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Análise: Dying Light 2: Stay Human (Multi) entrega uma experiência divertida, mas sem novidades de peso

A inusitada mistura de parkour e zumbis retorna recheada de conteúdo e algumas novidades bem-vindas.

Dying Light, lançado em 2015, teve uma ótima recepção ao proporcionar uma frenética aventura de apocalipse zumbi como nunca havíamos visto. Para a surpresa e felicidades dos fãs, a sequência foi anunciada durante a E3 de 2018. Porém, desde então, o game sofreu diversas mudanças, desde desenvolvimento a alterações no time, ocasionando seu adiamento por diversas vezes.


Mas o novo título da Techland chegou e está na hora de descobrir se a espera valeu a pena.

Uma devastação ainda maior

Dying Light 2: Stay Human acontece 15 anos após a história do primeiro jogo. Harran, a cidade em que se passou o antecessor, foi varrida do mapa e a situação com o THV parecia finalmente sob controle. A organização EGS encontrou uma cura para o vírus zumbi, mas, secretamente, também estava trabalhando para utilizá-lo para fins militares. O vírus escapou do laboratório e, agora mais forte, devastou não apenas uma cidade, mas o mundo inteiro.

Poucos grupos de sobreviventes ainda resistem e dependem dos Peregrinos, viajantes que se expõem ao perigo para realizar tarefas para estes grupos. Um destes peregrinos é o Aiden, nosso protagonista, que está em busca de sua irmã Mia, além de confrontar Waltz, um ex-cientista da GRE que realizava experimentos em crianças, incluindo Aiden e Mia durante suas infâncias. Aiden chega em Villedor com a esperança de rastrear e se reunir com sua irmã novamente, criando alianças com as facções e explorando a enorme cidade infestada de zumbis.


Uma das maiores evoluções da franquia, com este novo título, está justamente no enredo. Stay Human apresenta personagens bem explorados e uma história com muito mais detalhes e impactada por diversas escolhas que devemos realizar ao decorrer do jogo, definindo o destino da trama e dos personagens. O protagonista se vê em meio a duas facções completamente diferentes, os Pacificadores e os Sobreviventes, cujas escolhas também impactam nas histórias de seus membros e na conquista de territórios que, dependendo do grupo, colaboram com a locomoção ou proteção nos ambientes.

O tempo de campanha varia muito de acordo com seu estilo de jogo. Se completar algumas missões secundárias e explorar bem os cenários atrás de recursos, a campanha principal pode durar entre 15 e 20 horas. Essa é a forma mais segura de jogar Dying Light 2, uma vez que “rushar” pela campanha não te garante diversos recursos, habilidades e melhorias que seriam adquiridas ao longo do jogo, tornando a experiência bem mais difícil e trabalhosa. Apesar de contar com um enredo bem trabalhado, a história tem um começo um pouco arrastado e demora para proporcionar a liberdade que os trailers tanto prometeram.

Aliás, o que não falta no título é conteúdo: diversos tipos de missões a se fazer, instalações para saquear ou liberar, colecionáveis e atividades rápidas que devem ser realizadas apenas durante a noite. Apesar de muitas tarefas de NPC serem extremamente aleatórias para um apocalipse zumbi, durante a noite, contra criaturas com habilidades especiais, diversas missões secundárias garantem itens importantes, além de serem divertidas e aprofundarem o background de personagens e das facções.

Muito parkour para ainda mais zumbis

Dying Light 2 traz de volta o que já conhecemos de seu antecessor, mas com algumas novidades muito bem-vindas. Aiden possui uma barra de vida e uma barra de vigor, esta que é esgotada conforme realizamos manobras de parkour e ataques físicos. Há um terceiro fator de sobrevivência que torna o game ainda mais frenético durante a noite e em lugares fechados, mas não entrarei em detalhes para não dar spoilers do enredo.

Estes três fatores são aprimorados com os inibidores, que podem ser coletados em certos momentos da história, espalhados pelo mapa e dentro de instalações. Há também duas árvores de habilidades focadas em parkour em combate, que serão aprimoradas de acordo com o estilo do jogador.


Assim como no primeiro jogo, Stay Human também possui uma dinâmica de dia e noite, fornecendo desafios mais difíceis ao pôr do sol. É durante a noite, e em lugares sem luz solar ou lâmpadas UV, que o jogo mostra sua verdadeira dificuldade ao expor criaturas mais poderosas e com habilidades únicas, desafiando o jogador em perseguições frenéticas contra zumbis ágeis e mais fortes, mas também nos incentiva a explorar o mundo neste período a fim de conquistas recompensas mais raras e valiosas.

