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Análise: Mr. DRILLER DrillLand (Multi) é um remaster gostoso como um passeio no parque

Acompanhe Susumu e seus amigos na visita a um curioso parque de diversões subterrâneo.

Os saudosistas que me perdoem, mas quando anunciam a remasterização de um game, mesmo daqueles que ninguém pediu, eu fico bastante contente. É a oportunidade de experimentar um clássico de forma aprimorada ou renovada, ou mesmo algo que antes só estava disponível em um mercado exclusivo, como o japonês.




Minha alegria não foi diferente com o anúncio de Mr. DRILLER DrillLand. O game foi originalmente lançado pela Namco no Japão apenas para o GameCube, em 2002, e agora está disponível para todos os consoles atuais, sendo que no ano passado recebeu ports apenas para PC e Switch. Tive o privilégio de jogá-lo em sua versão original uma vez, muitos anos atrás, e agora tenho o prazer de me divertir novamente neste título de uma maneira mais cômoda e decente. Vamos ver como foi esse passeio subterrâneo.

Um parque profundamente divertido

A família Hori é composta por Susumu, Taizo e Ataru, Anna Hottenmeier, o simpático cachorrinho falante Puchi e o robô Horinger-Z. Todos são convidados a visitar DrillLand, um curioso parque de diversões situado a 500 metros de profundidade, no dia de sua inauguração. O local possui diversas atrações temáticas que chamam a atenção do grupo e a empolgação dos Hori é evidente durante a cerimônia de abertura do lugar.

Entretanto, o parque, além de ser extremamente bonito e divertido, faz parte de mais um plano malévolo do nefasto Dr. Manhole e seus capangas, inimigos de longa data de Susumu e de toda a família. Felizmente, o grupo consegue deter mais uma vez os planos do vilão e podem continuar se divertindo no parque com os demais visitantes após passar pelas curiosas atrações de DrillLand.


Esse enredo, de um modo geral, é bem genérico mesmo, mas é muito bem contado e animado por meio de cutscenes e diálogos dublados (em japonês, apenas). A experiência fica por conta dos modos de jogo, que são apresentados na forma das atrações do parque. São cinco no total, e cada um possui mecânicas únicas e níveis de desafio que vão deixar o jogador entretido por muito tempo em DrillLand.

Uma divertida e desafiante tarde no parque

O remaster de Mr. DRILLER DrillLand traz a comodidade de disponibilizar duas formas de jogar o game: um modo casual, com um desafio mais balanceado para novos jogadores; e um modo chamado de clássico, trazendo um nível de dificuldade idêntico à versão original de 2002. A inconveniência do modo mais fácil é a impossibilidade de obter conquistas/troféus, mas é uma forma de preparar quem nunca teve contato com algum jogo da série Mr. DRILLER para sua estadia em DrillLand. O objetivo principal é obter carimbos de conclusão em cada uma das cinco atrações do parque.

DrillLand World Tour

A atração tem uma temática de volta ao mundo usando a jogabilidade clássica da série. O jogador pode escolher um dos seis personagens para cavar até a meta de profundidade o mais rápido possível, sempre atento para seu medidor de oxigênio e aos escombros que podem cair na sua cabeça. Procure sempre pegar mais cápsulas de ar para não sufocar e cuidado com os blocos marcados com um ‘X’, pois além de serem mais duros, eles fazem você perder 20 pontos de oxigênio.


Essa é a melhor atração para quem está começando, pois traz os fundamentos da jogabilidade de Mr. DRILLER. Cada personagem possui alguma peculiaridade, como cavar mais rápido ou consumir oxigênio de forma mais lenta. Caso suas vidas acabem antes de chegar ao objetivo, game over.

The Hole of Druaga

O título desta atração é uma referência a outro jogo da própria Namco chamado The Tower of Druaga, lançado em 1984. Como o nome já entrega, ao invés de escalar uma torre, temos que cavar as masmorras até nosso objetivo principal.


Aqui assumimos o papel de Anna Hottenmeier, que precisa desbravar o local para resgatar Susumu, a princesa da vez. Fazendo uso de cristais que modificam ou destroem as cores dos escombros, ou recuperam os pontos de vida de Anna, nosso objetivo é encontrar uma chave que dá acesso ao calabouço onde está Druaga, derrotá-lo e salvar o “donzelo”. Um dos destaques desta atração é sua horizontalidade, pois devemos andar por outras telas de jogo em busca da chave e do chefe.

Horror Night House

A atração com temática de horror é protagonizada por Ataru, o irmão mais velho de Susumu. Nosso objetivo é coletar cristais ao derrotar fantasmas que assombram os escombros que devemos escavar para prosseguir. Contudo, para derrotar as assombrações Ataru precisa de frascos de água benta que purificam a área que será escavada e, consequentemente, ao cavar na seção onde um fantasma está, ele é derrotado e uma das joias que devemos coletar é obtida.

