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Análise: Crown Trick (Multi) une inteligência e diversão sem apressar o jogador

Aventure-se pelos labirintos do sono profundo para exterminar um terrível tirano que quer governar o universo.

Roguelikes tendem a ser desafiadores e até exaustivos, com sua metodologia de sempre fazer o jogador recomeçar sua jornada sem os equipamentos adquiridos previamente. Isso faz com que o nível de desafio desse tipo de jogo seja altíssimo, exigindo concentração máxima de quem se aventura neles. Mesmo assim, Crown Trick consegue se destacar no gênero com uma combinação interessante de ação com estratégia em turnos.

Um quadrado de cada vez

Crown Trick traz tudo que um roguelike tradicional tem. Controlamos a pequena Elle, que parte em uma jornada para derrotar o Conde Vlad. Ela tem à sua disposição uma coroa que a ajudará a atravessar o Reino do Pesadelo, derrotando monstros e superando armadilhas.

Ao longo do percurso, ela coleta artefatos que garantem vantagens para seu ataque, defesa, mágica, dano crítico e pontos de vida. Existem também itens consumíveis que lhe conferem proteção, invulnerabilidade a efeitos especiais e até atingir inimigos que estejam a uma determinada distância.

Além disso, nossa heroína utiliza diferentes armas, como lanças, cajados, manoplas, rifles, machados e espadas. Elas podem ser encontradas com características e raridades variadas, cada uma com sua área de alcance específica. Por fim, existem os familiares. Eles funcionam como sub-chefes, e quando derrotados, podem ser usados a nosso favor para conjurar magias devastadoras e muito úteis, nos tirando de situações complicadas.

A grande sacada aqui é que tudo se desenrola por turnos. Cada ação feita gasta um turno, como se estivéssemos andando em um grande tabuleiro. Logo, dar um passo em alguma direção, atacar ou conjurar uma magia contam como uma ação. É possível também pular o turno e induzir todas as criaturas restantes a se mover, o que ajuda na estratégia de trazê-las para perto e assim deixá-las ao alcance dos seus artifícios e investidas.

Algumas ações não contam para tomar o turno, como pegar itens no chão, se virar em uma direção específica (mas sem dar um passo) e pular. Essa última é bastante útil para cobrir grandes espaços na hora de se aproximar para um golpe ou se afastar de uma emboscada, porém tem uma quantidade limitada de usos.

Pode parecer uma escolha atípica para um roguelike, mas a ideia de se mover em turnos caiu muito bem na proposta de Crown Trick. Mesmo que cada espaço ofereça um desafio diferente, o jogador tem um tempo razoável para entender e pensar na melhor saída, sem se sentir pressionado a tomar decisões erroneamente enquanto é soterrado por uma enxurrada de inimigos raivosos.

Para que tudo não fique tão massacrante, você tem a possibilidade de resgatar pessoas pelo labirinto, que irão lhe ajudar nas próximas vezes que você se aventurar. Ao ser salvas, elas irão para o seu ponto de partida e oferecerão seus préstimos para melhorar alguns atributos, como a raridade das armas encontradas, a quantidade de itens de cura que usamos e encontrados e até quanto dinheiro pode ser arrecadado. Todas essas evoluções custam fragmentos de almas, que são um pouco difíceis de encontrar. Isso torna o grinding de habilidades meio exaustivo.

Tá cheio aqui, não?

A arte de Crown Trick é incrivelmente bonita, com visuais coloridos e animados, lembrando muito um desenho bem trabalhado. Os monstros também são bastante carismáticos, apesar de se repetirem com uma frequência incômoda, e o bom humor está presente em diversos momentos, criando um ambiente muito divertido de ser explorado.

Por falar em exploração, cada andar que devemos percorrer em nossa saga contra Vlad é gerado processualmente. Logo, nunca passaremos duas vezes pelo mesmo lugar… em partes. Por mais que tudo seja criado aleatoriamente, alguns locais se parecem muito, seja na disposição de inimigos e armadilhas, seja pelos itens dados. A sensação de estar em uma sala repetida acaba aflorando depois de poucas horinhas de jogo.

Outro pequeno pecado visual que Crown Trick comete é o de tudo se confundir visualmente quando a ação está concentrada em um ponto só. Existem sinalizações que aparecem no chão, indicando o alcance do ataque inimigo, bem como a quantidade de turnos que ele levará para acontecer. Como a maioria dos monstros ataca de maneira mais próxima, é normal que eles marchem para cima de você, e ao aparecer a indicação de um ou mais ao mesmo tempo, tudo se confunde na tela e não é difícil acontecer de você errar a direção de um ataque ou morrer sem saber de onde veio a investida.

A câmera é estática, então temos que nos virar para entender a ordem dos acontecimentos. Isso inclusive cria diversos pontos cegos atrás de pilastras, colunas e até inimigos com um físico avantajado. Nas batalhas contra os chefes, isso também acontece. Podemos ter informações sobre eles na parte superior da tela, como sua fraqueza e sua resistência, só que ao atingi-los com ataques que causam efeitos especiais, tudo se amontoa em uma barra, em letrinhas miúdas, e fica difícil entender quantos turnos ainda faltam para se encerrar cada efeito.

Vale a aventura

Crown Trick consegue ser um roguelike muito charmoso, como se fosse um grande desenho animado, e mesmo com uma dificuldade que cresce de maneira desigual em certos momentos, torna-se altamente recomendável para quem quer experimentar o gênero, graças ao seu andamento por turnos. Uma combinação que resultou em uma aventura agradável e desafiadora.

Prós

  • O sistema de turnos é perfeito para tomar decisões sem se atrapalhar;
  • Jogabilidade simples de entender;
  • Ótimos visuais;
  • História muito bem elaborada.

Contras

  • O grinding pode ser um pouco cansativo;
  • A câmera fixa gera pontos cegos;
  • Mesmo que gerados de maneira processual, alguns ambientes são muito parecidos;
  • Por algumas vezes, muita informação se amontoa em um ponto só da tela.
Crown Trick — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Team17


é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha.


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