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Análise: Don’t Give Up (PC) é uma aventura curiosa e filosófica que peca pela repetitividade

Indie brasileiro traz diálogos e discussões interessantes aliados a um gameplay simples e repetitivo.


O que você faria se encontrasse a morte? E o que você estaria disposto a fazer para salvar a sua vida em uma situação crítica? Você se arrepende de não viver a vida como queria? Essas e outras questões são os temas tratados em Don’t Give Up. Criado pelo estúdio indie brasileiro Delta Arcade, esse título de sobrevivência aborda algumas questões existenciais enquanto te desafia a sobreviver em meio a uma floresta.

Uma chance de sobreviver

O jogo se inicia com um monólogo da protagonista enquanto dirige seu carro a noite. Em meio a uma reflexão sobre a vida, seu veículo se envolve em um acidente e, após o evento, seu corpo é jogado em uma floresta. A cena seguinte mostra o espírito da protagonista ao lado do corpo enquanto é encarado pela Morte. Curiosa e intrigada com sua vida, a entidade te dá uma chance de continuar vivendo; para isso você deve procurar seu celular, chamar a ambulância e fazer o que for possível para manter seu corpo vivo enquanto espera o socorro.

Para sobreviver, você deve coletar itens espalhados pelo chão ao longo do pequeno trecho de floresta localizado ao lado de um cemitério. Esses itens devem ser utilizados para manter as quatro barras de atributos da personagem cheias: Vontade, Frio, Fome e Vida. Os itens disponíveis consistem em folhas, galhos, pedras, frutas, nozes e cogumelos, e podem ser combinados para criar itens, como fogueira, tocha, cobertor, telhado, salada de frutas e poções, e, ao apanhá-los, ficam armazenados no seu pequeno inventário com espaço para cinco objetos.

Após ligar para o socorro com o celular, um timer de 60 minutos começa a andar, e é nesse espaço de tempo que você deve explorar o cenário e lutar para sobreviver. Em caso de fracasso, a Morte virá para buscar sua alma e seu progresso será zerado. Em meio à exploração, é possível conversar com espíritos ali presentes com a própria Morte, e são nesses diálogos que o jogo se destaca e acaba prendendo o jogador pela curiosidade.

Problemas que estragam a experiência

A simples mecânica de sobrevivência apresentada em Don’t Give Up está acompanhada de problemas que interferem consideravelmente no progresso. Durante a jogatina, encontrei dois bugs que atrapalham bastante: o primeiro deles ocorria quando eu tentava pegar dois itens que estão próximos, sendo que o jogo só processava a coleta de um deles, e o segundo ocorria no momento dos diálogos, quando o jogo travava de forma que a única solução era reiniciar o programa. No entanto, havia um terceiro bug que me ajudou bastante no meio das partidas: nos momentos em que eu ia utilizar algum item de sobrevivência no corpo da protagonista, o bug simplesmente duplicava o item, me fazendo poupar tempo na coleta e criação.

Mas o problema que acredito ser o principal é a interminável repetição de ações. Com o mapa pequeno e a pouca variedade de itens para coletar, o jogo se torna extremamente repetitivo em pouco tempo. Você se encontra sempre coletando as mesmas coisas e criando os mesmo itens no que parece um ciclo interminável. Por mais que existam alguns obstáculos que irão te atrapalhar ao longo da jornada, essa mudança no sistema, muitas vezes, só serve para te deixar frustrado. Além disso, Don’t Give Up mostra um tutorial extremamente simples e pouco intuitivo. A falta de informações sobre os itens e sua utilidade te fazem perder tempo testando e desperdiçando recursos que em muitos momentos são essenciais, e isso torna o título pouco acessível para jogadores muito casuais. A sensação que dá é que o jogo simplesmente te largou.


Sua vida tem valido a pena?

Assim como Bright Days in Quarantine (PC), também produzido pela Delta Arcade, Don’t Give Up apresenta ao jogador diversos diálogos que nos permitem refletir sobre a vida e nossas atitudes. Desde o início, todas as falas refletem ideias comuns nas cabeças das pessoas. Quem nunca se questionou se está vivendo bem a vida ou nunca se frustrou com as decisões feitas? Quem não gostaria de voltar atrás e refazer as coisas de outra forma? O que você conversaria caso encontrasse a Morte? E como você a imagina? Don’t Give Up traz essas discussões sempre.

Esse, com certeza, é o maior ponto positivo do jogo. Dentro do gameplay repetitivo, essas interações instigam a curiosidade que trás a motivação necessária para continuar o jogo, pois em muitos momentos o ciclo de ações só vai deixando o jogo mais cansativo. Não entrarei em muitos detalhes dos diálogos pois não quero estragar uma eventual surpresa aos interessados no jogo, mas posso garantir que muitas linhas de texto vão te fazer rir e te deixar realmente interessado em continuar jogando.




Muito potencial, mas precisa de correções

Don’t Give Up é um jogo com mecânicas bem simples e repetitivas, porém é cativante com seus gráficos e discussões. A falta de um tutorial mais elaborado e descrições sobre os itens torna o jogo pouco acessível e cansativo no início. Além disso, os bugs desanimam e deixam a partida bem frustrante. Porém, assim como apontado na análise de Bright Days in Quarantine (PC), os diálogos são os principais pontos positivos do jogo e as discussões promovidas pelos desenvolvedores cativam o jogador a querer jogar mais.

Prós

  • Os gráficos em pixel art são cativantes;
  • Traz discussões sobre a vida de forma bem-humorada.

Contras

  • Bugs na coleta de itens e nos diálogos;
  • Gameplay repetitivo;
  • Tutorial com poucas explicações;
  • Ausência de descrição dos itens.
Don’t Give Up — PC — Nota: 7.0
Revisão: José Carlos Alves
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo redator


Graduando em Engenharia Geológica pela UFOP, viciado em café, RPG e GeoGuessr. Não dispensa uma partida de CS:GO e normalmente está navegando sem rumo pelo Twitter.


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