Drindy Adventure

Aqui assumimos o papel de Taizo na única atração que não tem o oxigênio como elemento de gameplay, mas nem por isso deixa nossa tarefa mais fácil. Controlando o pai de Susumu, temos que escavar enquanto obtemos uma quantidade pré-determinada de ídolos de ouro antes de alcançar a meta de profundidade da tumba.


Além dos habituais escombros que podem cair sobre nossa cabeça, a descida conta com diversas armadilhas que tornam a jornada cada vez mais lenta e perigosa, nos fazendo pensar cuidadosamente em nossa próxima jogada para que não seja a última.

Star Driller

Nesta aventura espacial, a jogabilidade é bem semelhante à do World Tour, mas com a adição de blocos que causam efeitos especiais na área de jogo ou no próprio Susumu, o protagonista desta atração. Alguns desses efeitos incluem a alteração da gravidade, fazendo os escombros cairem de forma mais lenta; obtenção de escudos de proteção; aumento da capacidade máxima de oxigênio; buracos negros e até mesmo uma chuva de meteoritos. O objetivo é chegar na meta de profundidade e, como de costume, perder todas as suas vidas significa game over para nosso escavador desbravador espacial.


O que mais vem incluso no ingresso?

A campanha principal é curta, sendo finalizada quando obtemos o primeiro carimbo de cada uma das atrações e derrotamos Dr. Manhole em um confronto final. O desafio maior fica por conta da obtenção dos carimbos restantes e de itens colecionáveis, adquiridos nas lojinhas do parque com pontos recebidos ao concluirmos as atrações. Nessas mesmas lojinhas, é possível comprar melhorias para uso em cada um dos modos, como um maior número inicial de vidas ou algum tipo de modificador, como começar com escudos ou ter mais oxigênio.

Completar essas coleções de carimbos e itens é simples na teoria, mas na prática se mostra uma tarefa que vai demandar bastante tempo e habilidade. A partir do segundo nível de cada atração, ou seja, após terminarmos a campanha principal, o nível de dificuldade já é bastante elevado, deixando claro que a brincadeira tem que ser levada a sério aqui.


Assim como na versão original de 2002, Mr. DRILLER DrillLand tem um modo multiplayer competitivo local para até quatro jogadores em tela dividida ou em uma grande área de jogo. As partidas são disputadas em corridas para ver quem consegue mais medalhas. Nos lançamentos para Switch e PC no ano passado, ainda não havia suporte ao multiplayer online, que agora também está disponível com a chegada do game para os consoles da Sony e Microsoft.

Entretanto, até a data da publicação desta análise eu ainda não havia conseguido jogá-lo pela internet. Mesmo criando uma seção e aguardando diversos minutos, não consegui realizar nenhuma partida com outros jogadores no modo online, então não tenho como afirmar se o modo realmente funciona ou se simplesmente não caiu no gosto de quem tem o jogo.
Aqui foi bem difícil encontrar outros jogadores no multiplayer online
O que se sabe é que não há suporte ao cross-play. Talvez a adição desse recurso, que já é bastante comum, ajude a sanar o problema em encontrar partidas em ambiente online, dando mais vida útil ao gameplay.

Obrigado e volte sempre!

Ter Mr. DRILLER DrillLand de volta e disponível para uma ampla gama de jogadores é algo agradável de se ver, pois trata-se de um jogo bonito, divertido, colorido e alegre que é um prato cheio para os fãs de puzzles. Como todo parque de diversões, nossa intenção é sempre voltar para brincar um pouco mais.

Historicamente, ele também faz um resgate do legado da Namco (atual Bandai Namco), uma empresa que fez história na indústria com títulos que sempre tiveram ênfase em proporcionar o principal em um jogo eletrônico: desafio e diversão.

Prós

  • Gameplay simples e desafiante;
  • Apresentação cativante com arte e trilha sonora acolhedoras;
  • Diversos modos de jogo com objetivos distintos e pouco maçantes;
  • A obtenção de colecionáveis estende bastante a vida útil do jogo;
  • O modo casual torna a apresentação do game para iniciantes mais agradável;
  • Multiplayer local e online e para até quatro jogadores.

Contras

  • A curva de dificuldade se acentua rapidamente no modo clássico;
  • Modo online com dificuldade para encontrar partidas e sem suporte ao cross-play.
Mr. DRILLER DrillLand — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Bandai Namco Entertainment

Tecnólogo em Gestão Ambiental, produtor do BlastCast e sincero até demais. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora jogos que acabam em discórdia e fogo no parquinho. @XelaoHerege


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