Blast Test

Impressões: Astral Ascent (PC) nos desafia a enfrentar os zodíacos em um variado e ágil roguelite

Domine e melhore feitiços para enfrentar diferentes desafios neste singular título indie.


Em Astral Ascent, um grupo de heróis precisa enfrentar inúmeros perigos e derrotar entidades poderosas para escapar de uma prisão astral. O jogo é uma aventura de ação com elementos de roguelike cujo destaque é o sistema de combate ágil focado em combos e feitiços diversos. Além das ótimas batalhas, o título impressiona com ambientação bem trabalhada e algumas ideias interessantes. A versão de lançamento em Acesso Antecipado dá uma boa ideia do que esperar da aventura, por mais que muitos de seus aspectos ainda precisam ser melhor desenvolvidos.

Lutando para fugir de uma prisão astral

Um poderoso general chamado The Serpent-Bearer construiu um curioso museu dedicado às suas vitórias para satisfazer o próprio ego. No local deslumbrante, que é conhecido como Jardim, o homem confinou rivais, criaturas, inimigos e até mesmo aliados. Para guardar essa prisão, o general escalou doze implacáveis guardiões que usam os poderes do Zodíaco. Com isso, os troféus do tirano estão condenados a permanecerem eternamente no Jardim.


Quatro guerreiros não aceitam essa situação e decidem escapar. Para isso, eles precisam derrotar os Zodíacos, além de enfrentar vários outros perigos pelo caminho. Astral Ascent explora essa premissa em uma aventura de ação 2D de ritmo ágil com foco em combates. Além de atacar, saltar e esquivar, os heróis têm à disposição feitiços diversos, que consomem mana. Para recuperar a energia mágica, é necessário usar golpes normais, logo, para sobreviver, é essencial equilibrar os tipos de ataques.

Pelo caminho aparecem outros feitiços, o que oferece novas possibilidades de luta. Algumas são magias simples, como bolas de fogo ou uma esfera de água que rebate pelos cenários. Já outras habilidades são movimentos especiais, como um soco no chão que cria uma onda de energia ou um poder que permite nos teletransportar para as costas de um inimigo. Os feitiços podem ser customizados com Gambits, que provêm efeitos diversos: veneno, projéteis adicionais, curar ao derrotar inimigos, e assim por diante.


As partidas têm estrutura de roguelike, ou seja, em cada tentativa exploramos um conjunto diferente de salas com eventos diversos, com um chefe no final da área. Ao sermos derrotados, voltamos para o Jardim, onde podemos utilizar recursos diversos para fortalecer os heróis ou liberar novas técnicas.

Feitiços e combos em batalhas frenéticas

Astral Ascent é fortemente inspirado em outros roguelikes de ação, porém consegue se destacar com suas várias características singulares. A mais notável delas é o combate, que é ágil e de ritmo fluído. É fácil fazer combos misturando ataques e magias, e os inimigos agressivos nos forçam a nos mover constantemente. Os chefes, em especial, oferecem desafio considerável com seus padrões de ataques intrincados.


A variedade de feitiços é grande, o que faz com que cada partida tenha um ritmo diferente. Além disso, os estilos distintos de cada personagem e as alterações proporcionadas pelos Gambits, em conjunto com características passivas especiais, oferecem muitas possibilidades. Nas minhas várias tentativas, montei várias combinações interessantes: jogando com a assassina Ayla, derrotei inimigos lentamente com facas envenenadas e feitiços de longa distância; já com o lutador de artes marciais Kiran, o foco foi utilizar várias habilidades poderosas de curto alcance.

A ambientação impecável também impressiona. O visual em pixel art é belo e conta com animações elaboradas, por mais que às vezes seja um pouco difícil de ver com clareza o que é inimigo ou elemento do cenário. O áudio não decepciona com faixas com elementos orquestrados que complementam a ambientação de fantasia deste universo. Um ponto notável é a presença de dublagem: ela é bem trabalhada e dá vida às personalidades dos indivíduos.



Uma aventura em estado incipiente

O lançamento de Astral Ascent no formato Acesso Antecipado é bem competente. O núcleo das mecânicas já está bem desenvolvido e há uma boa diversidade de conteúdo para explorar, como árvores de habilidades para cada herói, múltiplos eventos e até mesmo um modo New Game+. Essa versão conta com dois personagens jogáveis, cinco chefes e duas áreas, e a promessa é que a versão final tenha ao menos o dobro desse conteúdo.


Mas, mesmo assim, depois de algumas partidas fica bem claro que se trata de um jogo ainda em estágios iniciais de desenvolvimento. A seleção de salas é pequena e rapidamente começa a se repetir, a diversidade de inimigos é bem reduzida e falta também um pouco mais de criatividade no desenho dos mapas. Além disso, o balanceamento precisa de melhorias: algumas batalhas são desnecessariamente longas por causa da grande quantidade de vida dos inimigos.

Fora isso, há problemas de performance, como engasgos e lentidão nos momentos mais frenéticos, mesmo utilizando uma configuração muito acima da recomendada. Naturalmente, todas essas questões já são esperadas de um jogo em Acesso Antecipado, e muito deve mudar no decorrer do desenvolvimento.



Uma fuga que já agrada

Astral Ascent é mais um ótimo roguelite de ação 2D. O combate ágil e frenético é seu maior destaque: é empolgante criar combos ao misturar ataques e feitiços. Uma boa variedade de técnicas e modificadores fazem com que cada partida tenha um ritmo único, e parte da diversão está em montar combinações e sinergias. Além disso, a ambientação impressiona com visual elaborado e um mundo repleto de personalidade.

A versão de lançamento no Acesso Antecipado é bastante polida, demonstrando os conceitos básicos do jogo. No entanto, como é de praxe, rapidamente se revela bem inicial com pequena quantidade de conteúdo e vários detalhes que precisam de balanceamento, o que deve mudar no decorrer do desenvolvimento. No mais, Astral Ascent já prova o seu valor e promete figurar no grupo de roguelites de destaque.

Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida por Hibernian Workshop


é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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