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Análise: Days Gone (PC/PS4) é uma aventura divertida de explorar um mundo com zumbis

Apesar de genérico, o jogo da Sony tem uma performance exemplar no PC.

Desenvolvido pelo Bend Studio e publicado pela Sony, Days Gone foi originalmente lançado como um exclusivo de PS4. O título open world de ação focado em tentar sobreviver e explorar um mundo recheado de zumbis e outros inimigos chega ao PC com algumas melhorias.

Evitando hordas de zumbis

Days Gone conta a história de Deacon St. John, um motociclista que vive no Oregon. Em um mundo tomado por zumbis chamados de Frenéticos, ou Freakers em inglês. Em meio a esse ambiente hostil, ele terá que lutar para sobreviver ao mesmo tempo no qual lida com algumas situações relacionadas ao seu passado e aos agrupamentos de humanos que ainda resistem.

A história em si acaba sendo bem banal e dentro do esperado de uma obra de zumbis. Dividida em várias missões isoladas em um mundo aberto, ela acaba sendo bastante diluída e fraca. Com isso, a obra tem dificuldade em atribuir peso emocional aos eventos e os personagens não têm carisma.

Porém, o gameplay do jogo traz uma experiência agradável. Conforme explora as áreas, o jogador irá se deparar com vários inimigos. Não apenas Frenéticos, como humanos e membros de uma seita sinistra, os Rippers. Com munição limitada e armas de curto alcance que se desgastam e quebram, é necessário ter cautela no combate.

Especialmente porque o título conta com várias hordas e fazer muito barulho ou alertar um inimigo é suficiente para atrair um bando inteiro. Devido a isso, o uso de stealth é aconselhável, até porque é possível matar um inimigo rapidamente ao pegá-lo desprevenido. O jogador pode usar seu binóculo para marcar inimigos no mapa, assim como usar seus sentidos para detectar os itens ao seu redor.

O jogador também pode roubar as armas dos humanos derrotados e obter receitas que permitem a fabricação de novos itens. Isso inclui upgrades para armas (como fazer um taco com pregos), itens para distrair os inimigos, bombas, entre outros. Porém, um fator problemático é o fato de que só é possível carregar uma arma de cada tipo (branca, primária e especial). A ideia é forçar o jogador a tomar uma decisão pensando no que seria a melhor escolha para aquele momento, mas na prática é só um incômodo inútil.
 Ao derrotar inimigos e concluir missões, Deacon ganha experiência. Ao acumular uma certa quantidade, ele recebe um ponto de habilidade, que pode ser gasto em três categorias (combate corpo a corpo, combate à distância e sobrevivência). No início, cada uma delas conta com três poderes para escolher. Ao investir neles, o jogador irá desbloquear o próximo nível com mais três poderes e assim por diante.
 
Um outro aspecto importante para o jogo é a moto de Deacon, que é a grande companheira do personagem. Ela não é apenas necessária para se locomover pelo mapa, mas também  é exigida para iniciar algumas missões. Para continuar rodando, a moto precisa de combustível e ela sofre dano com batidas e afins.

Em vários pontos do mapa há galões de combustível para usar na moto. Com sucata, Deacon consegue restaurar a integridade do veículo. Caso ele caia em um lago cujas águas são muito profundas ou alguma situação similar, é possível utilizar o mapa para pedir o resgate da moto.

Vale destacar também que, enquanto está na moto, o minimapa aponta a rota indicada para chegar ao objetivo. Ao andar a pé, essa funcionalidade é retirada, sendo necessário abrir o mapa para observar o caminho. Apesar de existir uma indicação de direção olhando ao redor, essa perda é um tanto desagradável.
 
No entanto, de forma geral, o gameplay é sólido com um bom polimento técnico. Especialmente por conta das mecânicas de stealth, as opções de curta e longa distância e os vários itens com funcionalidades extras. Não há nada além do esperado em função do tema, mas Days Gone consegue oferecer boa ação.

Possibilidades extras no PC

O detalhe que realmente chama atenção em Days Gone é a qualidade da sua versão de PC. Trata-se de um port muito bem feito, contando com um menu repleto de opções. Além de poder selecionar padrões de qualidade gráfica já pré-montados (baixa, média, alta e muito alta), é possível ajustar detalhadamente os seus elementos, como iluminação, geometria, folhagens, sombras, desfoque de movimento, entre outros.
 
Também é possível ampliar ou reduzir o campo de visão, ligar ou desligar o v-sync, limitar o fps a taxas específicas como 60 ou 30 fps e modificar a resolução. Vale ressaltar que é possível observar as mudanças gráficas pelo próprio menu, que também apresenta a métrica de performance do jogo. Dessa forma, é fácil avaliar como o jogo fica e adaptar os gráficos para uma experiência mais agradável.
Há também um modo foto robusto no jogo.
Tanto as opções de teclado e mouse quanto controles são boas e funcionais, contando também com ajustes específicos. O áudio inclui dublagem e legendas em português do Brasil, sendo ambas de boa qualidade. Também é possível adicionar fundo às legendas para melhorar o contraste e garantir a leitura, assim como aumentar o seu tamanho. Apenas destacaria que mesmo na opção grande, a legenda não ocupa muito espaço de tela.

A dificuldade pode ser ajustada com as opções fácil, normal, difícil (I e II) e sobrevivência (I e II). No último modo são banidas as viagens rápidas pelo mapa. Na versão de PC, o jogo também conta com um Novo Jogo+ que carrega todas as estatísticas para um novo início da história.
Além disso, há uma opção de Desafios. No geral, essas missões são um pouco mais do mesmo, com objetivo de sobrevivência contra hordas ou combates específicos e pequenas tarefas secundárias. Para quem já dominou o jogo base, esses afazeres contam como um bom entretenimento extra. Porém, há também os “desafios de moto”, que funcionam praticamente como um jogo de corrida sem oponentes. Ou seja, o jogador precisa manobrar pelas áreas, realizando determinadas tarefas pelo caminho.

Days Gone é um bom jogo de ação em que o jogador precisa lidar com hordas de zumbi e tentar sobreviver, gerenciando seu inventário dentro do possível. Apesar de sua história e gameplay serem genéricos, o seu desempenho técnico no PC é louvável, valendo a pena conferir para quem gosta de jogos de ação.

Prós

  • Port bem feito, recheado de opções de configuração;
  • Mapa grande com múltiplas missões para fazer e locais para explorar;
  • Funcionamento de stealth e combate satisfatórios, com opções de curta e longa distância, assim como itens com outras finalidades como armadilhas;
  • Menu de desafios extras no PC;
  • Legendas e dublagem em português.

Contras

  • História de zumbi banal e sem carisma ou peso emocional;
  • Só é possível carregar uma arma de cada tipo;
  • Minimapa com funcionalidade muito reduzida sem a moto.
Days Gone – PC/PS4 – Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
 Revisão: Felipe Fina Franco
Análise produzida com cópia digital cedida pela Sony

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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