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Análise: Guilty Gear -Strive- (Multi) é inclusivo, técnico e viciante

Novo título da Arc System Works vem para se consolidar como um dos melhores jogos de luta desta geração.


Para os fãs de jogos de luta que já não aguentavam mais esperar, finalmente Guilty Gear -Strive- (Multi) mostrou ao que veio. Parece que os três períodos de teste beta surtiram efeito, e o que o público recebeu foi um excelente título de uma franquia que está cada vez mais inserindo seu nome na história do gênero.

O cheiro do jogo

Em matéria de modos de jogo, Strive não foge a regra do que a franquia vem trazendo desde muito tempo. Os clássicos Arcade e Survival estão presentes, trazendo uma IA que desafia o jogador a usar suas habilidades ao máximo. O Arcade inclusive traz uma progressão interessante, adaptando sua dificuldade de acordo com o desempenho do jogador, podendo resultar em uma batalha final de dois contra um, algo inédito na franquia, ou uma partida dificílima contra o chefe da vez, Nagoriyuki. Inclusive, não seria de todo um mal uma espécie de Dramatic Battle, a la Street Fighter Alpha, em que é possível lutas de dois contra um ou dois contra dois.

O que também está de volta é o modo História. Diferente de outras séries de jogos de luta, Guilty Gear traz uma experiência cinematográfica, sem batalhas durante as animações, assim como visto nos últimos jogos, Xrd SIGN e Xrd REVELATOR. Todas as cutscenes são muito bonitas e bem feitas, mas para quem gosta de interagir mais e assistir menos, algumas lutas que ilustram os conflitos e tensões entre os personagens fazem falta.


Para quem caiu de paraquedas na série agora, existe uma biblioteca, chamada de GG World, que é uma mão na roda. Além de trazer diversos termos citados pelos personagens durante o modo História, existe uma linha cronológica de eventos e diversos gráficos de correlação, que ilustram os relacionamentos entre cada integrante dessa complicada narrativa, inclusive o que ocorreu durante os jogos anteriores da série. 

Por fim, há também a Galeria, que possui diversos itens para serem desbloqueados, como trilhas sonoras antigas, diversas ilustrações conceituais e até os trailers de anúncio que foram publicados nos anos. Porém, liberar tudo isso pode se tornar algo extremamente tedioso, graças ao esquema de fishing (pescaria). Ele funciona da seguinte maneira: ao lutarmos nos diversos modos de jogo, ganhamos World Dolars, que podem ser gastos para pescar um item, ou dez de uma vez. 


Esses itens podem fazer parte da galeria ou da customização do nosso avatar do lobby, que já não é lá muito interessante. Para complicar a situação, existe a possibilidade de pescarmos itens repetidos. Caso aconteça isso, ganhamos um “peixe raro” e ao juntarmos dez, podemos escolher um item qualquer em troca. Seria muito mais simples desbloquear tudo com a compra direta na Galeria, assim iríamos focar naquilo que é realmente de nosso interesse. 

Onde estão meus amigos?

O grande mistério de Strive estava em seu modo Online. Tanto que, para isso, foram conduzidos diversos testes e betas abertos para a comunidade. Enfim, o resultado foi muito positivo, mas com algumas ressalvas. Sempre ao iniciar o jogo, é feita uma comunicação com o servidor, que algumas vezes pode demorar um pouco. Essa mesma verificação também é feita dentro dos menus dos modos em rede, o que aumenta um pouco mais a espera, porém é mais rápida que a inicial.


O modo ranqueado, que divide os jogadores em andares diferentes baseados em seu nível de habilidade, funciona muito bem. As partidas ocorrem sem grandes travamentos e de maneira fluida. Ainda é possível ir para o parque, onde pode-se lutar com qualquer um sem a preocupação de uma derrota afetar seu ranking. Infelizmente os lobbies ainda mantiveram o estranho visual 8-bit, com avatares desinteressantes, mas, pelo menos agora, fica mais explícito quem está disponível para um combate e quem só quer interagir com outros jogadores. Outro ponto contra é que não é possível assistir aos combates de outros integrantes da sala. Tudo que podemos ver são as barras de vida de cada um, e de maneira minúscula na tela.


