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Análise: The Wild at Heart (PC/XBO) e o trabalho em equipe

O jogo desperta o espírito de cooperação e estimula a criatividade na resolução de puzzles.



Não se engane pelo visual cativante dos cenários e pelos rostinhos angelicais de Wake e Kirby. The Wild at Heart (PC/XBO) nos coloca no lugar de duas crianças que se aventuram em uma floresta bastante incomum e cheia de seres fantásticos que parecem ter saído diretamente de uma mente infante.


Quem já teve a oportunidade de explorar bosques com amigos na infância pode relembrar essas experiências ao acompanhar Wake na tentativa de fugir de casa com sua amiga Kirby. Assim que sai de casa para dar seguimento ao plano, o garoto percebe que está sozinho e preocupa-se com o que poderia ter acontecido à sua parceira. Embora não parecesse a opção mais segura, ele adentra a floresta motivado a encontrá-la.

O ato de coragem acaba colocando-o na trilha de uma aventura muito mais arriscada e cheia de personagens dispostos a ajudá-lo, mas os desafios que o esperam são insuperáveis para aqueles que decidem seguir sozinhos.

Pequenos escudeiros




Os acontecimentos fantasiosos começam quando Wake depara um spriteling, uma pequena ninfa elemental que o guia para dentro de uma árvore fantástica e o leva ao encontro com alguns Guardiões da Floresta. Esses novos personagens convocam Wake a uma jornada cheia de perigos da escuridão da noite.

Ainda que estivesse sem sua amiga, o pequeno aventureiro segue seu caminho acompanhado de um spriteling. Essas simpáticas criaturinhas não só o ajudam carregar itens, como também o ajudam a superar obstáculos e a combater inimigos. São bastante prestativos e seguem seus protetores a todo lugar, o que faz o jogo oferecer um aspecto não só funcional, mas também afetivo, despertando no jogador a sensação de responsabilidade pelos companheirinhos. Caso eles se percam, é possível resgatá-los com uma máquina criada por Wake que aspira as ninfas para perto, mas caso isso não seja possível por estarem perdidos no mapa, é necessário libertá-los para a natureza.

Sendo diferentes entre si, os spritelings costumam apresentar características próprias e usam habilidades especiais para lidar com os elementos do cenário da forma mais efetiva. Se o jogador é impedido de fazer um trajeto porque cercas de espinhos bloqueiam seu caminho, basta lançar uma ninfa de fogo ao alvo que os obstáculos desmancham-se em cinzas.

Unindo forças contra a escuridão




Durante sua exploração, Wake é impossibilitado de seguir alguns caminhos. Há espaços a serem visitados e estudados que não são acessíveis a qualquer passante. Felizmente, Kirby reaparece e traz novas habilidades ao jogo, o que se faz fundamental para que alguns puzzles sejam resolvidos e para que o mapa seja ainda mais acessível.

The Wild at Heart propõe uma estrutura de desafios que força seus jogadores a lidarem com suas próprias limitações. A escolha por permitir que algumas ações só possam ser realizadas em equipe nos lembra de que na vida real dificilmente avançamos sozinhos, e mesmo quando atingimos uma certa autonomia, muitas vezes passamos a colaborar com aqueles que não possuem o mesmo ferramental que já desenvolvemos em nossas experiências. As habilidades dos personagens das crianças junto com as habilidades das ninfas não só permitem resoluções de problemas, como também proporcionam circunstâncias em que elas podem ser alcançadas por mais de um meio. Nem sempre haverá uma única saída.

Embrenhando-se no imaginário




Uma das coisas que mais me chamaram a atenção nesse jogo foram os elementos do cenário que sutilmente remetem a coisas presentes na vida de Wake. Além disso, os ambientes são todos desenhados com traços cartunescos, com cores que parecem ter saído de uma caixa de gizes pastéis.

Assim como nas brincadeiras que inventava quando criança, todas as coisas que compunham meu universo vinham acompanhadas de uma boa dose de criatividade. Sucata poderia facilmente virar uma arma poderosa. No caso de The Wild at Heart, dispositivos e itens de suporte são criados por uma mecânica de fabricação que junta elementos coletados ao longo do jogo e receitas que só são descobertas com muitas tentativas ousadas de combinações de objetos.

Uma história com vários caminhos

Assim como muitos jogos de puzzles contam com narrativas ricas e bem estruturadas para justificar a existência de cada desafio, The Wild at Heart entrega uma história criativa e cheia de momentos misteriosos. O diferencial aqui é a liberdade que o mapa dá ao jogador para explorar os desafios na ordem que julgar melhor, permitindo que cada um avance no plot principal no ritmo que preferir.

É um jogo para aqueles que gostam de explorar o ambiente com curiosidade e atenção e que buscam uma história interessante e bem articulada ao gameplay, de modo que as mecânicas sirvam de reforço à experiência pretendida. Nesse jogo em que a parceria se faz fundamental, a diversão vem de mãos dadas com a emoção.

Prós:

  • História cativante, com alívios cômicos que tornam o jogo leve;
  • Gráficos cartunescos e coloridos compatíveis com uma história sobre crianças aventureiras;
  • Jogabilidade intuitiva e criativa que permite mais de uma resolução para um mesmo desafio;
  • Valorização do trabalho em equipe destacando como cada um pode contribuir de uma forma diferente.

Contras:

  • Algumas vezes há falhas nos jogos que tornam impossível a recuperação de alguns spritelings;
  • O trecho longo na ausência de Kirby dificulta que o jogo seja desempenhado com ajuda de algum amigo de forma cooperativa, impossibilitando a coerência entre a mensagem do jogo e a possibilidade de um modo multiplayer.
The Wild at Heart - PC/XBO - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Matheus Araujo
Análise produzida com cópia digital fornecida pela Humble Games

 





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