Jogamos

Análise: F.I.S.T.: Forged In Shadow Torch (Multi) – Salvando o mundo na base da porrada

Este metroidvania produzido pelo estúdio chinês TiGames é um dos melhores títulos do gênero em 2021.


Apesar de eu não gostar muito do termo, da palavra, metroidvania, o gênero em si é um dos meus favoritos de todos os tempos. A premissa originária do “casamento” entre Metroid e Castlevania é um dos mais explorados pelo cenário independente e, em sua maioria, rendem bons frutos. Dos poucos que joguei e somando a outros que acompanhei desde o início de 2021, F.I.S.T.: Forged In Shadow Torch fica, até agora, no alto da tabela como um dos melhores do gênero para mim. Na análise de hoje vou mostrar um pouco da ótima experiência que tive com o game.

Bem-vindo a Torch City!

Nossa história se passa em um universo com temática dieselpunk centrado na metrópole de Torch City. O local é habitado por animais antropomórficos que convivem em uma sociedade com fortes influências orientais e está passando por um momento delicado de sua história. Seis anos atrás ocorreu um violento conflito entre a Resistência e a Legião, uma poderosa força armada de animais cibernéticos que lutavam para dominar o mundo em um regime ditatorial.

Apesar de sua face branca e felpuda, o coelho Rayton foi um dos pilotos mais ferozes da Resistência durante o conflito ao lado de seu irmão de armas, Cicero. Os dois travaram sangrentas batalhas contra os cães da facção inimiga, e em dado momento a derrota chegou para ambos, culminando na prisão de seu amigo e na aposentadoria forçada de Ray.


Hoje, lembrado por poucos como um verdadeiro herói de guerra, Rayton se vê forçado a lutar novamente quando os Iron Dogs, uma divisão da Legião que ainda quer dominar Torch City, prende injustamente seu amigo Urso. Equipado com a única peça que restou de seu antigo robô de combate, Rayton inicia uma batalha pessoal contra a Legião armado de seu punho de ferro.

O coelho acaba se envolvendo em um esquema muito maior do que os conflitos de antigamente, revelando segredos dos quais achou que estavam enterrados para sempre, além de um antigo segredo que pode definir de uma vez por todas o lado vencedor deste violento conflito entre os cidadãos de Torch City e a Legião.

De olhos vermelhos e pelo branquinho, vou socar sua cara e quebrar seu focinho

Um dos principais destaques da jogabilidade em F.I.S.T. é o sistema de combate de Rayton. Armado inicialmente com um intimidador punho de ferro mecanizado, o coelho é capaz de desferir combinações de golpes fulminantes e devastadores. Um ponto interessante nesta mecânica é o seu funcionamento, que remete bastante aos jogos de luta que conhecemos atualmente.


No decorrer do jogo, Ray obtém outras duas armas para compor seu arsenal principal: uma broca e um chicote. Com o auxílio de Mestre Wu, um eremita detentor de vasto conhecimento nas artes marciais, nosso felpudo herói pode treinar combos para liberar novas técnicas em sua árvore de habilidades e descobrir formas tão engenhosas quanto devastadoras de derrotar os soldados dos Iron Dogs.

Outra técnica, um pouco mais difícil de dominar, é a aparada de golpes. Ela funciona de forma bem semelhante ao parry de Street Fighter III, no qual o jogador precisa acionar o comando de movimento na direção do oponente no exato momento em que receberá um ataque. A técnica também funciona contra projéteis e, se executada com sucesso, deixa o oponente momentaneamente atordoado e suscetível a receber um de seus monstruosos combos.


Como se isso tudo não fosse suficiente, em determinadas situações os inimigos também podem ser imediatamente derrotados com um comando de finalização. Basta agarrar um inimigo que esteja aceso na cor laranja para derrotá-lo de forma instantânea, com direito a uma animação especial para deixar o espectador mais imerso na ação.

No decorrer da campanha, Rayton pode descobrir diversas passagens e salas escondidas com recompensas, estas na forma de colecionáveis que vão aprimorar alguma habilidade secundária do herói, como recuperação de vida ou uso de armas secundárias, além de moedas e Data Disks, usados para o desbloqueio de suas habilidades de combate.

Explorando em uma história envolvente

Como já é típico neste gênero de jogo, a experiência principal de F.I.S.T. se dá na exploração das diversas áreas do jogo, principalmente Torch City, que é o setor principal que conecta todas elas. O mapa de jogo é imenso, e para quem gosta do fator exploração em um metroidvania, vai aproveitar bastante a jornada enquanto descobre todos os segredos que a megalópole tem a oferecer em setores recheados de ação, além de outros com bastante desafio de habilidade e quebra-cabeças.

Algumas áreas, obviamente, necessitam que Rayton já tenha obtido determinada habilidade ou arma que o permita acessá-las. Saltos duplos, na parede, e capacidade de mover debaixo d’água só ampliam as possibilidades de exploração de nosso amigo peludo em sua busca por justiça para os cidadãos de Torch City.


Outro ponto alto da experiência são a história e o elenco, que trazem uma trama sólida sem rodeios, e personagens cheios de personalidade e carisma. Urso, o grande amigo de nosso herói, é um dos destaques, com momentos distintos nos quais se mostra o mais importante aliado de Ray, e um protagonista quando é colocado como alívio cômico de determinado ato da história. Duke, o líder da Gangue dos Ratos, Chuen, o dono do restaurante, e a misteriosa Lady Q, membro do Clã dos Gatos, são outros personagens de destaque na trama, cada um com seus momentos importantes durante a aventura.

