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Análise: OU (PC/Switch): um breve passeio por um mundo de conto de fadas

Sem memórias de si, um menino explora um mundo esquisito com a ajuda de um gambá falante com rabo flamejante.

Desenvolvido por Osakana Koda em parceria com a room6 e a G-Mode, OU é um jogo de aventura que explora a perspectiva de navegar pelas páginas de um livro. Na pele de um menino sem memórias, precisamos procurar o nosso lugar neste mundo esquisito chamado U-Chronia.

Em um mundo de conto de fadas

Tudo começa com o nosso personagem acordando em uma área próxima a uma ponte. Sem memórias, ele decide seguir um gambá falante de rabo flamejante que promete guiá-lo. Começamos então a mergulhar em um mundo que se assemelha a um conto de fadas, mas é apresentado de forma desconexa.

Sem entrar em muitos detalhes, a trama possui vários finais de acordo com as ações do jogador, mas nem todos estão disponíveis já de início. Para encontrar a resolução verdadeira da história, que traz algumas explicações importantes para trama e um toque curioso de discussão metanarrativa, é necessário repeti-la duas vezes.

Mesmo na primeira tentativa, já é natural visitar várias vezes as mesmas áreas, então, o jogo tende a uma dose forte de monotonia. Felizmente, mantemos o inventário entre as tentativas, deixando as explorações subsequentes mais ágeis em comparação. A trama tem poucos textos de forma geral, sendo mais uma questão de se movimentar de um lado para o outro, embora seja curioso notar que, até o momento em que joguei, ela ainda conta com alguns pequenos erros de digitação e inconsistências (como um fantasma que ora é chamado de “Saudage” ora “Saudade”, que parece ser o termo mais apropriado).

Apesar disso, o mundo esquisito de U-Chronia chama bastante a atenção em sua composição. Viajamos por áreas de floresta, vilas pequenas, um quarto de hospital, uma ilha com um sanduíche gigante, entre outras localidades. Temos ainda alguns termos em espanhol aqui e ali e um grupo de gambás com roupas típicas do México.

A trilha sonora também é fundamental para a atmosfera, sendo composta principalmente por músicas que deixam o violão em destaque. As faixas tendem a ser bem suaves e reforçam uma sensação reconfortante e igualmente melancólica. Junto com o estilo visual mais focado em contornos, formas e na cor marrom, a sensação é a de estarmos de fato mergulhando em um livro de conto de fadas com alguns toques de estranheza.

Uma visita com um toque leve de interação

Em termos de gameplay, OU é uma aventura simples cuja interação se restringe prioritariamente à movimentação do personagem e à capacidade de usar “stickies”, ou seja, papéis com adesivos. Em alguns momentos, temos também a habilidade de interagir com objetos e personagens, mas isso é bem incomum dentro do mundo de U-Chronia.

A cada nova área, nós precisamos encontrar uma área de água para mergulhar e ir para a próxima “página”, geralmente movimentando nosso personagem da direita para a esquerda como na orientação japonesa de leitura. No caminho, é possível tentar interagir com os objetos dos ambientes diretamente ou atirando os stickies como se fosse um estilingue, alterando a mira para cima ou para baixo.

Os papéis adesivados contam com frases descrevendo os objetos, geralmente em um tom poético. Com isso, espalhamos interpretações curiosas sobre os vários aspectos desse mundo. Há ainda casos especiais como os stickies de vagalume e fogo que possuem efeitos especiais (iluminar áreas escuras e queimar coisas, respectivamente), mas essas utilidades adicionais são raras.

Infelizmente, a nossa capacidade de interação é realmente bem limitada, deixando o jogador com pouca agência, apenas seguindo de um lado para o outro da tela. Há alguns momentos um pouco diferentes, como as áreas em que é necessário correr do fantasma Saudage ou lidar com uma espécie de “chefão”, mas elas são raríssimas ocasiões dentro do jogo.

Uma aventura curiosa que poderia ser mais

De modo geral, OU é um jogo de aventura que chama a atenção com seu estilo e vale a pena para fãs do gênero. Porém, a capacidade muito limitada de interação com o ambiente deve manter o jogo menos interessante para os jogadores fora desse escopo. Mesmo assim, é um tipo de título experimental que considero valer a pena correr atrás de vez em quando e espero que um futuro lançamento do criador possa explorar ainda melhor as ideias que fazem OU fascinante.

Prós

  • Estilo visual bem curioso, com tendência ao tom marrom, que reforça o tom de “conto de fadas esquisito” da obra;
  • Trilha sonora suave com composições que geralmente dão destaque ao violão;
  • Sistema de stickies permite interagir com o mundo de uma forma única;
  • As reviravoltas do final verdadeiro apresentam uma interessante camada metanarrativa.

Contras

  • A capacidade de interagir com o ambiente é bem limitada, reduzindo a agência do jogador;
  • A estrutura de finais exige uma dose monótona de repetição;
  • Alguns erros de digitação e pequenas inconsistências no texto em inglês.

OU — PC/Switch — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela G-Mode


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
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