Yu-Gi-Oh! Master Duel (Multi): uma análise do primeiro aniversário do jogo de cartas eletrônico

Como anda o mais ambicioso videogame da Konami para a famosa franquia multimídia um ano após o lançamento?


Em um mercado cada vez mais competitivo, manter um game relevante pode ser uma tarefa complicada. Um dos lançamentos atuais que está nessa luta é Yu-Gi-Oh! Master Duel, lançado em 20 de janeiro de 2022 e que trouxe o universo do jogo de cartas mais famoso dos videogames de forma inédita e gratuita. Nessa matéria, vamos analisar o impacto do game até agora e prospectar o seu futuro depois do recente aniversário.

Coração das cartas não tem fim

O sucesso da franquia Yu-Gi-Oh!, que constantemente recebe novos lançamentos para os videogames, se deve em boa parte à sua presença multimídia. No Brasil, em particular, tivemos a enorme febre das cartas jogáveis e colecionáveis em meados dos anos 2000 e a exibição do anime na televisão. Mesmo hoje, com menor popularidade, ainda é possível achar baralhos “alternativos” e oficiais em bancas de camelô e lojas de brinquedos.
Um dos primeiros e maiores sucessos da franquia nos videogames
No mundo dos games, um dos títulos mais famosos certamente é Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories (PS1), um clássico que, embora tenha regras bem diferentes do jogo oficial, gozou de um sucesso enorme. Vários outros saíram ao longo dos anos e, recentemente, tivemos Duel Links – lançado para dispositivos móveis e PC –  que contou com uma jogabilidade mais próxima da oficial e uma bela produção.
 
Dado esse histórico, era de se esperar que a recepção de Yu-Gi-Oh! Master Duel seria considerável. Conforme conferimos na sua análise, ele apresentou boas qualidades e conseguiu capturar com competência as mecânicas de jogo. A quantidade de conteúdo inicial era respeitável, assim como a boa variedade nos modos de disputar os famosos duelos.
Cada duelo é repleto de possibilidades
Nesse pouco mais de um ano após o lançamento tivemos poucas mudanças profundas no game, conforme vamos conferir. De maneira geral, creio que essa tendência tenha se valido de uma estrutura inicial bastante sólida e de uma proposta construtiva: o negócio foi aprimorar e expandir, mas sem inovar muito. Inclusive, todas as dicas que foram apresentadas aqui no GameBlast continuam valendo, sobretudo para os novos jogadores.

Uma ótima mão inicial

Master Duel começou muito bem e engatou diversas atualizações bastante interessantes. A mais importante delas foi rapidamente melhorar a estabilidade de conexão e desempenho, evitando as constantes quedas e bugs que ocorreram no princípio. Nada revolucionário, mas extremamente crítico, visto que, por vezes, isso demora a acontecer em jogos gratuitos para jogar (estou olhando para você, Call of Duty: Warzone 2.0)
Existem muitos combos novos e poderosos
A quantidade enorme de cartas disponíveis desde o lançamento tornou fácil a composição de praticamente qualquer baralho. Outro ponto inicial ótimo foi a boa quantidade de “Portões” no Modo Solo, que misturam histórias, duelos e recompensas interessantes. Ou seja, mesmo quem não curtia o competitivo tinha muita opção para jogar. Aliás, disputar diretamente com os amigos continua muito fácil, sobretudo pelas capacidades cross-play e cross-save
São várias opções para lutar tranquilamente contra a máquina
Ambos os Portões e as cartas, bem como baralhos prontos e pacotes, receberam adições às suas fileiras com o passar das atualizações, hoje contabilizando uma quantidade ainda mais considerável. Se o jogador tiver apreço pela franquia, certamente vai encontrar diversão. Confesso que o matchmaking ainda pode ser meio frustrante em alguns momentos, mas em geral ele oferece uma boa variedade de desafios.

Evoluindo o jogo

Levando o game além do básico, tivemos a presença de diversos eventos ao longo do ano. Com eles, foi possível conhecer baralhos novos de forma gratuita e obter recursos valiosos para construir baralhos próprios e itens cosméticos. Outra grande qualidade são as limitações impostas por essas campanhas: ao não permitir o uso de determinadas cartas, evita-se as estratégias “modinha”, levando os jogadores a repensarem suas estratégias.
O Evento de Aniversário trouxe boas surpresas, incluindo esse belo campo de duelo
Como duelista mais casual, é muito frustrante participar de meia dúzia de partidas contra os mesmos decks com as mesmas cartas e táticas. Portanto, foi muito bom ver a presença frequente desses eventos. Além disso, eles ajudaram a acabar com outra preocupação que eu tinha no lançamento quanto aos recursos de gemas e pontos de fabricação.
 
