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Análise: For Sparta (PC) resgata a jogatina viciante dos minigames intermináveis

Seja a última barreira entre as hordas persas que almejam tomar a Grécia.



For Sparta é o mais recente título do estúdio brasileiro Gamecraft Studios. A premissa coloca o jogador no controle do famoso líder espartano Leônidas contra o numeroso exército de soldados e criaturas do Império Persa. O título emprega conceitos simples de roguelike e arcade, prezando por uma jogabilidade acessível e ao mesmo tempo desafiadora.

O último espartano

A batalha de Termópilas, para os conhecedores de história ou da famosa obra do escritor Frank Miller, 300, é um evento bem icônico, seja pela sua relevância no período das Guerras Médicas ou pelo grande apelo dos bravos guerreiros de Esparta na cultura popular. O enredo é centralizado nesse evento em especial, em que 300 espartanos deixaram sua cidade para impedir o avanço do rei Xerxes e todo o seu império.

Como muitos já sabem, o desfecho dessa contenda não é nada favorável e aqui, 299 aliados já tombaram e você é o único sobrevivente que deve lutar contra incontáveis adversários. Esse é o máximo de contexto narrativo que teremos do jogo devido à sua inspiração nos antigos arcades em que um mínimo de enredo era entregue, ou quando muitas das vezes ele inexistia. No caso de For Sparta, a abertura do jogo, narrada por uma voz brava no estilo do próprio Leônidas no filme 300, é mais do que suficiente para nos situar na difícil batalha que teremos pela frente.




Lute, morra e repita

A jogabilidade em For Sparta é muito intuitiva, sendo rapidamente assimilada já na primeira experiência, principalmente se você tiver algum histórico com os jogos de arena/arcade. Iniciamos as fases munidos inicialmente de nossa espada, lanças para arremessar e uma esquiva, essencial para evitar ataques. As fases acontecem em um cenário fixo, sendo separadas por dias que se dividem em ondas de inimigos ávidos por derrotá-lo. 

É preciso dominar as movimentações de seu personagem e, principalmente, saber antecipar as ações dos oponentes. Abater seus alvos garante essências que serão utilizadas mais tarde na construção de esquemas para torná-lo mais forte. Ao eliminar todas as hordas de um determinado dia, recebemos uma boa premiação em essências e um novo esquema. Em seguida, estamos aptos a armar nossa barraca e descansar para um novo dia de matança. O “descansar” aqui fica totalmente no sentido figurado, visto que não nos recuperamos do dano sofrido a menos que um item seja construído em troca dos espólios da batalha. 




É nesse período que gerenciamos e criamos os esquemas recebidos. Estes modificadores são o grande diferencial que tornam a experiência viciante, dada a grande variedade de poderes, equipamentos e acessórios que podemos incluir ou retirar da jogatina. Alguns deles, por exemplo, substituem nossa espada por uma lança ou um conjunto de adagas, ou então alteram nossa lança de arremesso por uma chuva de flechas ou um poderoso grito que funciona como um grande raio de energia. Em alguns casos, recebemos comida no lugar desses aprimoramentos, sendo a forma mais comum de restabelecer a vida perdida. 

Ter a sorte de receber bons esquemas e escolhê-los com sabedoria é fundamental para sobreviver ao maior número de rodadas ao acabar com todas as criaturas, geradas de maneira procedural, já que nem todas as melhorias irão combinar com o seu estilo de jogo ou com a situação em que você se encontra. 




Na prática, a experiência se resume basicamente em avançar pelos dias, acumulando novas habilidades e eliminando o máximo de inimigos possíveis até a chegada do seu fatídico fim. Juntar diferentes itens é o que torna cada tentativa interessante e, de certa forma, única, já que são mais de duzentas opções que garantem uma vasta variedade de composições no intuito de equilibrar a disputa contra os mais de quarenta tipos de adversário que aparecem de forma randômica. 

Durante minha jogatina, passei por um misto de raiva e frustração, já que é preciso contar com o fator sorte e, eventualmente, você irá pegar oponentes poderosos logo no começo, quando ainda está sem aprimoramentos. Chega a ser desesperador ver a tela repleta de criaturas e soldados te perseguindo e disparando projéteis, o que pode ser desanimador para aqueles que não estejam dispostos a persistir no desafio.




Em contrapartida, também tive belos momentos em que o vento soprou ao meu favor, possibilitando montar builds poderosas que me garantiram a sobrevivência até o dia 17 e com mais de 470 persas eliminados. Esses pequenos avanços me deixavam sempre curioso por saber como seria o resultado em uma nova tentativa, e essa acaba sendo a força que prende a atenção do jogador ao título.  

Uma breve e desafiadora aventura espartana

Jogar For Sparta me lembrou automaticamente daqueles minigames sem fim que jogávamos quando crianças e que aumentavam a dificuldade conforme avançávamos. Essa fórmula ainda funciona bem nos dias de hoje e aqui traz um alto nível de dificuldade na medida que sobrevivemos ao passar dos dias. As combinações de oponentes ficam cada vez mais desafiadoras, exigindo perícia do jogador e a sorte de estar com bons aprimoramentos. 

Conseguem superar meu recorde?

Eventualmente, você estará mais do que familiarizado com todos os tipos de adversários e esquemas, restando apenas a meta de alcançar a maior pontuação possível. Isso pode diminuir o interesse pelo título, mas sem invalidar seu potencial em divertir jogadores casuais e experientes no gênero, mesmo que de forma momentânea.           

Prós

  • Experiência desafiadora;
  • Boa diversidade de inimigos;
  • Imensa variedade de esquemas que contribuem com a longevidade do título;
  • Jogabilidade simples e de fácil assimilação.

Contras

  • O esquema de aleatoriedade dos inimigos pode tornar a experiência injusta já no começo;
  • A experiência arcade tende a perder a graça com o passar do tempo.
For Sparta — PC — Nota: 7.5
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Gamecraft Studios


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