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Análise: The Great Ace Attorney Chronicles (Multi) é uma coletânea de emoções nos tribunais de Londres

Lançados originalmente para 3DS, os títulos chegam para PC, PS4 e Switch entregando tudo o que a franquia Ace Attorney tem a oferecer.


The Great Ace Attorney Chronicles
é uma coletânea de dois jogos lançados originalmente para Nintendo 3DS apenas no Japão: The Great Ace Attorney: Adventures e The Great Ace Attorney: Resolve. Ambos apresentam Ryunosuke Naruhodo, antepassado do famoso advogado Phoenix Wright, em seus estranhos casos nas ruas de Londres. Seguindo uma dinâmica semelhante aos seus antecessores, Ace Attorney Chronicles não só junta dois dos melhores títulos da franquia, como também funciona como uma competente porta de entrada para novatos.

De frente com o mundo globalizado

Em um momento histórico onde o Japão decidiu abrir suas fronteiras e encarar a globalização, muitas novidades do mundo moderno foram absorvidas pelo império nipônico. Da fotografia às novidades alimentares, o Japão se mostrou aberto a evoluir como país, incluindo entender e melhorar seu sistema jurídico.




Em uma prática comum entre os países, estudantes são enviados às outras nações para estudar e introduzir as novidades do mundo moderno ao seu território. Nesse contexto, Ryunosuke Naruhodo se tornou o estudante responsável por viajar ao Império Britânico e aprender o que há de melhor no mais moderno sistema jurídico do mundo.

Seguindo uma estrutura semelhante às entradas anteriores da série, Ace Attorney Chronicles mescla os acertos e erros da franquia, introduzindo novidades que dão um frescor necessário ao jogo. Dos tribunais às ruas, todo e qualquer detalhe pode ser de suma importância para conseguir sucesso em sua missão.



Argumentando em defesa de seu cliente

Uma vez com o caso nas mãos, Ryunosuke é responsável por investigar a cena do crime, coletar evidências, conversar com testemunhas e utilizar esses dados para defender seu cliente no tribunal. Todas as mecânicas vão sendo introduzidas aos poucos, facilitando principalmente para jogadores novatos na série.

Quando estamos presentes nos cenários para investigação, o jogo se torna um point-and-click, onde devemos selecionar elementos na tela para encontrar evidências relevantes ao caso. Esses itens podem ser usados dentro e fora dos tribunais para desenvolver diálogos e provar seu ponto de vista diante de testemunhas, júri ou juiz.




Já nos tribunais, temos duas seções distintas: o depoimento das testemunhas e o julgamento do júri. As testemunhas chamadas pela promotoria descrevem, de acordo com seu ponto de vista, o que presenciaram do crime. Após o relato, somos responsáveis pela realização do Cross Examination, onde devemos apontar as incongruências utilizando as evidências coletadas.

Em meio à disputa do julgamento, o júri, composto por seis pessoas, começa a dar um veredito de acordo com o que foi exposto pela defesa ou promotoria. Caso os seis participantes julguem seu cliente como culpado, temos direto ao Summation Examination. Nesse momento, os jurados devem justificar o seu veredito, e Ryunosuke deve apontar contradições em suas falas e tentar convencê-los a mudar de opinião.




A dinâmica no tribunal é sempre a mais intensa, com diversas reviravoltas ocorrendo a todo momento. É extremamente importante observar com calma as evidências e prestar atenção nos diálogos. Essas informações são cruciais não apenas para o caso, mas também para o contexto do jogo. Tudo, de certa forma, está ligado, com lacunas da história que vão sendo preenchidas aos poucos.

Ora ora… Temos um Xeroque Rolmes aqui!

Um jogo que envolve investigação em Londres não estaria completo sem o lendário detetive Herlock Sholmes. O personagem do escritor Sir Arthur Conan Doyle aparece em meio a história com uma personalidade mais divertida e extrovertida — porém não menos séria —, diferente do que normalmente é representado em outras mídias.




Essa extravagância de Sholmes é refletida em suas famosas deduções, levando a raciocínios e diálogos um pouco distorcidos da realidade. É nesse momento que Ryunosuke entra em uma verdadeira dança dedutiva com o detetive, no que é chamado de Logic and Reasoning Spectacular.