Explicando melhor: é preciso utilizar gemas para comprar baralhos ou pacotes de cartas, assim como pontos de fabricação (dos tipos UR, SR, R e N, tais como as cartas) para gerar cartas específicas. Tais recursos podem ser obtidos de várias formas, como avançar nos ranques online, completar cenários no Modo Solo, comprar o passe de temporada e, finalmente, participar dos eventos. De longe, o último foi a melhor fonte.
É possível montar qualquer baralho com certa facilidade
Master Duel também recebe constantes atualizações na sua lista de cartas proibidas/limitadas. Para quem não sabe, Yu-Gi-Oh! conta com essa relação de cartas quase desde o seu surgimento como jogo de mesa, controlando o uso excessivo de táticas apelonas demais. Acredito que os banimentos poderiam ser mais agressivos, mas ao menos eles acontecem periodicamente.
Quanto mais animações, mais envolventes se tornam os duelos
Outras novidades que chegaram com o tempo foram melhorias e personalizações para o andamento das partidas. Inicialmente, o game era excessivamente travado, com intervalos muito longos para o jogador realizar ações, e com muitas animações desnecessárias, seja em quantidade ou morosidade. Atualizações sucessivas tornaram tudo mais dinâmico, melhorando cada um desses problemas e adicionando opções extras para quem quisesse ignorar ou suavizar o “show” durante as partidas.

Ainda falta comprar mais cartas?

Falei das novidades que Master Duel recebeu, todas elas positivas. O que resta agora é falar sobre o que falta melhorar no jogo e o que podemos esperar para o futuro. Particularmente, eu acredito que ele deveria ter alguma referência ao anime, mesmo que fosse somente no Modo Solo. Seria legal reviver algumas aventuras e cenários clássicos usando uma jogabilidade mais robusta.
Também seria legal ter mais animações tridimensionais para as cartas e mais artes para invocações de monstros. A quantidade disponível agora ainda é limitada, sobretudo dada a enorme variedade de baralhos e arquétipos diferentes que temos para escolher. Será que é demais sonhar com as miniaturas tridimensionais dos monstros sobre as cartas? Confesso que esse seria um “ápice”, mas é possível fazer mais ao ficar no meio termo.
 
Sobre o que podemos esperar para o futuro, creio que dificilmente as minhas expectativas (sobretudo a das cartas tridimensionais) serão atendidas. Considerando que Duel Links é fortemente baseado nas séries de anime, a distinção entre os dois títulos deve continuar. Acredito que o mais certo sejam novas animações, Portões e cosméticos, além dos eventos periódicos.
Temos uma boa quantidade de acessórios cosméticos para equipar
Todas essas novidades serão muito bem-vindas, mas não serão capazes de dar aquele passo à frente para tornar um jogo recomendável em imperdível. Claro que a maioria dos fãs da franquia já deve considerá-lo uma boa pedida, mas seria incrível ter acesso a grandes momentos do desenho animado com uma produção caprichada ou então disputar duelos com efeitos ainda maiores e melhores.

Que venham mais anos de sucesso!

Enquanto completar doze meses com competência seja digno de parabéns, é a partir de agora que Yu-Gi-Oh! Master Duel precisará mostrar a que veio. A concorrência de jogos gratuitos de qualidade é alta, mesmo no gênero cartas, então é preciso constantemente trazer novos conteúdos e eventos para envolver os jogadores. Os passos dados até agora, embora não tenham revolucionado a proposta básica, solidificaram o que era bom e aprimoraram pontos claudicantes.
Vamos ver o que o futuro reserva para o game
Inclusive, caso eu fosse repensar a nota do game pelo seu estado atual, eu daria um 8.5. Ele está bem estável e conta com mais configurações para otimizar o andamento das partidas. Admito que eu esperava ver mais novidades relevantes, sobretudo em relação ao anime, mas entendo que essa não seja a proposta. Se Master Duel continuar mantendo o ritmo de atualizações e eventos, além de melhorar as listas de banimento, então certamente um novo aniversário virá com todos os méritos.

Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut

é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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