Entretanto, o modo de sala fechada para um grupo apresentou diversas falhas. As salas possuem uma limitação para o número de lutas que podem ocorrer simultaneamente, podendo ser até quatro no máximo. Criar a sala em si é fácil, porém entrar nelas às vezes é difícil, mesmo com uma conexão estável e forte. Caso consiga entrar em uma, o próximo desafio é conseguir lutar, uma vez que foi muito comum surgirem mensagens de erro ao chegar na nossa de entrar na arena.

Um bom ponto de partida

Caso Strive seja o primeiro jogo de alguém da série Guilty Gear, esta pessoa não estará desamparada. O ritmo de jogo é fluido e bem menos frenético que os jogos anteriores. As movimentações básicas e até alguns combos mais longos são bastante simples de serem assimilados e aplicados durante as partidas. Até mesmo mecânicas mais complexas, como o Psych Burst e os Roman Cancels se tornaram intuitivos, a ponto de serem usados por jogadores de diferentes níveis.


Agora, caso alguém ainda se sinta um pouco perdido em meio a tudo isso, Strive possui um modo tutorial bastante completo, com diversas missões que explicam cada situação de jogo possível para os novatos. Decerto seja um exagero ter que repetir cada missão cinco vezes, mas é melhor pecar pelo excesso do que pela falta.

Talvez o único elemento da jogabilidade que acabou fazendo uma certa falta foram os Destroyers. Esses especiais encerravam a batalha automaticamente de maneira cinematográfica, com algumas animações e provocando situações de tensão ou jocosas entre os personagens. Entretanto, dada a dinâmica do jogo de ter cálculos de dano muito mais altos que os anteriores, no qual um round pode ser facilmente finalizado com um combo bem encaixado, realmente esse tipo de recurso parece que acaba sobrando.


Todos esses elementos são coroados com mais uma excelente trilha sonora composta por Daisuke Ishiwatari, e desta vez todos os personagens ganharam um tema cantado, em sua maioria pela voz poderosa de Naoki Hashimoto. Antes era um costume ter apenas a música de abertura e algumas promocionais com letra e vocal. Possivelmente, seja até um pouco difícil prestar atenção nas letras em meio aos combates, mas ainda assim elas não falham em trazer adrenalina a cada partida.

Bem mais céu do que inferno

Guilty Gear -Strive- pode ter gerado algumas dúvidas sobre o quão bom seria, dado alguns problemas no caminho, mas veio para se firmar, não só como um excelente jogo de luta, mas também uma das franquias mais pesadas do gênero. O jogo consegue ser técnico, inclusivo e viciante, fazendo com que, usando a dose de dedicação certa, todos se tornem grandes jogadores, e adoradores, da série.

Prós

  • Jogabilidade simples e fácil de compreender;
  • Modo Arcade desafiador (com mais um chefe complicado, para variar);
  • A batalha final de dois personagens contra um é uma novidade muito bem vinda;
  • Excelentes visuais;
  • Modo Online bastante estável e competente durante as lutas;
  • Biblioteca que explica nos mínimos detalhes toda a história da franquia;
  • Modo História cinematográfico muito bem produzido;
  • Trilha sonora magnífica.

Contras

  • O modo História poderia incluir algumas lutas pontuais para ilustrar certos conflitos;
  • Liberar a Galeria por fishing é algo que leva tempo demais e não é nada satisfatório;
  • Criar salas privativas e conseguir jogar nelas é algo praticamente inviável;
  • Os lobbies e avatares continuam desinteressantes mesmo depois dos betas abertos;
  • Os Destroyers fazem um pouco de falta para os fãs mais saudosistas.
Guilty Gear -Strive- — PC/PS4/PS5 — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Felipe Fina Franco
Análise feita com cópia cedida pela Arc System Works

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha.


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