Para mim, esse foi o verdadeiro ponto alto de Ace Attorney Chronicles. A participação de Herlock encorpa e dá mais energia às investigações, que tendem a ser um pouco monótonas fora dos tribunais devido à estrutura de gameplay. Mas não apenas isso: as referências às obras de Doyle ao longo dos casos também ajudam a incrementar a história, dando uma personalidade diferente ao jogo.




Londres também se encontra bem caracterizada. A capital inglesa é representada de maneira competente para demonstrar as particularidades da época. Além disso, os personagens sempre extravagantes e cheios de personalidade ajudam a dar mais vida às movimentadas ruas e tribunais da cidade. A trilha sonora é um dos principais auxílios nesse quesito, sempre ditando o ritmo do jogo, uma vez que os diálogos não possuem atuação de voz e os personagens têm movimentação e expressões faciais bem limitadas.

Histórias arrastadas que te vencem pelo cansaço

Mesmo apresentando novidades interessantes nos tribunais e nas investigações, Ace Attorney Chronicles peca por ter um ritmo cansativo em suas missões. Para cada caso, são horas e mais horas de textos sendo jogados na tela até chegar no ponto que fica difícil prestar atenção na história. A sensação que tenho é que os casos poderiam ser ligeiramente mais enxutos para tornar o gameplay mais dinâmico. Existe a possibilidade de salvar a qualquer momento para continuar depois, porém sinto que fazer isso quebra um pouco a imersão na história.




Existem duas mecânicas que, de certa forma, conseguem aliviar esse problema: o Auto Mode e o Story Mode. O primeiro permite que os diálogos passem automaticamente, com você intervindo apenas quando necessário; já no segundo, a campanha prossegue de maneira automática sem precisar que o jogador faça algum movimento. Em determinadas situações essas duas opções são extremamente bem-vindas, principalmente nos cenários fora dos tribunais.

Em relação aos casos, considero o desfecho de alguns abaixo da média. Tradicionalmente, Ace Attorney possui muitas reviravoltas em suas missões, contando com uma intensa disputa de argumentos nos tribunais. Porém, aqui senti que em algumas histórias os desfechos foram, de certa forma, até decepcionantes em relação a todo o contexto que estava estabelecido. Não digo que são ruins, apenas que ficaram abaixo da média de um jogo com histórias carregadas de emoção.



O melhor e mais completo Ace Attorney

The Great Ace Attorney Chronicles não é só uma coletânea com dois bons jogos, mas também uma divertida aventura nos tribunais ingleses. As histórias são ricas em detalhes, com casos interessantes e criativos que te fazem quebrar a cabeça para entendê-los. Somado a isso, temos Herlock Sholmes dando uma dinâmica muito legal às investigações e participando ativamente das missões.

Mesmo tendo um problema no ritmo, a possibilidade de passar a história de forma automática alivia, de certa forma, o que seria um jogo cansativo. Para novatos, é uma excelente opção para conhecer a franquia; já para veteranos, temos novidades que tornam Ace Attorney ainda mais envolvente.

Prós

  • Os casos contam com reviravoltas muito intensas;
  • A dinâmica de dedução de Herlock Sholmes é extremamente divertida;
  • Muitas referências às histórias de Sir Arthur Conan Doyle;
  • Personagens carismáticos e muito bem detalhados;
  • A trilha sonora conduz o ritmo do jogo de maneira competente;
  • Londres e Japão são bem caracterizados em seus cenários e personagens;
  • As opções de Auto Mode e Story Mode ajudam a tornar o jogo menos cansativo;
  • As conexões entre os casos tornam as investigações ainda mais interessantes.

Contras

  • O desfecho de algumas histórias fica abaixo da média;
  • Alguns capítulos são muito maiores que o necessário.
The Great Ace Attorney Chronicles – PC/PS4/Switch – Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão:Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Capcom

Graduando em Engenharia Geológica pela UFOP, viciado em café, RPG e GeoGuessr. Não dispensa uma partida de CS:GO e normalmente está navegando sem rumo pelo Twitter.


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