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Análise: GigaBash (Multi) — Uma porradaria de proporções titânicas

Destrua a cidade e use-a para derrotar seu oponente e mostrar quem é a forma de vida suprema.

Caros jogadores, sejamos sinceros: destruir tudo no nosso caminho é muito divertido, ainda mais se isso envolver monstros gigantes. GigaBash nos concede essa alegria sob o pretexto de colocar criaturas titânicas para se digladiar em meio a cidades, florestas e até no centro da Terra. Tudo isso de uma maneira dinâmica 

Treta de kaijus

Para quem não está familiarizado com o termo “kaiju”, trata-se de uma palavra japonesa que se refere a bestas colossais, e na cultura pop foi ligada às produções com seres gigantescos e destruidores, como o célebre Godzilla. 

GigaBash aproveita esses clichês para criar um elenco bastante diversificado e cheio de referências. Temos um monstro porradeiro, com fortes ataques a curta distância; um iéti que engole as coisas e pode se locomover como se fosse bola de neve; uma pseudo-lagosta com poderes telecinéticos; dois deuses anciões ligados a poderes místicos da natureza; um dragão enorme claramente inspirado no Godzilla; e dois heróis clássicos, sendo um robô gigante e um primo distante do Ultraman, com direito a uma proeminente pancinha pós-aposentadoria.

Vale citar também que há um “prédio-monstro” como personagem secreto, que além de hilário faz uma correta justiça em nome das diversas edificações demolidas nas batalhas.

Controlamos esses titãs em batalhas com visão isométrica, em arenas nas quais podemos nos movimentar livremente até acabar o limite de tempo estabelecido. Este ponto de vista mais periférico ajuda bastante na hora de entender o que está acontecendo e até para não se perder enquanto é atacado por mais de um inimigo. Em algumas fases, com construções mais imponentes, pode ocorrer alguns pontos cegos, mas eles não são duradouros, já que logo tudo vai acabar desabando no meio da briga.

Todos eles contam com os mesmos recursos: ataques básicos, golpes especiais, esquivas e medidas defensivas, sem contar que tudo no cenário pode ser arrancado e arremessado, desde árvores até construções mais pesadas. O que importa é reduzir a vida do seu inimigo a zero.

Entretanto, as semelhanças param por aí, pois a jogabilidade deles é bastante diferente, baseada em suas características. Os mais parrudos são ótimos a curta distância, mas sofrem quando estão longe; já os mais rápidos possuem combos ótimos, mas o dano não é muito significativo para liquidar o oponente de maneira veloz. Aqueles que soltam projéteis se tornam vulneráveis caso errem o alvo. Há inúmeras possibilidades e o jogador realmente vai se sentir tentado a experimentar todos.

Esmurre seus amigos e seja feliz

Se a jogabilidade de GigaBash já é um grande chamariz, ao aliá-la ao multiplayer, tudo torna-se imensamente divertido. Podemos realizar partidas locais e em rede para até quatro participantes, com diversas opções, mas algumas restrições. Para os confrontos no sofá, temos três modalidades: combates em que cada um está por si; duas duplas uma contra a outra; e a mais divertida de todas, chamada Caos, que funciona como uma espécie de gincana.

Nesta última, os jogadores competem para ver quem consegue o maior número de vitórias em uma sequência de provas aleatórias, que variam entre jogar os demais na lava corrente, sobreviver a um deslizamento, só poder acertar os adversários com discos (que também podem te atingir), entre muitas outras. Isso torna cada disputa mais divertida e inesperada que a anterior.

O ponto contra é que justamente o Caos, que é a modalidade em grupo mais versátil, não está disponível no modo online. Em rede só são possíveis confrontos diretos, simples ou em duplas, casuais ou ranqueados. Essa é uma baixa pesada, pois é de longe o modo mais divertido de GigaBash.

Quanto ao conteúdo single player, ele é um pouco mais enxuto e, no final das contas, serve mais para nos habituarmos com os comandos do jogo. Podemos seguir por quatro histórias diferentes, cada uma com cinco fases. Concluir todas dura no máximo duas horinhas, mesmo na dificuldade mais elevada, e terminar essas narrativas é necessário para liberar os monstros secretos, então elas se tornam fatalmente obrigatórias.

A questão é que depois disso não há mais nada para quem quer curtir o jogo sozinho. Não seria ruim elaborar mais histórias para as outras criaturas, mesmo que curtas, já que o elenco não é tão extenso assim. Inclusive vale citar que também seria bacana incluir o Mechajuras — versão robótica do monstro Pipejuras  — que enfrentamos em algumas fases, pois ele é o único oponente não selecionável do jogo todo, sem motivo nenhum aparente.

Por fim, existe uma galeria bem rica, com imagens, rascunhos e trilhas sonoras, além de curiosidades sobre a história fictícia do surgimento de cada um dos kaijus. É bacana para se ter uma noção das referências utilizadas, algumas claras, outras mais escondidas. 

Ainda assim, para liberar tudo é preciso subir seu o nível do seu perfil e isso só é possível realizando partidas consecutivas. Quem quiser colecionar tudo, mas não tiver paciência de jogar em rede ou reunir amigos para uma partida local, vai se sentir um pouco frustrado em não ter nada que motive esse objetivo.

Gigantemente criativo e divertido

Apesar do parco conteúdo solo, GigaBash se destaca pela jogabilidade sólida, multiplayer local viciante e personagens carismáticos. Ele é uma escolha forte para reunir uns amigos e arremessá-los contra edifícios.

Prós

  • A jogabilidade é fácil de aprender;
  • Os personagens são bem diferentes entre si;
  • Diversas referências à cultura pop;
  • O multiplayer local é variado e divertido;
  • A galeria é rica e variada;
  • Um dos monstros literalmente é um prédio.

Contras

  • Pouquíssimo conteúdo single player;
  • O multiplayer online tem menos opções que o local;
  • Podiam colocar o Mechajuras como personagem selecionável;
  • A câmera fixa pode gerar alguns pontos cegos;
  • O grinding para liberar as coisas da galeria é um pouco excessivo.
GigaBash — PC/PS4/PS5 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Passion Republic Games

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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