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Análise: Unexplored 2: The Wayfarer’s Legacy (Multi) é uma jornada sobre exploração, descobertas e liberdade

Confira um RPG que adota ideias muito interessantes para que cada aventura seja única.


Unexplored 2: The Wayfarer’s Legacy
 é um RPG que leva a ideia do “procedural” além do que normalmente é empregada em outros jogos. O mundo, os desafios, os personagens, as missões são todos criados proceduralmente, o que torna toda jogatina única. Ao morrer na aventura, nosso personagem deixa de existir para sempre, o tempo passa e, anos depois, um novo viajante surge para continuar a jornada. O mais interessante é que as ações de cada personagem influenciam no mundo do próximo. Apesar de alguns deslizes, os desenvolvedores da Ludomotion criaram um jogo espectacular para fãs de aventura.

Um novo mundo, uma nova história

Em Unexplored 2, estamos no controle de um viajante que tem como objetivo destruir um artefato chamado Cajado de Yendor. Para isto, você deve percorrer um vasto mundo com diferentes biomas até chegar ao First Valley, o local que permitirá você cumprir seu objetivo. Falar mais sobre a história é impossível, pois cada aventura será única. O jogo possui um sistema de construção de mundo procedural que altera a localidade de todos os elementos que o compõem.

Tudo começa com a criação do seu personagem. Podemos montá-lo a partir de muitas características e todas serão relevantes para a sua aventura de alguma forma. Dentre as opções, podemos escolher sua cultura, raça, habilidades com armas, traços de esperança (habilidades passivas), entre outros.




Livres para explorar o mundo e em posse do Cajado de Yendor, podemos iniciar nossa aventura. Antes da jornada, podemos conversar com NPCs para obter informações de locais de interesse ou realizar negociações com comerciantes e garantir alguns equipamentos. Saindo da área inicial, o mapa da região se abre e ele possui uma característica muito interessante: sua criação é totalmente procedural. Sempre que você iniciar um novo save, um novo mapa é gerado, tornando toda aventura única.

Com o mapa aberto, regiões de interesse estarão abertas ao nosso redor e podemos escolher para onde ir. Pode ser uma caverna, um templo, ruínas, fazendas, você é livre para escolher como será sua jornada. Para cada destino, estaremos vulneráveis a uma série de eventos como condições climáticas, cansaço, NPCs e animais selvagens. Tais eventos também são gerados proceduralmente e irão ditar o ritmo de sua aventura. Ao chegar em seu destino, podemos explorá-lo ou seguir em frente em um novo trajeto.




A exploração do local é opcional, apesar de ser altamente recomendada devido à escassez de recursos como alimentos e roupas. Para recuperar a vida, se proteger do frio e se recuperar do cansaço é necessário abrir um acampamento em meio ao cenário, no entanto estaremos dando a chance de ser encontrados por NPCs ou animais selvagens.

O ritmo da aventura será definido de acordo com a sua forma de jogar. É muito interessante a liberdade que temos em definir se vamos explorar uma caverna ou decifrar inscrições antigas. Porém, a falta de tradução para português brasileiro deixa o jogo inacessível para quem não domina o idioma, principalmente pela quantidade de textos.




O estilo de arte adotado deixa a exploração ainda mais interessante. Todos os elementos do jogo são lindos, bem detalhados e variados. A trilha sonora acompanha de maneira competente os visuais, com fases possuindo desde apenas efeitos sonoros de animais até músicas épicas.

Um único porém é que o controle de câmera não ajuda muito na exploração dos cenários. Há três opções de câmeras fixas, que apenas mudam o ângulo entre elas. Em áreas com grandes desníveis topográficos, ocorre com frequência o sumiço do personagem em meio a paisagem, tornando a exploração confusa.



A liberdade tem seu preço

A liberdade de nossas ações permite que coisas inusitadas aconteçam. No meu caso, uma inocente visita a uma fazenda terminou na minha morte, pois sem querer (querendo) roubei alguns vegetais dos fazendeiros e acabei cercado. Ou então quando resolvi cutucar um ninho de aranhas para ver o que acontece (não encostem em ninhos de aranha).

Mas um dos problemas do jogo está em seu combate um pouco problemático. Armas de curto alcance como espadas e machados são estranhas de usar. É difícil se acostumar com os ritmos dos ataques que, por vezes, parecem não ter uma colisão perfeita com os inimigos.




No entanto, o combate normalmente é opcional. Com exceção de quando você rouba as pessoas, os NPCs costumam te abordar na conversa e entra um sistema chamado Teste de Sorte. O sistema consiste em diferentes fichas que serão, uma a uma, sorteadas ao jogador. Para obtermos sucesso, temos que conseguir uma ficha verde. Além dela, há fichas vermelhas (para falha) e amarelas (sucesso parcial), além de outras que podem adicionar mais fichas verdes ao sorteio.

Para sortear uma ficha, gastamos cristais que são encontrados ao longo da aventura. Se você não gostar da ficha sorteada, deve gastar mais cristais para sortear outra. Caso seus cristais acabem, você deve se contentar com o que foi definido para você. Esse sistema também é usado para decifrar textos antigos, por exemplo. Logo, sua sorte também irá definir o quanto você irá saber sobre aquele mundo.

Essa sorte pode ser balanceada de acordo com as características que você escolheu na criação do viajante. Dependendo de suas escolhas, maior ou menor será a chance de sair uma ficha verde, por exemplo. Além disso, a dificuldade do jogo pode ser balanceada de diversas maneiras, permitindo que a aventura seja mais acessível ou mais complicada.




Unexplored 2 adota uma ideia muito interessante no desenvolvimento de seu mundo. Após morrer, você perderá todos os seus itens e seu personagem deixará de existir. Os anos irão se passar e a configuração do mapa irá mudar: clãs irão disputar territórios; animais selvagens irão atacar áreas com NPCs; itens mudarão de lugar. Tudo ocorre de forma procedural e deixa a sensação de um mundo mais vivo, pois as ações de seu personagem irão interferir diretamente naquele universo. 

Após a passagem do tempo, você poderá criar um novo viajante, com novas características, que passará a ter a missão de destruir o Cajado de Yendor. Assim como seu antecessor, o protagonista deverá explorar aquele mundo e encarar os novos desafios que encontrará pelo caminho.



Um título para fãs de RPGs

Unexplored 2: The Wayfarer’s Legacy é extremamente ousado em adotar o sistema procedural em praticamente todos os elementos de seu gameplay. Certamente eu não presenciei boa parte de suas possibilidades e é impossível dizer como será sua aventura e este é seu maior mérito. Mesmo jogando diversas vezes, sua aventura sempre será única e exclusivamente sua. Seu mundo é vivo e cheio de cor e ver suas ações interferirem no passar dos anos torna tudo muito natural. Os pequenos deslizes no combate e na câmera não tiram o brilho da obra e vale muito a pena ser experimentado.

Prós

  • A mudança do mundo com o passar dos anos após sua morte deixa a sensação de um universo mais vivo;
  • Os eventos procedurais permitem que cada aventura seja única;
  • A ambientação e trilha sonora acompanham de maneira competente o ato de exploração;
  • As suas escolhas durante a aventura interferem diretamente no desenvolvimento de sua jornada, além de interferirem no mundo ao seu redor.

Contras

  • O combate com armas de curto alcance é um pouco difícil de acostumar;
  • O controle de câmera é limitado e, em certos momentos, mais atrapalha do que ajuda;
  • Ausência de localização para português.
Unexplored 2: The Wayfarer’s Legacy — PC/XBO/XSX — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela Big Sugar


Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
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