Estudo de dez anos de duração indica que jogos violentos não alteram o comportamento humano

Artigo foi publicado na revista "Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking" e tenta responder pergunta polêmica.

É fato que um dos maiores debates envolvendo a comunidade gamer é justamente no sentido de tentar entender quais são a influências que os jogos têm sobre o comportamento dos jogadores. A máxima de que "jogos violentos tornam as pessoas violentas" é perpetuada há gerações, mas será que ela é verdadeira?


Um estudo realizado nos EUA surge justamente para responder tal questionamento. Em um artigo intitulado "Growing Up with Grand Theft Auto: A 10-Year Study of Longitudinal Growth of Violent Video Game Play in Adolescents", as pesquisadoras Sarah M. Coyne e Laura Stockdale, ambas PhDs na área comportamental, estudaram, durante dez anos, como a violência dos jogos afeta o padrão comportamental de um grupo de indivíduos.

Os participantes foram divididos em três categorias: aqueles que apresentavam níveis altos de violência antes do estudo, jogando jogos violentos desde a infância (4%); os que demonstravam níveis medianos de violência (23%) e; aqueles que apresentavam níveis baixos de comportamento violento (73%).

Em suma, restou evidente que os pertencentes aos dois primeiros grupos (de violência alta e moderada), diminuíram de forma significativa a jogatina de jogos considerados violentos, enquanto o último grupo tendeu a um crescimento. Ficou constatado, então, que não houve diferença comportamental nos indivíduos dos três grupos ao longo dos dez anos de pesquisa que pudesse ser atribuída aos jogos.

É interessante destacar que aqueles considerados do grupo de alta violência inicial, que jogavam jogos violentes desde cedo, sequer tinham os maiores índices de tendência à agressividade, o que demonstra que não existe uma ligação direta entre o fatores discutidos (jogos-comportamento).

Obviamente, o estudo não traz respostas finais e não encerra o debate, mas traz um dado científico de peso, ainda mais por ser um estudo longitudinal. Seja jogando GTA ou CoD, parece que o que jogamos não tem o poder de moldar quem somos ou o que fazemos.


é estudante de Jornalismo e Direito, atuando como escritor, podcaster e pseudocrítico, seja de cinema ou jogos. Sua paixão pelo mundo dos games começou logo cedo e ele sempre sonhou em viver uma grande aventura como Nathan Drake ou Lara Croft, desbravar o mundo Pokémon como o Red e ter a coragem e a determinação de Ezio Auditore.


Disqus
Facebook
Google