Blast from the Past

Mega Man 8 (PS/Saturn) – Um humilde passo à frente no legado do robô azul

Relembre o jogo que inovou o que podia para manter a experiência clássica de Mega Man.


Mega Man é um herói de renome incontestável. Por décadas foi considerado um dos principais personagens do mundo dos games em diversas plataformas, principalmente nos consoles NES e SNES durante a década de 1990. Já chegando no fim do milênio, e com o advento dos consoles de mídias ópticas como o fenômeno PlayStation, a Capcom decidiu elevar a qualidade das aventuras do robô azul na aventura que marcaria o 10º aniversário da franquia.

Produzido com o objetivo de tirar o melhor proveito da tecnologia disponível na época para oferecer uma experiência nova, mas conservadora, de Mega Man já criada pela Capcom, nesta edição da nossa coluna Blast from the Past vamos relembrar Mega Man 8 começando com a empolgante sequência de abertura da versão japonesa do game.


O mal que veio do espaço

Lançado para o PlayStation e o Sega Saturn em fevereiro de 1997 nos Estados Unidos, Mega Man 8, como o nome já implica, é uma continuação das aventuras do famoso robô azul. A série coexistia com a já consagrada série Mega Man X, que naquele ano receberia o quarto game, Mega Man X4. Na história do oitavo episódio, uma intensa batalha no espaço sideral em um quadrante próximo de onde está o planeta Terra resultou na queda de um ser, bastante ferido, em uma ilha próxima de onde Mega Man travava uma batalha contra seu mais novo rival, Bass.

Dr. Light captou uma estranha leitura de energia, e pediu para que Mega Man fosse até o local investigar do que se tratava. Chegando lá, o herói tem um breve encontro com seu arqui-inimigo Dr. Wily, que escapa do local do acidente levando um misterioso orbe. Mega Man desiste de perseguir o vilão ao ver que um robô bastante avariado estava no local e resolve levá-lo para Dr. Light ajudá-lo.


Nesse meio tempo, Dr. Wily envia quatro de seus robôs para atacar diferentes pontos do mundo, e enquanto Dr. Light e Roll ficam por conta de ajudar o misterioso robô encontrado na ilha, Mega Man se encarrega de enfrentar os inimigos que estão causando problemas. Após derrotá-los, Proto Man surge e revela a seu “irmão” sobre a nova fortaleza de Wily. Se deslocando para o local, Mega Man descobre que a torre possui um poderoso escudo protetor.

É nesse momento que Duo, o robô que Mega Man resgatou, surge e conta sobre o misterioso orbe que Wily achou no local do acidente. O artefato é nada mais do que energia maligna pura, e Duo explica que sua missão é viajar pelo universo para conter esse mal, para que não destrua o mundo. Ciente das intenções de Wily, Mega Man prossegue em sua jornada contra mais quatro robôs do exército do vilão para ter condições de invadir a torre e impedir os planos malignos do cientista.

O bom e velho Mega Man, conservador e com algumas novidades

Como já pudemos ver no resumo da história, a “receita de bolo” de Mega Man se manteve intacta, com a clássica batalha do herói contra oito chefes antes de poder acessar a área final do game. O principal destaque, desta vez, ficou por conta do salto tecnológico em relação aos visuais, sons e alguns elementos de gameplay de Mega Man 8.

Uma das grandes novidades do jogo é que ele foi o primeiro da série a contar com vozes para os personagens. O trabalho de dublagem, que não era lá dos melhores, pode ser conferido em momentos chave da jogatina, como no combate contra os chefes e em algumas cenas, como o encontro de Mega Man com Wily na fase inicial. Além, claro, das animações que ajudam a apresentar a narrativa do game.


A fase de abertura, algo herdado da série Mega Man X, não era uma novidade, pois também foi um elemento usado em seu antecessor, Mega Man 7. A capacidade de revisitar os estágios, outra herança da série X, também estava presente, permitindo que Mega Man pudesse usar as habilidades obtidas dos Robot Masters para acessar áreas específicas nos estágios para obter itens extras, como tanques de energia e bolts, usados para adquirir aprimoramentos para o herói.

A estrutura de fases também sofreu alterações, com as fases principais sendo divididas em dois segmentos, permitindo retomar a ação da metade do estágio, caso perdesse todas as suas vidas. O sistema de passwords, usado desde o segundo jogo da série, também deu lugar para o já conhecido uso dos Memory Cards. A jogabilidade não alterou muito o jeito clássico de se jogar Mega Man, com o clássico tiro carregado e os deslizamentos, mas recordo que uma das coisas mais inovadoras foi o fato de ser o único jogo a permitir que Mega Man pudesse nadar até então.


Outra modificação contemporânea na jogabilidade foi o uso de um botão dedicado para o uso das armas especiais. Com um comando dedicado ao Mega Buster e outro para disparar a arma que está equipada era algo que agilizava bastante o gameplay, permitindo uma abordagem com dois armamentos de forma quase simultânea, seja ao atravessar um estágio ou mesmo na batalha contra os chefes.

A recepção do game foi boa na época, com críticas em relação à falta de mais inovações na jogabilidade, que ainda era mais do mesmo segundo os críticos. Para muitos, a única inovação foi a nova direção de arte e o uso de vídeos. Como a moda do momento eram os jogos em 3D, se manter nos mesmos moldes também desagradou alguns. Há quem preferisse que a série clássica permanecesse no passado e os esforços fossem dedicados à série Mega Man X, que tem mais foco na ação. Outro ponto criticado foi o uso "reciclado" de chefes que lembravam muito os dos jogos anteriores.


Por fim, uma curiosidade. Rockman & Forte, lançado apenas no Japão para o Super Famicom em abril de 1997 é considerado uma versão alternativa de Mega Man 8. Nele é possível jogar com Mega Man ou Bass, e alguns dos 8 chefes foram reaproveitados no jogo: Tengu Man, Astro Man e o Green Devil. O game, que aproveita muito da arte do antecessor, recebeu um relançamento para Game Boy Advance em 2003, levando o título oficialmente para o ocidente pela primeira vez.

Legado ainda vivo

25 anos depois de seu lançamento original, Mega Man 8 atravessou gerações por meio de relançamentos em coletâneas. O game esteve disponível em 2004 para PlayStation 2 e Game Cube, e no ano seguinte para Xbox em Mega Man Anniversary Collection, coletânea lançada em comemoração aos 15 anos de aniversário da franquia. O pacote traz os oito jogos da série principal juntamente com os exclusivos para arcade Mega Man: The Power Battle e Mega Man 2: The Power Fighters.

Em 2015 foi disponibilizado de forma avulsa, em formato digital, na PlayStation Store para ser jogado no PlayStation 3 e PSP, e atualmente também está disponível para PC, PlayStation 4, Xbox One e Switch, integrando a coleção Mega Man Legacy Collection 2, lançada em 2017. O segundo volume da coletânea traz Mega Man 8 juntamente com os jogos 7, 9 e 10, além de galerias e modos de jogo extras e exclusivos.


Encerro com um convite para você experimentar este excelente título que honra o legado de Mega Man. Deixe nos comentários sua lembrança sobre este ótimo game. Jogou a versão original do PlayStation, do Saturn ou foi só em alguma coletânea? Qual a arma mais legal de Mega Man 8? A gente se vê no próximo Blast from the Past!

Revisão: Felipe Fina Franco

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


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