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Análise: LEGO Star Wars: A Saga Skywalker (Multi) mostra o poder da Força em forma de blocos

Bem-vindo ao maior jogo feito em LEGO da história dos videogames.

Anunciado durante a E3 do longínquo ano de 2019, LEGO Star Wars: A Saga Skywalker teve como sua principal promessa ser o maior jogo criado com a mundialmente famosa marca de blocos de montar. Com outros jogos já lançados sob a licença de Star Wars, desta vez o foco é reunir toda a saga dos nove filmes da série principal em uma única aventura, e já antecipando um pouco do que veremos na análise a seguir, adianto que o resultado é impressionante.

Há muito tempo, em uma galáxia de blocos muito distante…

O desenvolvimento de LEGO Star Wars: A Saga Skywalker passou por maus bocados durante os mais de dois anos desde seu anúncio oficial. O game passou por diversos adiamentos, principalmente por conta da pandemia de Covid-19, mas finalmente conseguiu chegar aos consumidores no início deste mês de abril.


Como o título já indica, o foco são os acontecimentos dos nove filmes que compõem a chamada Saga Skywalker, mas totalmente transportados para o mundo dos blocos de LEGO. No game veremos o acolhimento do jovem Anakin Skywalker por Qui-Gon Jinn em Tatooine, passando por seu conturbado treinamento e amor proibido pela ex-rainha de Naboo, Padmé Amidala, até sua fatídica queda para o lado sombrio da Força, transformando-se no icônico vilão Darth Vader.

Passando pelo nascimento dos gêmeos Luke e Leia, vemos os laços de sangue dos Skywalker tomando o protagonismo dos conflitos durante a Guerra Civil galáctica entre o Império e a Aliança Rebelde. Acompanhamos o treinamento de Luke para se tornar um Jedi e resgatar seu pai do sedutor poder do lado sombrio e do Imperador Palpatine, e a importante vitória da Aliança para devolver a liberdade à galáxia.

Por fim, também vivenciamos o surgimento de uma nova geração de heróis da Resistência para manter a paz em uma incansável luta contra a opressão da Primeira Ordem. No meio disso tudo, temos o conflito de interesses entre um herdeiro do legado dos Skywalker e a última pessoa a carregar a doutrina dos Jedi.


Nove episódios de uma das mais importantes séries cinematográficas da história do cinema, além de uma mitologia que continua rendendo novas ramificações de um universo fantástico em constante expansão por meio de filmes, livros e, principalmente, séries. O universo de Star Wars nunca esteve tão em evidência quanto nos últimos sete anos, desde o lançamento de Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força.

Um universo à sua espera

LEGO Star Wars: A Saga Skywalker permite que o jogador escolha por onde quer começar sua jornada. Seja pela trilogia clássica (episódios IV, V e VI), pela trilogia das prequelas (episódios I, II e III) ou então pela Nova Trilogia (episódios VII, VIII e IX). Inicialmente, o primeiro episódio de cada trilogia está disponível para jogar, exigindo que seja completado para que o subsequente possa ser jogado.

Cada episódio traz cinco níveis principais, além da exploração dos planetas que fazem parte da narrativa do respectivo filme. Ao liberar o acesso a um planeta, o jogador pode explorá-lo livremente como em um jogo de mundo aberto para acessar os níveis da campanha e outras atividades que rendem a obtenção de inúmeros colecionáveis, utilizados para desbloquear novos personagens e modificadores de jogo, que explicarei logo mais.


Após completar um episódio, um modo de jogo livre é ativado, permitindo que o jogador viaje sem limites por qualquer dos planetas que já tenha visitado, além de fazer uso de qualquer personagem que já tenha adquirido para sua coleção. São mais de 300 para usar, divididos em classes que determinam suas principais habilidades.

Os heróis e vilões fazem uso de cabos para alcançar objetos à distância e também acessar alguns terminais específicos; os Jedi e os Sith só lutam com sabres de luz, além de usarem os poderes da Força para influenciar inimigos com truques mentais e mover objetos; os caçadores de recompensa utilizam armas com alto poder de fogo que os favorecem ofensivamente, além de conseguirem destruir peças de LEGO douradas.


Os cafajestes possuem uma habilidade única de analisar pontos no ambiente que podem surpreender adversários com armadilhas no local, além de serem extremamente charmosos; droides de protocolo, além de serem os únicos capazes de traduzir idiomas de seres de outros planetas, podem obter chaves de acesso que podem destravar novos acessos em diferentes pontos da galáxia; os droides astromecânicos, assim como os de protocolo, podem passar pelos inimigos sem levantar suspeitas e acessar terminais de informações.

E por fim, os catadores de lixo, que possuem a habilidade de criar ferramentas únicas, como planadores, armas de impacto e lançadores de redes para alcançar pontos de difícil acesso ou abrir novas rotas para explorar o ambiente. A melhor recomendação é que se jogue todos os 45 níveis do jogo antes de começar a árdua tarefa de obter os colecionáveis, pois desse modo o jogador já terá uma generosa quantidade de bonecos de todas as classes para facilitar um pouco essa etapa.

São 28 planetas espalhados pelos diversos sistemas da galáxia de Star Wars, cada um sendo cenário de algum evento importante da narrativa dos filmes. Foi emocionante poder visitar de forma mais detalhada a exuberante cidade das nuvens em Bespin, participar de uma intensa corrida de pods em Tatooine e me misturar com os maiores contrabandistas da Orla Exterior no castelo de Maz Kanata em Takodana. Cada local é reproduzido de forma bem detalhada e esconde diversos segredos na forma de blocos Kyber e cartões de dados.