Os combates são outro grande destaque do jogo. Enquanto os zumbis comuns de dia não fornecem muita dificuldade, ao menos em hordas menores, as criaturas noturnas, com uma ótima variedade se comparado com o antecessor, garantem momentos tensos e exigem uma boa estratégia para lidar com as diversas situações. Os Uivadores, por exemplo, alertam os zumbis mais ágeis ao te avistarem, dando início a uma perseguição, então é necessário eliminá-los primeiro ou passar despercebido. Os inimigos humanos já exigem outras técnicas de combate, focadas em defesa no momentos certo e habilidades de esquiva para poder atacar no momento exato.


Desbloquear instalações seguras no mapa, como os moinhos de vento, é crucial para sobrevivermos durante a noite, uma vez que são equipadas com lâmpadas UV que mantêm os zumbis afastados e nos permite descansar para recuperar a vida e gerenciar o estoque particular de Aiden.

A exploração é primordial para garantirmos recursos e, com isso, armas mais fortes e duráveis. Cada arma branca, que varia desde canos enferrujados a grandes machados, tem sua durabilidade e atributos, sendo necessário a coleta de diversos recursos para consertá-las e deixá-las mais poderosas. Também é possível adquirir equipamentos que melhoram os atributos do personagem e criar itens consumíveis.


Pode ser uma questão muito pessoal, mas algo que me incomodou muito, como no primeiro título, foi a falta de precisão dos movimentos de parkour em diversos momentos. Não foram raras as vezes que um mesmo comando reagiu de formas diferentes, ou o personagem não se prendeu em parapeitos ou plataformas que claramente deveria ter se prendido. Para um jogo em que o foco é a movimentação, houve diversas falhas que atrapalharam nos momentos de perseguição e locomoção em pontos altos do mapa.

A HUD também é algo que pode atrapalhar no começo, ao menos até se acostumar. No mundo aberto, por termos tantas opções de atividades a fazer, locais a explorar e inimigos para identificar, há diversos elementos que aparecem ao pressionarmos o analógico direito, deixando a tela poluída. O menu do personagem, no qual realizamos as melhorias de armas e habilidades, também exige um tempo de adaptação.

Um belo apocalipse zumbi

Testado no PlayStation 5, Dying Light 2 apresenta um belo mundo aberto com gráficos já esperados para a geração. Como vem sendo praticado em diversos títulos desde o lançamento da nova geração de consoles, o jogo disponibiliza três opções gráficas: Desempenho, rodando a 60pfs mas sem ray tracing; Qualidade, que habilita o ray tracing em 30fps; e o Resolução, com definição em 4K e garantindo maior fidelidade gráfica. Entre estes modos, a melhor opção é a de Desempenho, já que a rápida movimentação demanda uma taxa de quadros maior para melhor proveito do gameplay.

Muitos bugs foram presenciados durante a jogatina, como tanto o protagonista quanto os inimigos ficarem presos em cantos e objetos além de cortes de diálogos, mas nada que não se esperasse de um jogo de mundo aberto com tamanho detalhamento.

Vale a pena?

Dying Light 2: Stay Human entrega quase a mesma experiência de gameplay com poucas novidades, porém bem-vindas. O enredo é o grande destaque do novo título da franquia, entregando uma história  interessante e personagens secundários bem desenvolvidos. O jogo estimula a exploração durante a noite, quando os inimigos mais poderosos estão à solta, mas garantindo as melhores recompensas.

Dying Light 2 deve ser apreciado com calma, explorando cada canto para garantir sua sobrevivência no apocalipse zumbi. A espera dos fãs e dos curiosos, que podem aproveitar o game mesmo sem ter jogado o antecessor, com certeza valeu a pena pela expansão do mundo de Dying Light, mas não tanto pelas novidades de gameplay.

Prós

  • Ótimo enredo que evolui de acordo com as escolhas do jogador;
  • Personagens secundários bem desenvolvidos;
  • As poucas novidades de peso são muito bem vindas;
  • Uma grande quantidade de conteúdo que garante centenas de horas de gameplay;
  • Combate divertido e frenético durante a noite.

Contras

  • Falhas em diversos momentos de parkour atrapalham a jogatina;
  • Exagero no elementos de HUD;
  • Muitas atividades secundárias genéricas que não valem o esforço.


Dying Light 2: Stay Human – PS5/PS4/XBX/XBO/PC – Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS5

Revisão: Thais Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Techland

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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