Jogamos

Análise: Aerial_Knight's Never Yield (Multi) é uma intensa corrida pelo jazz e pelo hip-hop

Use e abuse de acrobacias e corra como nunca para escapar de seus perseguidores neste título indie.



Aerial_Knight’s Never Yield chega com a proposta de misturar características de side-scrolling, plataforma e runner no intuito de trazer uma experiência inédita para o público. De fato, ele consegue trazer um nível de qualidade além do que vimos nos famosos endless runners, apresentando um enredo que serve de plano de fundo na jornada do protagonista, além de uma trilha sonora bem orquestrada, ajudando a aprofundar e conduzir o ritmo da aventura. A junção desses elementos é um título indie breve, porém, com uma jogabilidade cativante que nos convida a revisitá-lo por várias vezes.

Conspirações e perseguições

A ideia por trás do título veio de Neil Jones, a.k.a. Aerial_Knight. É exatamente o que vocês estão pensando, Neil colocou muitas referências no projeto, inclusive seu próprio apelido e traços de sua aparência no protagonista que, por sinal, traz um visual bem descolado e que facilmente se encaixaria como um super-herói moderno. Foi algo natural para um trabalho que teve o esforço do desenvolvedor quase que de forma exclusiva, já que ele desenvolveu, animou e trabalhou na edição do jogo. 




Aqui conhecemos Wally, uma misteriosa figura que consegue se libertar de seu cativeiro no laboratório secreto de uma perigosa corporação. Em posse de um importante segredo que pode mudar o curso da história de sua cidade, que aqui se apresenta como uma mistura futurista de Detroit e Tóquio, ele deverá correr contra o tempo, superar obstáculos e enfrentar toda sorte de perseguidores ávidos por acabar com sua vida. 

A narrativa em Never Yield é transmitida de forma pouco explicativa. Pequenas cutscenes se desenrolam conforme progredimos, sem a presença de diálogos ou textos explicativos. Isso confere uma certa subjetividade ao entendimento do que está acontecendo e atiça nossa imaginação e curiosidade em criar teorias a respeito. Mesmo com a curta duração da campanha, a história é concluída de forma satisfatória, dando um desfecho interessante para o nosso fugitivo. 




Terminada a campanha, o título se torna facilmente uma opção viável para partidas rápidas em momentos que não dispomos de muito tempo. Ainda temos extras relacionados ao desbloqueio de novos trajes para Wally, além de poder testar nossas habilidades em fases bônus acessadas no término de determinada fase após encontrar uma moeda especial. 

Ritmo que dita a ação

A trilha sonora foi o ponto que mais me chamou a atenção durante minha jogatina. Trilhas sonoras de jazz, blues e hip-hop se combinam para conferir o drama e a emoção de cada trecho. Essa mistura da música chamada old school e as batidas eletrônicas mais contemporâneas criam músicas marcantes que chegam a roubar nossa atenção durante as partidas, algo semelhante quando nos vemos hipnotizados pelas paisagens exuberantes de Red Dead Redemption II ou de The Witcher 3.

Oficialmente as lojas indicam um artista chamado Danime-sama como o responsável pelo trabalho, contudo, não encontrei qualquer informação relacionada a esse nome. Já uma das principais canções traz a assinatura do próprio Neil Jones e de Daniel Wilkins, que já trabalhou com outros títulos indies.
 
Um relato do próprio Jones explica o quanto ele queria criar algo que não só encaixaria perfeitamente na fase do jogo, mas que também tocaria as pessoas ao ponto de elas escutarem a música no carro ou em uma viagem. Da minha parte, posso afirmar que a missão foi bem executada, pois estou ávido para adquirir a trilha sonora oficial assim que estiver disponível e adicioná-la às minhas playlists.

Corra, Wally, corra!

A jogabilidade em si consegue equilibrar simplicidade e alto desafio. Ela se baseia no famoso conceito de jogos no estilo runner em que obstáculos surgem durante o trajeto e devemos usar comandos básicos de movimentação para desviar e manter nosso ritmo cada vez mais acelerado. O diferencial de Never Yield está na dinâmica em que as coisas acontecem. 




Explosões, perseguições e precipícios são alguns dos exemplos das adversidades que acontecem de forma constante que, aliadas a um excelente trabalho de efeitos de câmera, ditam o ritmo frenético e incessante muito característico na obra.

Nosso corredor pode realizar saltos, acrobacias, deslizadas e aumentar ou desacelerar a velocidade de seu ritmo. Cada uma dessas opções está atrelada a uma cor que estará presente em cada obstáculo, a fim de ajudar o jogador a distinguir qual comando é apropriado em determinada situação. 




Além disso, o tutorial inicial conta com um efeito de câmera lenta antes de cada ação, o que ajuda a nos habituar com as mecânicas e os elementos que nos esperam à frente. Conforme concluímos a primeira fase, desbloqueamos mais duas dificuldades que servem para regular o quanto o efeito de bullet time estará presente, podendo até anulá-lo no nível mais difícil, ao passo que adiciona mais obstáculos no percurso.

Por falar em obstáculos, eles se diversificam em elementos comuns de uma cidade, como objetos de construção, veículos e até mesmo mobílias de escritório, ganhando maior variedade à medida que progredimos e o enredo se desenrola. Bater em um deles interrompe imediatamente a ação e a batida da música, como se passássemos por uma faixa arranhada de um disco, nos dando a opção de recomeçar de um checkpoint ou desistir. 




A premissa pode parecer simplória, mas a atmosfera repleta de adrenalina, a trilha sonora impecável e um competente trabalho de edição conseguem cativar ao ponto de nos instigar a retornar por mais vezes em cada fase no intuito de buscar a conclusão no menor tempo possível. A acessibilidade dos controles, aliada à configuração da dificuldade, permite que crianças ou adultos tenham uma experiência divertida e desafiante.

É muito fácil se levar pelo ritmo acelerado que o jogo impõe, e rapidamente me vi atraído pela dificuldade Insana, desativando os slow motions enquanto mantinha a tecla de acelerar pressionada para deixar tudo ainda mais emocionante. O level design da última fase é tão bem elaborado e empolgante que nesse momento intercalo a redação desta análise com tentativas rápidas de conclusões em tempos cada vez menores.

A fase bônus é como um mini game com visual pixelado e muito desafiador


“Never quit, never yield!”

Aerial_Knight’s Never Yield entra facilmente para a minha lista de indies que valem a pena ser experimentados. A constante utilização da trilha sonora para conferir um ritmo envolvente na experiência é algo até explorado na indústria dos jogos, porém, são poucos os casos que conseguem se destacar por esse feito. E aqui temos mais um exemplo bem-sucedido.




Sua jogabilidade básica confere acessibilidade para diversos públicos enquanto permite um nível de desafio considerável. Seu único contraponto fica por conta da curta duração da campanha, além da falta de um modo cooperativo que pudesse aproveitar o recurso dinâmico de transição de câmeras apresentado, principalmente, na última fase.

Ainda assim, dada as circunstâncias no desenvolvimento, é uma ausência compreensiva e que nos deixa na expectativa pelo trabalho do Aerial_Knight em uma sequência.

Prós

  • Trilha sonora envolvente;
  • Visual chamativo do protagonista;
  • Dinâmica dos efeitos de câmera;
  • Acessibilidade de controles e regulagem da dificuldade.

Contra

  • Curta duração da campanha;
  • Ausência de um modo cooperativo. 
Aerial_Knight's Never Yield – PC/PS4/Switch/XBO/XSX – Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise publicada com cópia cedida pela Headup

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


Disqus
Facebook
Google