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Análise: Agent Intercept (Multi) é uma missão bem possível que se arrasta um pouco

Pilote um super veículo altamente equipado para exterminar uma organização criminosa que repete sempre os mesmos planos.

Parem para pensar um minuto: quais os ingredientes principais para uma boa história de espionagem? Muita ação? Equipamentos mirabolantes? Agentes duplos? Codinomes clichês? Capangas não muito espertos? Agent Intercept tem disso tudo um pouco, nos entregando algo similar a um divertido filme da Sessão da Tarde, mas que, infelizmente, não explora seu potencial total.

Codinome: 00… deixa para lá

O mundo está sob a ameaça de uma organização criminosa chamada Garra, que conseguiu libertar seus líderes de uma prisão fortemente armada. Apenas nosso esquadrão pode conter essa ameaça e nós damos vida ao agente… sem nome. Pois é, não nos dão nem um apelido bacana, mas no fim das contas tanto faz, pois o destaque está no possante mega equipado que pilotamos: o Intercetro.

Toda a ação é feita a bordo deste veículo de combate e por mais que ele conte com alguns aparatos, não esperem muitos comandos para controlá-lo. A aceleração do bólido é automática, assim como as curvas. Só temos o trabalho de guiá-lo entre as pistas, usar o nitro — que pode resultar em derrapagens mais ousadas nas curvas — e utilizar armas para explodir inimigos. Entretanto, tanto o nitro quanto as armas são limitadas e precisam ser recarregadas com o tempo (no caso do nitro) ou com fichas coletadas na tela.

Se por um lado a jogabilidade é simples, a ponto de quase trazer uma sensação de produto mobile, por outro tudo se torna bem repetitivo. O Intercetro ainda consegue se transformar em outros tipos de veículos para continuar sua caçada implacável, como um barco, um avião e um snowmobile, e as cenas de transformação são bem bacanas, mas ainda assim não há uma variação na condução de cada um deles. No mais, o avião é um pouco mais chato de controlar, mas nada além disso.

As fases e missões também se replicam bastante. Além do objetivo principal, cada estágio tem um total de cinco metas para serem atingidas, que variam entre abater uma certa quantidade de veículos inimigos, derrapar por tantos metros, alcançar um X número de pontos, entre outros.O reforço da mesmice só não é maior porque a aventura principal só possui 15 fases.

O fator replay ainda ganha um respiro com missões extras, liberadas com o avanço na campanha, mas elas não geram recompensas extras e tampouco adicionam algum fator realmente novo. Para quem realmente gostou do desenrolar da aventura e ficou querendo mais é um prato cheio, mas com pouco tempero.

Charmoso e perigoso

Agent Intercept faz uso de gráficos low poly para compor toda sua identidade visual, o que é uma escolha acertada, pois não são necessários muitos detalhes para que tudo seja entendido durante as perseguições. Entretanto, como 100% do jogo se passa em velocidade, a sensação de mesmice acaba batendo de novo por sempre estarmos freneticamente em uma pista, campo, base ou rio. Uma pequena variação na paleta de cores já conseguiria disfarçar isso, que acaba sendo potencializado pela repetição na jogabilidade.

Já a parte sonora consegue trazer um pouco melhor o clima de cenas de perseguição, trazendo trilhas dignas de filmes de ação em meio a tiros, explosões e frases clichês de vilões bastante característicos. A cereja no bolo fica por conta da história, que apesar de bem batida para o gênero, não deixa de agradar com plot twists previsíveis e características de um outro certo agente secreto com codinome numérico.

Depois dessa missão, eu me aposento

Agent Intercept poderia oferecer muito mais do que entregou de fato sem precisar ir muito longe. Uma variedade maior de missões e ambientes já conseguiria entreter muito mais o jogador. Ainda assim, para quem curte estar ao volante de uma máquina implacável, não importando o tamanho da tarefa, irá se entreter por algumas horinhas de maneira bem honesta.

Prós

  • As transformações do Intercetro são bem legais;
  • Visuais bacanas;
  • Boa trilha sonora;
  • Comandos simples de executar.

Contras

  • As missões são repetitivas a ponto de afetar o fator replay;
  • Os ambientes têm pouca variação;
  • Conduzir o veículo sem acelerar pode perder a graça depois de um tempo.
Agent Intercept — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital cedida PikPok

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha.


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