Os blocos são usados para comprar as melhorias de personagens e de classes, e também são obtidos ao completar objetivos adicionais nas fases, enquanto os cartões são usados para ativar modificadores. Obter os mais de mil blocos disponíveis no jogo — um exagero, realmente — é uma das atividades que mais vai exigir tempo do jogador caso queira completar o game.

Os cartões são usados para ativar modificadores de gameplay como um localizador de colecionáveis e os multiplicadores de blocos, mas a maioria são bem engraçados, como o modo cabeção, transformar os sabres de luz em baguetes, trocar os sons dos blasters por “pew pews” ou ainda ativar a clássica dublagem em forma de murmúrios dos primeiros jogos LEGO lançados — este, por sinal, é o único gratuito e pode ser ativado ao iniciar a jogatina, caso o jogador queira. O humor é um tempero generoso em todos os momentos da aventura, dando um ar cômico que ajuda muito a deixar nossa jogatina divertida e aconchegante. A dublagem em nosso idioma, que por sinal conta com a maioria dos atores que dublaram os filmes, valoriza imensamente a experiência na versão brasileira do game.


Dos mais de 300 personagens disponíveis, desde os principais heróis até alguns outros de menor importância, com exceção dos que são naturalmente habilitados ao jogar a campanha, a grande maioria é obtida por meio da compra usando blocos, mas antes devem ser habilitados para compra por meio da conclusão de objetivos nas seções de mundo aberto dos planetas. Conversando com habitantes, você ouve rumores que auxiliam o jogador a rastrear a grande maioria dos blocos. Muitos são estupidamente fáceis de obter, enquanto outros dependem até mesmo de atividades em outras localidades para que sejam coletados. Um exemplo é a necessidade de uma chave de acesso em outro planeta para abrir uma porta sabe-se lá onde.

Leves perturbações na Força

De um modo geral, LEGO Star Wars: A Saga Skywalker é quase perfeito. Quem já tem o hábito de jogar outros jogos de LEGO já conhece o roteiro básico. Jogar a história, obter minikits, desbloquear personagens e obter extras, como colecionáveis. Aqui a fórmula se mantém a mesma, mas num escopo muito maior. Serão muitas horas necessárias para quem quiser fazer tudo o que o game tem a oferecer, mas senti uma "perturbação na Força" que deve chatear os veteranos: a ausência da customização de personagens e o desafio de gameplay reduzido.

Alguns jogos anteriores, como os LEGO Batman e LEGO Marvel, dão ao jogador a opção de criar seu personagem para interagir com os demais na história. É compreensível que esta opção não esteja disponível desta vez, pois a ideia é dar ao jogador a oportunidade de assumir a persona de seu personagem favorito. Quem nunca sonhou ser Luke Skywalker ou o capitão da Millennium Falcon? Você pode ser um simplório Jawa, ou mesmo um stormtrooper qualquer se quiser, até mesmo um traidor. Seja quem você quiser em Star Wars, mas não você mesmo. Como é uma regra que não é seguida em todos os jogos, mas que agrada muitos, é um ponto a ser destacado.


Obviamente, os games de LEGO são naturalmente associados a um público mais infantil, e por isso a jogabilidade proporcionada por eles é mais moderada justamente para deixar os pequenos mais à vontade. Montar peças e cumprir objetivos nas fases estão moderadamente mais simples se comparado a títulos anteriores, que contam com níveis mais longos e alguns puzzles um pouco mais elaborados.

A decisão de dar uma moderada nos desafios durante as fases e dar um pouco mais de ênfase na exploração para obter os colecionáveis foi mais adequada para proporcionar uma melhor interação com o riquíssimo universo de Star Wars. E visto que uma boa parcela do público-alvo do game será o adulto, justamente por se tratar de uma franquia com muitos anos de estrada, para mim, que conheço os filmes quase que de cor, e consumo Star Wars há pelo menos uns 30 anos, tive uma experiência bem mais interessante na exploração dos planetas, principalmente os que não são tão mostrados durante os filmes, como os da nova trilogia, que não receberam tanta atenção quanto os das outras duas.


Quem é fã de Star Wars vai adorar conhecer um pouco mais das exóticas localidades disponíveis no game. Já quem não é, pode achar maçante enfrentar os chefes com praticamente as mesmas habilidades, seguir alguns roteiros de gameplay bem semelhantes ou então se estressar com a exagerada quantidade de colecionáveis para coletar para obter os cobiçados 100%. De qualquer modo, apesar destes pontos, a experiência geral é viciante, divertida e uma promessa certa de muitas horas de diversão.

Que a Força dos blocos esteja com você

LEGO Star Wars: A Saga Skywalker é realmente o maior jogo de LEGO já feito. Um dos principais destaques, além do humor e da jogabilidade, é a exploração que está mais engajadora do que nunca, estendendo nossa viagem por este universo por incontáveis horas descobrindo coisas que até mesmo o fã mais ferrenho da franquia pode ter esquecido. Se você nunca teve uma experiência com um jogo de LEGO, esta é a melhor opção para começar.


Prós

  • O maior jogo de LEGO disponível atualmente;
  • Mais de 300 personagens para jogar;
  • 28 planetas com diversas atividades para realizar;
  • Excelente localização para o português;
  • Modificadores de jogo adicionam um estímulo para sair em busca dos colecionáveis e estender a vida útil do jogo.

Contras

  • Os desafios de gameplay são ligeiramente menores se comparados a outros jogos LEGO;
  • A imensa quantidade de colecionáveis pode desanimar quem não curte muito essa atividade para completar o game;
  • Ausência de um modo para criar seu próprio personagem.
LEGO Star Wars: A Saga Skywalker — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia cedida pela WB Games

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


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