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Análise: The TakeOver (Multi) é um beat ‘em up divertido que reúne o que há de melhor no gênero

Um jogo de briga de rua que entrega exatamente aquilo que você espera.


The TakeOver é um beat ‘em up que se passa em Steel Haven, uma metrópole na costa leste dos EUA. Gangues desorganizadas de criminosos se uniram sob uma única bandeira, inaugurando uma era de terror na cidade.
 
Um dos poucos que se opõe à onda de violência é Ethan Rivers, um tira barra-pesada que, junto com sua namorada Megan e seu camarada militar Connor, sai para resgatar sua filha adotiva que foi sequestrada pelos criminosos, botando para quebrar contra os punks pelas ruas para descobrir o paradeiro da garota.

Se você acha que já viu este roteiro antes é porque sim, já viu. Misture sem culpa tudo que você gosta dos melhores beat ‘em ups e o resultado será The TakeOver.

Tudo junto e misturado!

Este jogo não é muito original e sequer tem essa pretensão. Sem medo de mostrar suas referências, ele pega tudo o que há de mais legal em títulos como Streets of Rage e Final Fight, suas fontes óbvias de inspiração, e combina com um visual meio Killer Instinct, meio Mortal Kombat, entregando exatamente aquilo que você espera: um beat ‘em up 2D com visão lateral em que derrotamos grupos de inimigos até chegar a um chefão no final de cada fase.

Todos os clichês de um bom jogo de briga de rua estão aqui: um trio de personagens iniciais para escolher, bater em punks pelas ruas, motociclistas que te atropelam, comer comida do lixo, fase do elevador, fase da fábrica, fase do navio, etc.


São três personagens à disposição: Connor é o brutamontes fortão, mas com pouca agilidade; Megan é a mais rápida e ágil, mas com menos força física; e Ethan é o personagem que equilibra força e velocidade. Existe ainda um personagem secreto, Jackson, com maior alcance, que é desbloqueado ao concluir o modo arcade.
 
O que mais gostei em The TakeOver foi sua jogabilidade extremamente gostosa, simples e divertida. É possível misturar combos de socos com chutes para fazer cadeias longas de ataque, o que é um belo diferencial em relação a outros jogos que só permitem combos de chute ou soco, sem misturar.


Os agarrões com arremesso também são bastante satisfatórios, pois os inimigos voam longe, derrubando outros bandidos no caminho, o que é excelente para limpar áreas. Ao executar sequências de ataques, você carrega lentamente uma barra de especial, que ao ser completada pode acionar um ataque de artilharia que aniquila todos os inimigos na tela.


Falando em trazer o que há de melhor do gênero, a trilha sonora é bastante empolgante, combinando perfeitamente com a temática, e o time de compositores conta com Yuzo Koshiro, responsável pela trilha sonora de Streets of Rage.

É uma pena que não haja opção para configurar os controles. Eu preferiria colocar o botão de pulo ao lado do botão de chute para facilitar o uso de voadoras, mas infelizmente não há essa possibilidade.

TakeOver here!!!!!

Apesar de todos os clichês, The TakeOver também traz muitos elementos que, apesar de não serem exatamente originais, são pouco comuns de se ver juntos em um beat ‘em up.

Um ponto que captura imediatamente a atenção é seu estilo artístico bastante peculiar. Durante o gameplay, os personagens são desenhados com modelos grandes, o que não é muito usual em jogos de briga de rua, e com uma modelagem 3D “realística” bastante inspirada no primeiro Mortal Kombat.




Assim como em Mortal Kombat e Killer Instinct, os personagens parecem 3D mas não são. O jogo é todo em 2D, com animação por sprites. Já as cutscenes contam com cenas desenhadas à mão, em um estilo cartunesco bonito e cheio de atitude, inspirado em quadrinhos de ação.




Além de contar com os punhos e armas eventuais que você encontrar pelo cenário, existe a possibilidade permanente de usar armas de fogo, numa mecânica muito parecida com Tokyo Beat Down. As armas são muito eficientes, porém a munição é escassa, sendo melhor guardá-las para situações críticas.

Existem algumas fases especiais que possuem mecânicas próprias e proporcionam uma variação na jogabilidade. A primeira é um estágio bônus de perseguição em carros com um limite de tempo, que é aumentado se explodimos os bandidos e diminuído se detonamos carros de civis. Se o jogador conseguir cumprir o objetivo, ganhará uma vida extra.




Mais para frente temos uma fase de tiro, numa espécie de templo asteca onde encontramos metralhadoras com munição infinita para nos defendermos de zumbis mutantes. Nesta fase você deixa o combate corpo a corpo em favor de um gameplay com ataque totalmente à distância, como em jogos run and gun. No estágio final somos surpreendidos com uma fase bônus bastante inspirada em After Burner. 




Além do modo arcade, existe o Challenge, em que você deve jogar as fases cumprindo certos requisitos para desbloquear o próximo nível; o modo Survival, em que você enfrenta o máximo de inimigos que puder antes de sua vida acabar; e o Practice, que permite treinar combos e movimentos.

Rápido e satisfatório

Convidei minha amiga Giovanna para uma jogatina no modo campanha, que também pode ser jogado em single player, mas é muito mais legal se curtido em dupla. Concluímos o jogo em pouco mais de duas horas e foi uma experiência extremamente divertida. Gostaria de poder jogar mais vezes com a Gi, mas infelizmente não há modo multiplayer online. São sete estágios, com dois finais possíveis, cujo desfecho depende de uma escolha feita pelo jogador após derrotar a chefe final.


É possível recomeçar a partir de qualquer estágio já desbloqueado, por isso dá pra revisitar suas fases favoritas sempre que quiser, ou ver o segundo final sem precisar passar por tudo novamente. Existem diversos níveis de dificuldade, atendendo a jogadores de todos os níveis de habilidade.

O jogo não crashou nenhuma vez, mas na batalha final a chefe apresentou falhas de movimentação, se “teleportando” pelo mapa e manifestando problemas na caixa de colisão (a gente batia, mas o jogo não registrava os hits). Isso não é um poder da NPC, foi um bug mesmo. Jogando a fase novamente isso não voltou a acontecer, então acredito que foi um problema pontual.

Tudo que você espera

The TakeOver faz referências explícitas às obras que o inspiraram e tem tudo que se espera de um bom beat ‘em up, com um visual diferenciado e jogabilidade simples e impecável. Apesar de alguns problemas técnicos pontuais, é uma ótima recomendação por ser divertido e gostoso de jogar, atendendo muito bem à sua proposta para os fãs do gênero.



Prós

  • Reúne o que há de melhor em um beat ‘em up com alguns elementos extras;
  • Jogabilidade extremamente prazerosa e divertida;
  • Visual diferenciado e personagens com sprites grandes.

Contras

  • Alguns bugs em caixas de colisão e inimigos teleportando do nada;
  • Não permite configuração de controles;
  • Não possui multiplayer online.
The TakeOver - PS4/Switch/PC - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela DANGEN Entertainment

é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação. Gosta de acompanhar a evolução da indústria dos games e considera-os um dos melhores entretenimentos do mundo.


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