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Análise: Return to Monkey Island (PC/Switch) une tradição e modernidade em uma primorosa aventura pelo alto-mar

Guybrush e seus amigos estão de volta em mais uma excêntrica aventura pela Ilha dos Macacos.


Após um hiato de quase 10 anos, a série Monkey Island está de volta. Return to Monkey Island é a nova empreitada de Guybrush Threepwood, que busca descobrir o que de fato é o segredo da Ilha dos Macacos. Mais que o saudosismo dos fãs, o novo título gerou muita expectativa pela volta de Ron Gilbert e Dave Grossman na direção; Michael Land, Peter McConnel e Clint Bajakian como compositores e Dominic Armato na voz de Guybrush. Então, marujo, pegue seu tapa-olho, suba à bordo e venha curtir esta singular aventura pirata.

Eu sou Guybrush Threepwood, um poderoso pirata

Já são quase 30 anos desde a última participação de Ron Gilbert na franquia Monkey Island e a sua saída da LucasArts. O diretor esteve presente no desenvolvimento dos dois primeiros jogos da série, The Secret of Monkey Island e Monkey Island 2: LeChuck’s Revenge, e o curioso final do segundo jogo ficou sem uma explicação, até agora. 

Uma das promessas de Gilbert era que as principais dúvidas dos jogadores fossem resolvidas. Não darei spoilers sobre isso, mas garanto que as respostas foram dadas de maneira engraçada e inteligente de uma forma que apenas Monkey Island poderia proporcionar.




Return to Monkey Island é uma continuação direta de LeChuck’s Revenge. Guybrush está de volta à Ilha Sopapo e planeja uma incursão para a Ilha dos Macacos e descobrir, de uma vez por todas, qual é o segredo da famosa ilha. Enquanto busca por um barco e uma tripulação, o pirata descobre que seu arqui-inimigo, o fantasma zumbi LeChuck, está preparando uma viagem com o mesmo objetivo.

Desesperado para não perder essa disputa com LeChuck, Guybrush começa a explorar a ilha para encontrar alguma forma de passar seu inimigo para trás e descobrir o segredo antes dele. Para isso, o protagonista precisará da ajuda de velhos e novos amigos para dar continuidade em sua missão.



De volta à Ilha dos Macacos

Return to Monkey Island retoma à sua tradicional jogabilidade point-and-click dos anos 90, adicionando uma série de modernidades à aventura. O gameplay se resume a explorar diferentes cenários, conversar com pessoas e coletar e combinar itens para resolver uma série de quebra-cabeças que aparecem pelo seu caminho. 

O título apresenta uma dinâmica muito familiar aos fãs da série. Primeiramente, podemos escolher o nível de dificuldade do jogo. Enquanto no nível mais difícil os puzzles apresentam desafios com várias etapas, o nível fácil simplifica a aventura de forma que novatos conseguem aproveitá-la sem desgaste.




O jogo mapeia as ações com itens e cenários com os dois botões do mouse, além de descrever com clareza o que Guybrush pode fazer. Isso torna os puzzles intuitivos, apesar da dificuldade. Além disso, o protagonista pode se locomover velozmente pelo mapa, agilizando a resolução dos desafios e tornando a aventura mais dinâmica.

A ambientação de Return to Monkey Island é excelente, com gráficos lindos – apesar da controvérsia desde seu anúncio – e cenários cheios de vida. Destaca-se também a tradução dos textos para português, cuja localização não apenas adaptou as piadas, como também placas e mensagens pelos cenários. 

Vale ressaltar que a dublagem, principalmente de Dominic, está perfeita e todos os personagens transbordam carisma em suas atuações. A trilha sonora é outro ponto muito positivo, com composições que ajudam na imersão do jogador e abraçam de maneira carinhosa os fãs de longa data.



Todos à bordo do Macaco Marinho

É perceptível que uma das principais preocupações dos desenvolvedores foi criar um produto que fosse acessível e desafiador ao mesmo tempo. Isso se reflete não apenas na escolha da dificuldade, como também na adoção de sistemas que facilitam a resolução de puzzles e interação com os elementos do cenário.

A principal inclusão adotada consiste no livro de dicas. Durante qualquer momento podemos consultar o livro no inventário, que irá nos guiar, de maneira sutil, na solução dos quebra-cabeças. Foi uma maneira brilhante de ajudar os jogadores que ficam presos em determinados trechos. Outra boa adição é a possibilidade de olhar quais objetos no cenário podemos interagir ao toque de um botão.




Acredito que tais mecânicas sejam excelentes para jogadores que não possuem tanta intimidade com point-and-click. E considerando o nível de loucura que as piadas da série Monkey Island costumam adotar, ter um auxílio para jogadores novatos é sempre bem-vindo.

No entanto, imagino que Return to Monkey Island não funciona muito bem como porta de entrada para quem desconhece a série. Apesar de ter uma jogabilidade acessível, é bem possível que esses jogadores fiquem perdidos em meio às piadas e referências presentes. Isso também vale para alguns puzzles, que frequentemente aproveitam contextos já preestabelecidos pelos jogos antigos.




Mesmo o livro de Guybrush no menu inicial não ajuda muita coisa. Parece que foi um elemento pensado apenas para agradar os fãs, com referências aos jogos e piadas antigas. Aos novatos, não acho que seja necessário jogar os jogos anteriores, mas pelo menos pesquisar e ver alguns vídeos sobre a história já deve ser o suficiente.

Falando em história, um ponto relevante que me incomodou foi a forma que o jogo não aproveitou plenamente algumas ideias apresentadas, principalmente em seus últimos capítulos. Isso fez com que o jogo tivesse um final meio abrupto deixando certos assuntos meio vagos.



Exatamente como nos velhos tempos

Return to Monkey Island é um verdadeiro abraço apertado aos fãs da série. O jogo apresenta mecânicas familiares aos jogos originais com a adição de elementos que deixam a aventura mais intuitiva e dinâmica. Apesar da acessibilidade, dificilmente ele será tão atrativo para quem não conhece os detalhes da história de Monkey Island, sendo um produto destinado principalmente para os fãs mais antigos da série.

Mas isso não tira o seu brilho. Todos os elementos do jogo conseguem envolver o jogador na história de maneira brilhante. É uma aventura leve, inocente e engraçada, que transborda carisma em todos os seus aspectos, assim como nos seus primeiros jogos. 

Prós

  • Os sistemas de dicas é excelente para impedir que os jogadores fiquem presos em certos trechos;
  • A seleção de dificuldade torna o jogo acessível para quem não tem costume com a dinâmica de point-and-click;
  • A localização de textos, piadas, placas e mensagens pelo cenário está excelente;
  • A trilha sonora está impecável;
  • A jogabilidade foi simplificada, tornando-se muito mais intuitiva;
  • Puzzles desafiadores e bem elaborados;
  • Os personagens são muito carismáticos, principalmente pela ótima dublagem;
  • A forma que os desenvolvedores resolveram as questões do passado foi inteligente e engraçada;
  • Os cenários são ricos em detalhes, contendo muitos elementos para interação.

Contras

  • Não é uma boa porta de entrada para jogadores que não conhecem a série;
  • A história poderia ter sido melhor trabalhada em seus últimos capítulos.
Return to Monkey Island — PC/Switch — Nota 9.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital cedida pela Devolver Digital


é engenheiro geólogo, entusiasta de novas tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Costuma procurar jogos de qualidade duvidosa no Steam e não dispensa uma partida de CS:GO ou uma viagem pelas estradas europeias no Euro Truck.
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