens de cura e armadura, entre outros. A diversidade de itens para descobrir a cada nova tentativa é vasta, o que significa que, mesmo após várias horas de jogo, ainda restam inúmeras descobertas a serem feitas.
O objetivo do jogador em 30XX é derrotar todos os chefes sem morrer.
Derrotar chefes e concluir fases proporciona a coleta de um recurso chamado "Memoria", usado para desbloquear melhorias permanentes para os protagonistas, como aumento da vida máxima e energia inicial, melhoria na coleta de itens, maior capacidade de uso de equipamentos e até a escolha, mesmo com opções limitadas, da próxima fase.

Adicionalmente, após algumas partidas, um novo tipo de modificador, chamado de "Entropia", se torna acessível. Esses modificadores visam principalmente aumentar a dificuldade do jogo, tornando inimigos mais resistentes, mais letais ou mudando seus padrões de comportamento. Esses ajustes podem também prolongar a duração das fases. Pessoalmente, um dos modificadores mais empregados foi o último, com o intuito de prolongar a experiência de jogo.

Uma dinâmica interessante no modo roguelite de 30XX envolve a seleção das fases. Inevitavelmente, as fases iniciais serão mais acessíveis. A ordem das fases enfrentadas não é completamente controlável pelo jogador. Existe um modificador que concede certo grau de escolha, mas é crucial estar atento ao momento em que cada estágio será acessado.
Algumas fases possuem trechos que, se concluídos, rendem recompensas adicionais.
Por exemplo, o estágio Echocave, cujo chefe é Echobeast, apresenta um ambiente subterrâneo. Se esse estágio for enfrentado nos primeiros momentos da partida, ele é relativamente simples de concluir. Porém, se essa mesma fase for uma das últimas a serem jogadas, digamos a sétima ou oitava da sequência, a dificuldade aumenta devido a inimigos mais formidáveis, armadilhas mais elaboradas e maior resistência do chefe.

Assim, após algumas horas de jogo, à medida que se compreende as dinâmicas das fases e os padrões dos chefes, torna-se importante priorizar as fases consideradas mais desafiadoras inicialmente. Isso evita que essas fases se tornem extremamente complicadas no decorrer da partida. Em suma, 30XX envolve um constante processo de aprendizado e evolução pessoal após cada conclusão, seja com vitória ou derrota.

O segundo modo de jogo transforma 30XX em um Mega Man clássico, afastando a característica de morte permanente que reseta o progresso. Nesse modo, as fases seguem padrões fixos, e todas as melhorias obtidas permanecem ativas. Além disso, os aprimoramentos permanentes adquiridos no modo roguelite permanecem válidos, e até mesmo os modificadores de Entropia podem ser ativados. Essa abordagem proporciona a autêntica experiência de Mega Man para quem busca uma pausa do roguelite ou não aprecia esse estilo de jogo.

Por fim, o terceiro modo disponível é o "Community". Nele, o jogador enfrenta a mesma dinâmica do modo roguelite, porém com fases criadas pela comunidade do jogo. Sim, é possível experimentar as criações mais inusitadas, criativas e notáveis que os membros da comunidade têm desenvolvido desde a introdução do "Modo Maker" na atualização de 7 de junho deste ano.


Eu mesmo experimentei algumas partidas nesse modo, buscando compreender as criações da comunidade. O resultado foi uma mistura de boas surpresas e algumas experiências menos satisfatórias. A diversidade criativa é imensa quando se trata de criar estágios originais para que outros jogadores possam desfrutar.

Também me aventurei nas ferramentas de criação de níveis, porém, pessoalmente, preferi deixar essa tarefa para aqueles mais inspirados e dedicados. Não que a ferramenta seja complexa, há até um amigável tutorial ensinando como usá-la, mas a criação não é exatamente minha especialidade. Optei por explorar as ideias de outros jogadores e me diverti consideravelmente com isso.
O modo Maker tem tudo para ser a ferramenta que dará mais fôlego para o jogo após seu lançamento.
Outros modos alternativos também estão disponíveis na forma de batalhas apenas contra os chefes e desafios diários e semanais de tomada de tempo, com o intuito de treinar o jogador cada vez mais para que consiga dominar o jogo o máximo possível. Além da possibilidade de jogar em modo cooperativo local ou online para dois jogadores, com cada um assumindo o papel de cada um dos heróis. De todo modo, sempre terá algo para se fazer em 30XX, nem que seja por alguns minutos por dia.