É bem legal poder ver durante os intervalos entre as pancadarias contra os inimigos os trechos da trama que contam um pouco mais da história de Rayton, e os motivos que o fizeram deixar de lutar, mas nunca deixar a chama de justiça em seu peito se apagar. É algo que nos faz ter mais apego pelo protagonista e estimula nossa jogatina pelas várias horas de campanha. Outro ponto que enriquece a narrativa é o fato dos principais diálogos do jogo contarem com a dublagem (em inglês ou chinês) dos personagens, dando um ar mais cinematográfico à experiência.


Gosto deste tipo de abordagem, pois mostra a preocupação do estúdio de não apenas fazer um game, mas também contar uma história para quem está jogando. Imagine ter que passar horas jogando com um protagonista sem carisma, deixando as sessões de jogo cada vez mais maçantes. Já passei por isso algumas vezes e sei que você também. Se não, esse dia vai chegar. Aguarde…

Alguns socos no estômago

Mesmo com tanta coisa boa acontecendo no mundo de F.I.S.T., assim como um bom soco, que se não for bem dado pode quebrar sua mão, tecnicamente temos alguns pontos que merecem ser destacados para que um destes não acerte sua cara. O principal deles é justamente o sistema de combate, que mesmo sendo bem feito, pode ser um problema para quem não está acostumado com jogos de luta, ponto que destaquei logo no início desta análise.

O combate é feito usando dois tipos de ataque (fraco e forte), saltos e agarramentos. Jogadores com pouca habilidade ou não muito acostumados com combinações de botões, mesmo que simples, podem levar um tempo para se acostumar, principalmente quando a luta contra os inimigos exigir mais destreza, sobretudo quando há muitos adversários na tela. Houve momentos em que eu, mesmo já habituado com esse tipo de mecânica, tive alguns problemas aprendendo alguns combos para facilitar minha vida no combate.


Por fazer uso de três armas diferentes, o jogador pode mesclar o uso das armas em seus combos de ataques, algo que também faz parte do treinamento do mestre Wu, e um dos desafios de treinamento mais difíceis do jogo. A velocidade de troca e a cadência de ataques não é tão fluida quanto aparenta ser, exigindo mais treino e “jeitinho” para se acostumar. Na dúvida, há também a opção de investir apenas em uma arma. As demais não farão muita falta no combate, limitando seu uso a pontos específicos do mapa.

Outro detalhe são os bugs gráficos recorrentes, principalmente quando já estamos mais ágeis e rápidos. Em alguns momentos eu estava me movendo tão rápido pelo mapa, que ao entrar numa sala precisei aguardar alguns segundos para que o cenário fosse carregado. Pontual, mas estranho e denuncia uma falha na otimização, que pode ser resolvida com atualizações futuras. Apesar desse detalhe, telas de carregamento não são recorrentes, se limitando apenas ao utilizar o recurso de viagem rápida ou momentos pontuais.


Outro detalhe que ajudaria bastante na exploração é a presença de um mini mapa. Não que seja extremamente inconveniente precisar abrir o menu diversas vezes para ver o local que estamos indo, longe disso. Apenas imagine o quão ágil nossa exploração ficaria com um artifício destes na tela, não é mesmo? Ainda mais com um mapa tão grande para explorar.

O menu também poderia ser melhor desenvolvido. Enquanto alguns elementos, como as habilidades e armas tem mais destaque, outros como a quantidade de coletáveis adquiridos, ficam “encaixadas” em um canto para aproveitar o espaço. Uma lista de golpes poderia estar disponível ali, deixando de ficar limitada quando acessamos o terminal de salvamento, lugar para adquirirmos essas melhorias. Em resumo, os problemas ficam por conta dos detalhes, afetando pouco a experiência de um modo geral, mas existem.

Um game com mão firme em sua proposta

FIST: Forged In Shadow Torch traz uma sólida experiência para quem curte jogos de ação em plataforma de um modo geral. A inspiração no gênero metroidvania é o que sustenta a jogabilidade viciante e frenética do game em uma aventura que vai te segurar do início ao fim. Com destaque para o combate e a exploração, é um dos melhores jogos do gênero lançados em 2021, que chegou dando um verdadeiro soco de qualidade no mercado.

Prós

  • A estética dieselpunk com animais é algo que chama a atenção;
  • O combate proporciona momentos divertidos e desafiantes;
  • Mapa de jogo imenso com diversos segredos para descobrir e colecionáveis para coletar;
  • História com personagens cheios de personalidade e carisma.

Contras

  • Bugs gráficos pontuais;
  • Sistema de combate poderia ser mais fluido;
  • Menu com interface pouco interessante de navegar e com informações úteis em falta.
FIST: Forged In Shadow Torch – PC/PS4/PS5 – Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Felipe Franco
Análise feita com cópia digital cedida pela bilibili

Tecnólogo em Gestão Ambiental, produtor do BlastCast e sincero até demais. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora jogos que acabam em discórdia e fogo no parquinho. @XelaoHerege


Disqus
Facebook
Google