Jogamos

Análise: Project Starship X (Multi) é uma bem humorada e divertida experiência shoot’em up

Esta aventura com referências Lovecraftianas e da cultura pop em geral aposta em uma jogabilidade simples e numa infinidade de situações desafiantes.


Já vou começar entregando meu sentimento com este jogo: fazia tempo que eu não me divertia tanto em uma análise. Não que os outros não fossem, a grande maioria foi bem legal — outros eu prefiro esquecer pra sempre — mas com Project Starship X eu me diverti ao ponto de dar risadas e passar aquela raiva saudável, sabe? Com mecânicas extremamente simples e uma enorme gama de situações para cada partida, eu fiquei encantado com a forma como a equipe da Panda Indie Studio consegue esbanjar criatividade e irreverência neste game.

#PartiuEspaço

Project Starship X é um shoot’em up vertical com uma arte que lembra muito jogos da geração 16-bit. Nosso objetivo é avançar por uma série de cinco estágios que dificilmente repetem sua ordem a cada partida. Os comandos se resumem apenas a dois: atirar e uma esquiva chamada de X Maneuver, usada para “driblar” tiros inimigos e que torna a nave invencível durante sua execução.
Dando "olé" nos obstáculos
Para atirar, podemos pressionar diversas vezes o botão de tiro ou segurá-lo, fazendo a nave se mover mais lentamente e permitindo mais precisão ao desviar de projéteis inimigos. No controle do PS4, a movimentação pode ser feita tanto no direcional como em qualquer um dos analógicos. O tiro e o X Maneuver estão designados nos demais botões do controle, tanto nos frontais quanto nos gatilhos. Então, fique à vontade para escolher como controlar sua nave.

Situações aleatórias começam a ocorrer a cada vez que partimos em uma nova aventura. É realmente bem difícil jogar uma mesma fase e passar pelas exatas mesmas situações toda vez, algo que faz o fator replay ser bem alto. Sempre que conseguimos concluir uma partida, novos estágios e situações são somadas ao jogo, aumentando mais ainda a quantidade e a variedade de acontecimentos que o jogador vai encontrar em cada investida.

São 14 estágios para serem explorados e cinco modos extras de jogo:
  • Hardcore: dificuldade geral é ligeiramente elevada;
  • Ultra-Hardcore: o piloto acumula estresse, podendo acarretar em um ataque cardíaco se ele passar muito tempo próximo de projéteis inimigos;
  • Boss Rush: enfrente os chefes do jogo em sequência, ininterruptamente;
  • Chaos: como o nome já implica, o jogo vai fazer o que quiser, quando quiser e salve-se quem puder!
  • E um modo secreto, que não consegui liberar até agora. Deve ser porque é muito secreto!
Por que o piloto tá fazendo a mesma cara que eu nesse momento?
Chuvas de projéteis, inimigos mais resistentes, controles invertidos, obstáculos que vão exigir muito da precisão do jogador e até áreas e chefes ocultos são algumas das situações que encontramos em cada fase do game. Para enfrentar toda essa loucura temos à nossa disposição, inicialmente, quatro personagens com pequenas diferenças em suas habilidades básicas:
  • Garret Zeppola: é o mais equilibrado, ideal para quem está começando no jogo;
  • Gwen Rossi: sua nave é ligeiramente mais ágil, o arco dos tiros é mais aberto e é a que possui menos pontos de vida;
  • John Johnson: sua nave é mais lenta e a cadência de tiros também é menor, apesar de serem mais potentes;
  • Sophie Jefferson: possui atributos aleatórios, fazendo desta a personagem mais interessante para se jogar. Pode ter tiros mais fortes, ser mais rápida, não saber o que está fazendo, enfim…
  • Personagem Secreto: precisa ser desbloqueado. É o mais poderoso do jogo, em contrapartida, conta com apenas um ponto de vida.
O humor reina em todo canto
Cada fase termina com uma batalha contra um chefe, que conta com vários estágios até que seja derrotado. Ao concluir as fases 2 e 4, temos um breve encontro com o Cthulhu em uma forma bem casual, em uma loja para gastar moedas coletadas durante a partida e adquirir alguma melhoria para a nave, como recarga ou aumento do número máximo de pontos de vida da nave, aumento do poder de fogo ou outros itens que proporcionam diferentes efeitos. Só tome cuidado se você o chamar para a briga. O bicho é brabo!

Bonito de se ver, melhor ainda de se jogar

A arte pixelada estilo 16-bit, acompanhada de uma empolgante trilha sonora, atuam como um excelente convite para que façamos diversas partidas em Project Starship X. Somando-se a isso os diferentes temas das fases que passam desde uma aventura espacial clássica, referências oitentistas, faroeste, o já citado Lovecraft e até inimigos e situações livremente chupinhadas de um famoso encanador que consome cogumelos. Fora as frases e falas que despretensiosamente arrancam uma ou outra risada da gente.
Qualquer semelhança é puramente coincidência
Junto disso temos ainda a opção de jogar com um amigo localmente, dobrando a diversão. Por conta da pandemia não é conveniente convidar alguém para jogar comigo, mas é bom saber que temos essa opção para quando a oportunidade surgir. Enquanto isso, posso garantir que o título é excelente para se jogar sozinho e até para quem gosta de colecionar conquistas/troféus. Aqui eu consegui o troféu de platina em cerca de meia hora de jogo, mais ou menos. Sim, é fácil desse nível!

Recomendo jogar várias partidas para liberar o máximo de coisas que puder, incluindo o personagem secreto. Após algumas dezenas de partidas você já pode ter liberado bastante coisa. Além de já ter aprendido quais itens são bons e quais não são. Não há tutoriais, então o jeito é aprender na marra mesmo. Também é difícil dizer quanta coisa tem pra ser liberada. A única coisa que dá pra fazer é jogar mais e mais até que não recebamos mais nenhuma notificação de que algo novo está disponível.
Acredite, isso aqui ainda é fácil!
A sensação de repetitividade é inevitável, ainda mais para um game com elementos de roguelite como este. Felizmente, todo esse processo não chega a ser chato. É o típico jogo que dá pra aproveitar sem ser hardcore demais.

Acaba, mas sempre tem mais

Fazendo ótimo uso de mecânicas bem simples, somadas a elementos aleatórios para apresentar uma divertida e viciante experiência dentro do gênero shoot’em up, o que mais gostei foi o fato de não ser um jogo que fica fácil demais depois que a gente aprende ou até decora os padrões dos inimigos. Alguma coisinha sempre vai mudar a cada vez que decolarmos para mais uma aventura nesse espaço colorido e doido de Project Starship X.

Prós

  • Trilha sonora empolgante e divertida
  • Mecânicas extremamente simples;
  • Jogabilidade viciante;
  • Multiplayer local para dois jogadores;
  • Diversidade de estágios e de situações aumenta o fator replay;
  • Arte, referências e bom humor deixam a experiência descontraída;
  • Obtenção de conquistas/troféus é extremamente fácil.

Contras

  • Excesso de elementos na tela prejudica em alguns momentos, afetando até a performance;
  • Inevitável sensação de repetitividade após algumas partidas;
  • Ausência de um menu ou indicador de progresso para indicar quanto do jogo já foi desbloqueado.
Project Starship X – PC/PS4/XBO/Switch – Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: José Carlos Alves
Análise feita com cópia digital cedida pela Eastasiasoft

Tecnólogo em Gestão Ambiental, produtor do BlastCast e sincero até demais. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora jogos multiplayer que causam discórdia e fogo no parquinho. @XelaoHerege


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