Anos de melhorias que valeram a pena

Um aspecto digno de destaque nesta análise é o fato de que 30XX esteve em acesso antecipado por mais de dois anos, e somente agora os desenvolvedores da Batterystaple Games firmaram a decisão de que o jogo está pronto para sua versão 1.0. Este marco foi alcançado graças ao empenho e dedicação não apenas da equipe de desenvolvimento, mas especialmente da comunidade que participou de maneira ativa, jogando e compartilhando suas impressões. O resultado é um produto notável que chega à sua forma final na semana da publicação deste artigo.

Durante o período em que tive a oportunidade de analisar o jogo, observei as discussões que se desenrolaram. Ficou evidente o nível de atenção dispensado tanto pelos desenvolvedores quanto pela comunidade, fator que desempenhou um papel crucial na excelência de 30XX. Essa atenção se refletiu em ajustes significativos, abordando questões de jogabilidade, equilíbrio e, notavelmente, no modo Maker, um dos pontos altos do título.

Embora não tenha acompanhado o feedback desde seu início, com o lançamento do acesso antecipado em 2021, principalmente devido à ausência de um PC adequado para jogos, o resultado que se apresenta agora, quase no último minuto, demonstra claramente que o tempo dedicado ao refinamento do jogo foi empregado com sabedoria. Claro, alguns pequenos bugs ainda persistem aqui e ali, mas a perfeição é algo inatingível.

Um aspecto que merece atenção, entretanto, está relacionado à localização do jogo para nosso idioma. Apesar do suporte a várias línguas, a tradução para o português requer cuidado especial. Algumas das traduções parecem estar em estágio inicial e não condizem com o contexto que se pretende transmitir. Além disso, há partes do texto que apresentam informações incorretas.

Um exemplo disso é o menu de seleção de modos, onde é informado que no Modo Mega podemos experimentar a ameaça iminente da morte permanente, quando, na verdade, a informação correta seria que podemos jogar sem essa ameaça. Além desse trecho, outros textos também podem gerar confusão, como as descrições de itens que, ao serem utilizados pela primeira vez, não deixam claros se são vantajosos ou não. Diante dessas incertezas, optei por jogar 30XX em inglês para evitar confusões e aguardar possíveis correções nos textos em nosso idioma.
Em algumas cenas a câmera assume ângulos muito abertos, deixando nosso personagem minúsculo.
Outro ponto diz respeito à câmera, que as vezes assume um ângulo muito afastado e pode atrapalhar em certos momentos, o que inclui algumas lutas contra chefes. Por ser um título nativamente widescreen, as vezes o ângulo fica muito aberto e os personagens ficam bem pequenos, exigindo um nível de atenção bem alto para evitar erros. Felizmente, isso não é tão frequente, mas é um ponto de atenção.

Contudo, apesar destas colocações, 30XX se estabelece como um produto de entretenimento impressionante e merecedor de atenção, especialmente para aqueles que compartilham a nostalgia pelos jogos do icônico robô azul. Como um fã que não mantém mais esperanças de novos lançamentos relacionados a ele em um futuro próximo, recomendo explorar este jogo que oferece uma experiência notável e envolvente.

Um digno representante de um legado azul

30XX se destaca como um verdadeiro sucessor espiritual de Mega Man X, iluminando a relevância do título da Capcom durante uma era em que os jogos de ação em plataforma 2D alcançaram seu apogeu. Embora sua inspiração seja clara, 30XX consegue forjar uma identidade própria por meio de sua jogabilidade polida e precisa, bem como seus modos de jogo envolventes, que mantém o jogador grudado no controle por horas a fio. É uma dádiva poder desfrutar desse jogo nos dias atuais.

Prós

  • Visual retrô esbanja capricho nos detalhes e efeitos especiais;
  • Trilha sonora empolgante;
  • Jogabilidade precisa e de resposta rápida;
  • Muito conteúdo que rende um fator replay praticamente infinito;
  • O modo cooperativo local e online traz uma nova dinâmica de jogo.

Contras

  • Localização para o português conta com vários erros de tradução e contexto;
  • O modo Maker exige um bom tempo para usá-lo com qualidade e pode não ser tão interessante para alguns jogadores;
  • Algumas áreas com a câmera muito afastada geram desconforto ao jogar;
  • Bugs gráficos pontuais.
30XX — PC/Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital cedida pela Batterystaple Games

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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