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Análise: Train Valley: Console Edition (Multi) até entretém, mas é monótono como um passeio de trem

Este jogo de 2015 chegou bem tarde para os consoles e não traz melhorias significativas para valer o investimento nesta edição.


Lançado em 2015 pela META Publishing e a Flazm, Train Valley tem como principal proposta dar ao jogador a responsabilidade de gerenciar linhas e viagens de trem no decorrer da história em diversos cenários ao redor do mundo. Em 2022, o game estará disponível a partir de 27 de julho para PlayStation 4, Xbox One e Switch pela primeira vez em Train Valley: Console Edition, e o resultado é um port que chegou bem atrasado na estação. Vamos conferir os detalhes na análise a seguir.

Magnata dos trilhos

Em Train Valley o jogador assume o papel de um verdadeiro magnata do ramo ferroviário. Sua função é construir linhas que conectam diferentes estações em mapas que remetem a importantes localidades e momentos históricos da humanidade, como a conquista do Oeste dos Estados Unidos, a Revolução Industrial e a Primeira Guerra Mundial, e alguns cenários urbanos que lembram megalópoles como Nova York e Tóquio, onde os trens também fazem parte do cotidiano das pessoas.

O objetivo do game é fazer com que todos os trens cheguem nas estações a que estão designados. Conforme jogamos em determinado mapa, novas estações começam a surgir e o jogador tem como função fazer com que todos os trilhos sejam conectados para permitir a viagem dos trens ao seu destino em segurança. Quanto mais rápido um trem conseguir realizar seu trajeto, mais dinheiro o jogador recebe para usar no investimento de mais trilhos.
Captura de tela da versão para PC
Conforme se vai jogando, novos elementos começam a surgir no mapa, como pontes e túneis, e o jogador é desafiado a construir mais e mais rotas visando acelerar e otimizar sua logística. Caso a grana acabe antes que todas as estações do mapa estejam 100% desenvolvidas com a chegada de trens a seus respectivos destinos, “é declarado falência” e o nível deverá ser recomeçado.

Quanto menos tempo um trem leva para chegar de uma estação à outra, maior é a recompensa recebida. Cabe ao jogador cuidar para que um veículo não bata no outro na viagem, ou faça uma volta desnecessária que vai diminuir o bônus que irá receber pelo frete. Objetivos adicionais como usar uma quantidade predefinida de trilhos, fazer com que uma certa quantidade de trens esteja circulando ao mesmo ou não deixar um trem bater são alguns exemplos dessas metas extras e rendem selos que atestam que o jogador dominou totalmente aquele mapa.

São 30 níveis no total, divididos em 5 capítulos com 6 mapas cada. Jogar no modo livre permite ao jogador testar os mapas inúmeras vezes para descobrir novas formas de abordagem no jogo e sem a preocupação com o orçamento. Funciona como um "treino" para conhecer todos os detalhes de cada mapa, mas o progresso não é registrado; ou seja, novos níveis são habilitados apenas ao jogar no modo clássico.

Devagar, quase parando

Algo que precisa ser enfatizado sobre Train Valley é que ele é um jogo de nicho. É mais direcionado para aqueles que gostam da proposta de gerenciar recursos e ter o controle da situação sobre o que acontece na tela. É o tipo de jogo que combina bastante com a plataforma onde foi originalmente lançado em 2015: o PC. O jogador, como já mencionado, pode construir linhas, destruí-las, demolir construções ou outros elementos naturais que estejam impedindo o “avanço do progresso” e, claro, gerenciar as viagens dos trens.

A chegada do game aos consoles depois de quase 7 anos — o lançamento no PC foi em setembro de 2015 —, em princípio, foi algo bem curioso, pois esta versão poderia proporcionar novidades para justificar o relançamento. Entretanto, de novidade mesmo temos apenas a inclusão do DLC da Alemanha, que é um capítulo adicional lançado em abril de 2016. Fora isso, o jogo é praticamente o mesmo, sem tirar nem pôr. Se puder, fique na versão para PC mesmo.

Um dos maiores problemas que precisa ser destacado nesta versão foi a transcrição dos comandos do mouse + teclado para o controle. É nesse aspecto que fica claro que o game é melhor apreciado ao se jogar no computador. Jogando com um controle perdemos a comodidade e, principalmente, a agilidade em executar os comandos no mapa, deixando o gameplay mais trabalhoso e até chato.


Nessas horas o comando de pausar o tempo se mostra bem útil, permitindo que façamos todas as coisas que precisamos no mapa para cumprir os objetivos do nível. Em vez de levar uma espécie de cursor que poderia ser movido com um dos analógicos, quando selecionamos uma função ficamos limitados a trafegar no mapa de forma lenta com o cursor passeando por cada um dos pontos de interesse (pontos de construção de trilhos, itens para demolir, trens para dar comando de acelerar/frear, etc.).

Essa “lerdeza” deixou minha jogatina desinteressante até mais rápido que a trilha sonora do game, que preferi desativar, colocando uma playlist pessoal para tocar no lugar para deixar minhas sessões de jogatina mais agradáveis. As músicas, sinceramente, são bem chatinhas e repetitivas, por sinal.


Os objetivos adicionais de cada nível, como mencionado no tópico anterior, são atividades não obrigatórias que exigem um pouco mais de habilidade, e até sorte. A conclusão destes gera mais um fator replay do que algum tipo de recompensa e por isso não levei tão a sério essa atividade, focando mais em tentar passar de mais um mapa.

No fim das contas, minha atividade em Train Valley não passou muito do fato de acabar sentado apenas fazendo com que trenzinhos viajassem de forma segura e eficiente. Essas sessões oscilaram muito entre a contemplação pelos interessantes cenários e contextos de cada nível, o foco em criar ferrovias realmente eficientes e lucrativas, e a frustração por ter falido pela quinta vez no mesmo nível por conta de um trem que deixei bater sem querer e bagunçou minha vida naquela partida.

Nem todos a bordo

Train Valley: Console Edition é um game que consegue transmitir uma vibe bem casual, com pitadas de competitividade para quem deseja completá-lo. Porém, a versão para consoles, recém-lançada, não traz nenhuma melhoria real que justifique sua aquisição por quem, pelo menos, já tenha jogado ou possua a versão para o PC. Pelo contrário, a jogatina nesta versão é bem mais trabalhosa, contribuindo para um rápido desinteresse pelo jogo.


Prós

  • Visuais simplistas e simpáticos;
  • Ideal para jogadores casuais.

Contras

  • Trilha sonora bastante limitada e chatinha;
  • Transcrição dos comandos para o controle deixa a jogatina lenta e mais trabalhosa;
  • Nenhuma novidade real que o torne interessante para comprar após quase 7 anos do lançamento original.
Train Valley: Console Edition — PS4/XBO/Switch — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela BlitWorks Games

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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