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Análise: Persona 4 Arena Ultimax (Multi) traz de volta uma boa experiência, mas nada que surpreenda os jogadores

As batalhas ainda são divertidas, mas o jogo claramente se mostra datado para os dias atuais.

Persona já é uma franquia que, mesmo sendo um spin-off de Shin Megami Tensei, conseguiu sucesso o bastante para caminhar sozinha. Logo, por que não ter seus próprios derivados, não é mesmo? Em 2012, Persona 4 Arena foi desenvolvido em uma parceria entre Atlus e Arc System Works como uma expansão da história de Persona 3 (PS2/PSP) e Persona 4 (Multi) em forma de jogo de luta. 

Um ano depois, foi lançada uma continuação, chamada de Persona 4 Arena Ultimax, que trazia os eventos que ocorreram no dia seguinte aos do título anterior. Agora, uma década depois, chegou a hora de revivermos essa aventura com o port para PlayStation 4, Nintendo Switch e PC.

O DNA da ArcSys

Mesmo quem nunca encostou um dedo em Persona 4 Arena Ultimax quando ele foi lançado vai se sentir em casa se já tiver jogado outros títulos da cartilha de porrada da Arc System, como BlazBlue, Guilty Gear e Dragon Ball FighterZ. As mecânicas são praticamente as mesmas, salvo algumas características que são inerentes à série Persona.

Quem segue a franquia sabe que quase todos os personagens são auxiliados durante as lutas por manifestações poderosas chamadas Personas (quem diria, não?). Isso influencia na jogabilidade da seguinte maneira: dos quatro botões de ataque possíveis, dois são para o personagem, como socos, chutes ou o uso de alguma arma; e os outros dois são para a Persona, que se manifestará atirando projéteis ou com ataques de alcance mais longo.

Comandos especiais e golpes finais também são influenciados pelo uso destes botões. Vale também citar que em P4AU, cada personagem também tem em seu repertório um movimento final, que aniquila o oponente instantaneamente, dentro de certas condições, de maneira cinematográfica. Não é nada de novo, mas é sempre bom ter essa possibilidade e quem ficou sentindo falta da inclusão desse recurso em Guilty Gear -Strive- vai poder matar a saudade.

O legado da produtora japonesa se estende aos modos de jogo também. Além de uma extensa galeria, os tradicionais modos Arcade e Treino, estão presentes o modo História, o Golden Arena e os desafios de combo. O elenco conta com 22 integrantes, sendo que 15 desse total possuem versões sombrias, que têm movimentos um pouco diferenciados das suas contrapartes “normais”.

Algo já tradicional em modos História da ArcSys são a quantidade enorme de falas e a ausência de lutas. P4AU até tem uma ou outra luta isolada e a quantidade de falatório é absurda, ainda mais para quem não acompanhou nenhum outro jogo da saga. Isso deixa qualquer jogador totalmente perdido e desmotivado a seguir a narrativa. Ainda foram adicionados 12 capítulos extras focados no ponto de vista de um determinado personagem, mas eles têm no máximo 5 lutas espalhadas entre 15 cenas em média.

O Golden Arena é idêntico ao modo Abyss, que estava presente nas versões de 3DS e PSP de BlazBlue: Continuum Shift II. Nele, escolhemos um lutador e devemos seguir por uma série de lutas consecutivas, recuperando um pouco da energia após cada triunfo. Em alguns combates, os inimigos terão algum tipo de vantagem sobre você, seja de força, seja de velocidade, e se superados rendem algum item que pode melhorar seus atributos. Também é possível ganhar pontos de experiência e gastar dinheiro com aprimoramentos, como se fosse uma espécie de RPG.

Além de tudo isso, o modo Online também traz os tradicionais lobbies animados, em que cada jogador escolhe seu avatar e se senta em um dos fliperamas para jogar com outros oponentes ao redor do mundo. A novidade específica para os combates em rede é a adoção do rollback netcode, que é bastante bem-vinda. Tanto nas disputas em lobby, frequentados por grande número de jogadores, quanto nas partidas diretas, ranqueadas e casuais, tudo rodou muito bem, mesmo com momentos de conexão instável. 

Tudo isso é bastante característico e mesmo para os dias de hoje, é uma quantidade bastante considerável de conteúdo, entretendo o jogador por horas a fio. A única ressalva realmente fica por todo falatório do modo História, que poderia ser bem mais objetivo e ter mais combates ilustrativos.

Uma repaginada não faria mal

Como citamos, P4AU é um port direto do jogo lançado para PS3 e X360, então não há melhorias visuais ou na parte sonora. Não que isso seja algo que diminua o valor do jogo, mas existem outros títulos bem mais simples estruturalmente, que apresentam um refino superior no que diz respeito às animações.

As cutscenes do modo história e cenas dos movimentos de finalização mereciam um tratamento HD para a geração atual. Com certeza elas ficariam mais bonitas e vibrantes. Já a trilha sonora, mesmo com a idade, continua impecável e em nenhum momento deixa a desejar aos temas mais modernos.

Alguns ajustes na dificuldade geral também cairiam muito bem. A curva de aprendizado às vezes parece injusta e sem nexo, mesmo que os desafios de combo ensinem conexões que serão bastante usadas pelos jogadores, principalmente os novatos.

Valeu a lembrança, mas merecia mais

Persona 4 Arena Ultimax realmente veio para ser apenas um port e nada além disso, se limitando a trazer o mesmíssimo conteúdo de origem, com uma ou outra leve adição. Isso não torna o jogo ruim, mas em certos momentos parece que ele parou no tempo, principalmente no quesito visual. Ainda assim, ele consegue se valer de boas mecânicas e ainda ser atrativo para os fãs do gênero e da série.

Prós

  • Grande variedade de modos de jogo;
  • Algumas mecânicas próprias da série foram mantidas;
  • Ótimo número de personagens;
  • Rollback netcode deixou as partidas em rede plenamente estáveis e satisfatórias;
  • A trilha sonora é excelente.

Contras

  • O visual do jogo se tornou datado;
  • O modo História tem muito falatório e se torna cansativo;
  • Quem não acompanha a franquia pode ficar perdido em alguns momentos;
  • Nenhuma adição significativa foi feita ao port.
Persona 4 Arena Ultimax — PC/PS4/Switch — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital cedida pela Sega

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha.


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