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Análise: Touhou Hyouibana ~ Antinomy of Common Flowers é um jogo de luta simples e focado em seus fãs de longa data

Título vem para trazer mais um capítulo à extensa saga Touhou Project.


O Touhou Project é uma série criada por Jun’ya Ota, mais conhecido por ZUN. No seu início, lá atrás, no ano de 1997, o gênero era focado em shoot’em ups. Porém, a franquia é uma defensora do uso livre da licença, o que resultou em um imenso montante de lançamentos, sejam mangás, animes ou jogos de outros gêneros. 

Touhou Hyouibana ~ Antinomy of Common Flowers é considerado o capítulo de número 15.5 da saga, pois seus eventos ocorrem entre os capítulos 15 e 16, e já havia sido lançado para PC em 2017 e agora foi portado para PlayStation 4 e Nintendo Switch. Além disso, ele é o primeiro da franquia a ter legendas em inglês, totalmente feitas por fãs.

A Possessão Perfeita

Os eventos deste jogo giram em torno de um fenômeno chamado Possessão Perfeita. Trata-se do ato de uma pessoa escolher outra para tomar seu lugar fisicamente, com ou sem o consentimento da escolhida. As personagens do jogo, que variam entre bruxas, criaturas místicas e entidades demoníacas, resolvem se envolver em batalhas para investigar mais a fundo o que está ocasionando este fenômeno e quais suas consequências.

É com esse pano de fundo que se justifica o principal fator da jogabilidade do título: a troca de personagens. Sempre podemos escolher duas lutadoras, uma que será a principal e a outra que será a escrava. E aqui está a primeira dualidade de Antinomy of Commom Flowers. Quem procura apenas um jogo de luta vai se sentir confuso, tanto pelo esquema de possessão, como pelos outros comandos disponíveis e execução dos especiais. Mas, quem já acompanha a série, terá um prato cheio para se divertir, podendo combinar as 19 combatentes livremente.


A personagem que escolhemos como mestra possui comandos simples, como golpes de ataque físico, magias básicas e um especial que varia de acordo com uma carta escolhida na tela de seleção. Outro ponto contra é que a tradução dos fãs não é minuciosa e ficamos a ver navios ao tentar entender o que cada carta faz. Por fim, existe o próprio comando de possessão, feito com um botão, que nos dá controle por um período de tempo sobre a personagem secundária, que pode executar os mesmos comandos que a primária, com exceção do ataque especial.


Por ser um jogo que tenta adaptar mecânicas e visuais ao estilo bullet hell em um gênero totalmente diferente, fica difícil agradar os fãs mais ávidos dos jogos de luta, ainda mais com coisas incomuns, como o “pulo para baixo”. Como todas as garotas presentes são criaturas mágicas, elas se digladiam flutuando no ar. Logo, é possível dar o pulo comum, para cima, e fazer o mesmo movimento na direção contrária. É estranho, mas se encaixa no contexto proposto e é até que bastante palatável para quem não tem intimidade com o gênero.

Pegando um bonde em movimento

Antinomy of Common Flowers traz o modo História, o Versus (contra CPU ou outro jogador), o Treino e o Online. Enquanto todos são auto explicativos, o principal e único destaque é o História. Nele, jogamos com duplas determinadas por uma série de lutas, para entender o desdobramento principal. Mais uma vez a dualidade se faz presente, tornando o título extremamente focado em seu nicho.


Cada capítulo da história é focado em uma dupla específica, que busca aperfeiçoar a Possessão Perfeita ou investigar os acontecimentos em torno deste fenômeno. Ao todo, o jogador fará 51 lutas nos 11 capítulos da narrativa. Pelo menos os eventos, tanto para quem pegou seu primeiro título da saga quanto para quem já é veterano em Touhou, se explicam bem, sem deixar pontas soltas. Óbvio que seria legal entender a interação entre as personagens de maneira mais aplicada, mas ainda assim é um alívio não ficar à deriva com uma história que não mostra de onde veio ou para onde vai.

O aspecto visual como um todo não é ruim, mas também não é algo condizente com os consoles em que foi lançado. Tanto as personagens quanto as fases poderiam mostrar um melhor polimento. A excelência fica por conta da trilha sonora, grande parte composta pelo próprio ZUN, que chega até a destoar e roubar a cena durante os combates.


Não faria mal a inclusão de uma galeria, uma vez que cada capítulo tem uma espécie de “final” e as músicas ganharam esse carinho ao serem reunidas em uma sessão especial para elas. Também seria interessante ver artes conceituais, animações em alta definição e até algumas pistas dos desdobramentos da história em si como imagens isoladas.

Tem que ser fã

Touhou Hyouibana ~ Antinomy of Common Flowers é um título que até consegue ser bacana, mas não se mostra muito amistoso para quem não acompanha a saga das personagens. Como jogo de luta, suas mecânicas e dinamismo podem tanto causar estranheza como também podem ser bastante convidativas para quem não quer uma experiência tão intensa com este gênero.



Prós

  • Jogabilidade simples, criativa e convidativa para novatos;
  • A narrativa isolada não desampara quem não seguia a franquia;
  • Excelente trilha sonora.

Contras

  • Visual deixa a desejar;
  • O título em si pode ser bastante confuso para quem não acompanha a história da franquia;
  • Termos em japonês perdidos pela tela deixam o jogador confuso;
  • Ausência de uma galeria.
Touhou Hyouibana ~ Antinomy of Common Flowers — PC/PS4/Switch — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: José Carlos Alves
Análise feita com cópia digital cedida pela Phoenixx

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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